Estima-se que cerca de duzentos idosos sejam abandonados por ano em hospitais, um em cada quatro idosos foi vítima de violência no último ano e só ontem morreram quatro idosos em consequência do frio intenso que se faz sentir e das condições depauperadas dum país que se acha tropical. E não vale a pena culpar o Sócrates, Manuela Ferreira Leite, Durão Barroso que foi comer frites para outro lado, Santana Lopes pelo seu ar dandy, Cavaco Silva pela falta de jeito em articular discurso. Não vale a pena culpar D. Sebastião por se ter perdido algures a Sul, determo-nos em Belém à espera das caravelas que nos hão-de devolver esse esplendor cujas aventuras Camões eternizou ou blasfemar Afonso Henriques que, ao que se sabe, deu umas belas bordoadas na mãe. Esqueçam os poetas, esqueçam os historiadores, esqueçam os políticos. Vale pena reflectir sobre o presente, o aqui e agora, e pensar em que raio de gente nos tornámos, que raio de gente somos nós afinal.
Ocidental praia lusitana
cronicasnofeminino,

E que raio de sono conseguimos dormir à noite e a que chamamos “sono dos justos”.
Nem mais.
que raio de gente, somos. exactamente.
É urgente que alguns de nós se façam essa pergunta. Uma miséria total.
Dizes muito bem, Leonor: temos de parar de culpar sempre uns quaisquer “eles” por todos os nossos males. Qualquer coisa tem de mudar em nós, no mais fundo de nós, para que este país avance. O abandono de idosos é um sintoma óbvio de uma sociedade doente, indiferente e egoísta.
É muito irritante serem sempre os outros, Ana, se não é de uma coisa é de outra e, embora nesta situação que descrevo se possam alegar situações de degradação social, para mim o problema é outro. São os valores do respeito pelo próximo que se tornaram inexistentes. Uma sociedade que abandona os seus idosos e os maltrata, tem níveis elevados de violência doméstica e nem sempre respeita a infância está perdida.
Uma amiga médica esteve de serviço na urgência de um dos maiores hospitais do Porto na noite de 22 de Dezembro e viu carros a ‘depositar’ os idosos à porta da urgência. Uma vergonha.
Pelos vistos, é moda. Que tristeza.
A Leonor parece convencida de que dantes “tratávamos” melhor os nossos velhos. É de facto uma ideia muito arreigada, sobretudo entre os mais novos (suponho que o caso da Leonor), que os mais velhos corroboram, porque dá jeito. Não é assim, muito antes pelo contrário. Obviamente, para o antigamente, só contam mesmo os testemunhos pessoais, porque a indiferença era tanta, que nunca a ninguém passaria pela cabeça fazer esses levantamentos estatísticos ou reinvidicá-los. Os velhos eram quase invisíveis, assim como as crianças abandonadas. Este país era muito cruel, acredite, muito mais do que agora. Felizmente, faziam-se aqui e ali, muito de vez em quando, peças jornalísticas sobre o assunto (tenho peças interessantes de jornais e revistas do periodo da primeira república, de que sou coleccionador). Nem queira saber. Apesar de tudo, “tornámo-nos” muito melhores, Leonor. Obviamente, estamos muito longe de nos termos tornado perfeitos. Mas olhe que preocupações como a sua eram muito raras.
E estou mesmo convencida, Alberto. Não sou tão nova quanto julga. Na minha infância e pré-adolescência havia de facto uma consciência muito diferente da actual do que era a terceira idade e infância, por exemplo. Os idosos eram invisíveis para muitos de nós, mas também o eram os deficientes, chamados de outra forma então, os filhos de pai incógnito e as mulheres ‘enganadas’, muitas vezes criadas para literalmente todo o serviço e deixadas grávidas e/ou com a criança nos braços. Eu lembro-me. Não havia integração de deficientes, não frequentavam a escola como os demais, e a clivagem social era notória. Tenho muito boa memória, não me esqueço das tareias que uma das minhas colegas levava da professora primária, porque não conseguia escrever uma composição sobre os frutos e não tinha uns pais que a soubessem defender perante tamanha crueldade e injustiça. Não foi assim há tanto tempo. Mas não me lembro de os idosos serem depositados nos hospitais como se despejam as garrafas no vidrão. O passado não pode ser de forma alguma desculpa para o presente e a violência jamais legitimada. É uma questão de respeito pelo outro. Se é fácil conviver com a velhice? Não é. Mas nem tudo se resume a facilidade. A desculpa de que não há tempo não pode ser desculpa. Infelizmente torna-se fácil descartarmo-nos do que nos dá trabalho. Os animais no Verão são um exemplo e ainda no final do ano passado apareceram cerca de doze crianças abandonadas que ficaram no refúgio Aboim Ascensão (não encontro link para a notícia). Podemos ter-nos tornado melhores nalguns aspectos, Alberto, não duvido, mas não o suficiente.
“Mas não me lembro de os idosos serem depositados nos hospitais como se despejam as garrafas no vidrão.”
Lembro-me eu, Leonor. Essa é a questão. A Leonor pensa que isso não se passava. Pior, a maior parte era abandonada nos asilos de mendicidade, horríveis,, nem sequer nos hospitais. Já para não falar nos que eram abandonados na rua. Os doidos. E é claro que não nos tornámos melhores o suficiente; foi o que eu disse também,
Uma coisa tenho bem clara na minha memória de criança, Alberto, a mendicidade era assustadora, mas de facto não me lembro nunca de ter ouvido falar em casos assim. Concordamos que há ainda um longo caminho pela frente. Mas sabe o que me assusta? É que já crescemos alguma coisa e hoje com tanta informação e uma outra consciência social não se admite que sejamos tão cruéis.
Claro que não ouvia falar disso, Leonor. Não se ligava, era banal. Lembro-me eu bem, nas enfermarias geladas dos velhos hospitais da universidade de Combra. Há de facto agora muito maior consciência social. Muito falta ainda fazer, no entanto.
Felizmente que nos tornámos todos mais atentos e que a comunicação social tem ajudado. Sem ela permaneceríamos nas trevas.
Excelente reflexão, Leonor. É algo que me dá muito que pensar: como é que ao progresso material inegável que usufruimos nas sociedades contemporâneas não corresponde um progresso no capítulo dos comportamentos. E já nem falo em princípios éticos: falo na mais elementar decência humana.
Nem mais: decência humana, Pedro.
Chego aqui já muito tarde. Já está (quase) tudo dito e comentado. Mais um excelente post Leonor, que leio num dia em que estou particularmente “sensível” ao tema. Ontem foi o funeral de um dos meus velhos mais queridos. Um tio a quem queria muito, muito. E que, felizmente, teve condições completamente diferentes das que descreve no post.
Curioso foi ter-me confrontado com a circunstância de, actualmente, o falecimento de um tio não ser justificação para “faltar” ao trabalho. Felizmente, de um modo ou de outro, todos ( e estávamos todos e somos muitos) temos ocupações profissionais que nos permitem gerir a ausência sem precisar de recorrer a justificações dessa natureza. Mas, francamente, e quem não tem essa possibilidade? Não tem o direito de chorar os seus mortos? Não tem o direito a estar com os seus?
Leonor, a sua chamada de atenção é sempre oportuna, o registo em que escreveu é muito lúcido e interpela-nos quanto ao essencial, mas, o que o Alberto diz também é verdade.
Temos um caminho civilizacional a percorrer para não nos desviarmos do essencial.
Lamento muito a sua perda Maria do Sol. Um beijinho muito grande. Ainda bem que o seu tio foi o inverso desta triste estatística.
Quanto ao resto. Agora deixámos de ter família na função pública, não sei se é o seu caso. Se nos morrer alguém que não seja pai, mãe, filho ou filha não temos direito a prestar homenagem. Um destes dias que precisei de prestar assistência à minha mãe, ainda ouvi que a justificação dependeria de deixar planos de aula e sei lá mais o quê. Ora como não falto sem o fazer, estou-me literalmente nas tintas se me marcarem falta injustificada. Como sou filha única não tenho outra alternativa e ainda que tivesse há alturas que pais e filhos precisam uns dos outros e não estou a falar de cefaleias, enxaquecas ou obstipação. O que é ainda mais triste é esperarem que sejamos subservientes e que mendiguemos o que é um direito. Não suporto e não admito. Desculpe o desabafo .
Há tempos que visito o “Delito de Opinião”, ocasionalmente, desde há dias com frequência, desde que o inseri na lista de favoritos de um Blogue que agora inaugurei, e onde tento alinhavar umas ideias e alguns desabafos.
É esta a razão do meu atraso para vir comentar o pertinente “post” que quando li logo retive no pensamento.
Pois bem. Partilho:
A mensagem foca o problema da miséria dos idosos em Portugal, mas não será abusivo reconduzi-lo à questão da pobreza em geral, que tem vindo a agravar-se gritantemente nos últimos tempos. Vou por aí.
É claro que a opinião que vos deixo não visa, por um lado, contrariar em nada o que é dito no “post” ou, sequer, fazer tábua rasa dos deveres de cidadania a que todos estamos obrigados, desde cada um, individualmente, aos mais altos responsáveis da comunidade, por outro.
Trata-se, pois, não de “sacudir a água do capote”, em que somos pródigos, atirando sempre as culpas aos outros e ao “sistema”, mas, pelo contrário, convocar responsabilidades muito concretas.
Dou um exemplo – que não é de idosos mas ilustra na mesma, creio:
O ano passado, ou já há mais tempo, não sei, ali na António Augusto Aguiar, mesmo em frente ao prédio do escritório onde trabalhava, todos os dias via 3 “arrumadores”, julgo que paquistaneses, num estado da mais degradante condição humana – os hematomas, feridas e mazelas invocavam a figura do leprosos – que lá vinham suplicar uma moeda, para comprar vinho, pão e maçãs na frutaria da frente, passando, depois, as noites no acesso ao túnel, mais abaixo, em construção.
Aquilo impressionava-me e quanto mais tempo passava maior era o transtorno.
Perguntava na vizinhança, de que eram bem conhecidos, e o que me diziam era, “de vez em quando passa aí a PSP e eles vão-se embora. Bom era correr com eles daqui da rua, mas a lei parece que não deixa fazer nada”… e assim iam andando, ora escorraçados, ora de volta ao ponto onde “haviam montado acampamento”.
Um dia, ao chegar ao escritório, vi algum aparato. Ambulância e PSP. Tinha acontecido que um estava deitado entre as árvores, onde se costuma estacionar, e um carro, sem dar conta, pura e simplesmente passou-lhe por cima. Um filme… imagens de telejornal…
Então, «mea culpa», por não ter feito nada mais cedo, a não ser ir dando a tal moeda (bem ou mal), quando subi, irritadíssimo, disse à funcionária:
“Ligue imediatamente para; a Junta de Freguesia, o Centro Paroquial, o departamento de Acção Social da Câmara, a Cáritas, os “Sem Abrigo”, a Misericórdia e a o ACNUR/Portugal, e diga-lhes isto (…) e acrescente que não vai parar de ligar até que seja encontrada uma solução, porque eu vou empenhar-me nisso até ao fim, nem que tenha de falar ao Cardeal, ao Ministro da Solidariedade, ou ao PR!”.
Passou um dia. Pergunta do dia seguinte, “e então, já ligou? O que é que disseram?”. Dois dias, três, dias, e mais uns dias, e sempre a mesma resposta, “Já liguei, sim; do lugar X dizem que têm a situação monitorizada, do Y que não é com eles, do Z que estão e encontrar uma solução para o assunto, etc, etc.”
Resultado. Passaram uma ou duas semanas e NINGUÉM apareceu. Quando, na mesma Avenida, todos os dias, os mesmos olhos que viam aqueles indigentes também viam passar carrinhas, com logótipos da maioria das entidades acima referidas, sabe-se lá, muitas vezes, a fazer o quê!…
No meio disto, «mea culpa» novamente, larguei o assunto e não mais soube até hoje o que terá acontecido àqueles desgraçados…
Podia dar vários outros exemplos semelhantes, desde o “homem cara de monstro”, do Rossio, até um casal de idosos, cujos corpos vi carbonizados, após um incêndio nas Janelas Verdes, o problema da Baixa, em que os velhos vivem com medo e nem à rua conseguem ir buscar o pão e os remédios, etc.
Também podia dizer que, passe a presunção, acho que conseguia acabar com a fome dos mendigos de Lisboa, (desde que o plano estivesse centralizado) – o que se deita fora todos os dias nos hotéis de Lisboa… alguém tem ideia? São quantidades industriais! Só a hotelaria e restauração davam para alimentar muitos milhares de pessoas!
Adiante. Fica para outro dia.
Hoje, aqui, quero, com esta história toda, dizer o seguinte:
(Acabaram os caracteres permitidos. Cont.)
Muito obrigada pelo seu contributo, Ricardo. O episódio que conta é arrepiante, mas também vejo muito bem o outro lado da burocracia infernal em Portugal e que é um verdadeiro flagelo. Parece-me, no entanto, que se houvesse uma verdadeira consciência social da responsabilidade do Estado poder-se-ia obstar a algumas situações. Basta ver, por exemplo, no caso de crianças que são vítimas de abusos. Algumas já foram sinalizadas pela CPCJ ou pela Segurança Social mas na verdade pouco foi feito além disso para pôr as crianças em segurança. É preciso fazer muito mais, nem sempre depende de nós, mas abandonar idosos como refiro no post é da nossa responsabilidade e é uma acto abjecto.
Inteiramente de acordo, Leonor.
Desviei-me um pouco mas creio ter ido mais de encontro ao seu ponto no desdobramento.
A situação dos idosos é uma calamidade e que ninguém pense que é o PM mais este ou aquele que a vai resolver.
Claro que somos todos, a começar por cada um, individualmente, pelas famílias e pelas comunidades locais, públicas privadas.
Cada pequena comunidade, cada célula da sociedade, é que pode dar as respostas mais adequadas.
Porém, para isso, é preciso que exista o que mais falta – sentido de comunidade. Perdeu-se. Sem ele, é o desabar do Estado a que temos assistido (não falo dos escândalos e da política diária). Falo em termos estruturais, se quiser.
Os americanos, que têm imensos defeitos, tem esse lado bom – cultivam desde a escola o sentido de comunidade e pertença. Vi isso lá.
Cá, está visto, não é pelo lado “associativo”, importado dos modelos da Europa do Norte, que vamos lá…
Não me custa nada dizer:
Aquela ideia do Estado Novo, de que ainda resta edificado em muitas localidades, e podemos ver a igreja, a escola, o jardim, o centro recreativo, etc., não era destituída de sentido, se lhe expurgarmos agora o lado obscuro do Regime.
O “conceito” era adequado a um país do sul da Europa. Nem o associativismo nórdico, nem os clubes anglo-saxónicos… era mais pelo corporativismo…
Não interessa agora. A verdade é que identificavam-se, sentiam-se pertença e formavam comunidades.
Hoje, adaptando a tempos que não têm nada a ver, o certo é que importa encontrar forma de fermentar essa noção de pertença colectiva.
Bem, a coisa dá pano para mangas…
Fico por aqui.
Já abusei do vosso espaço. Resta-me aguardar pelo vossa indulgência.
Primeiro, Ricardo, não tem de pedir desculpa. O DO é uma espaço plural onde privilegiamos a participação dos comentadores interessados e respeitadores. Apareça sempre.
Perdeu-se esse sentido de pertença, não há dúvida. Os avós habitualmente ficavam com os filhos em caso de morte de um dos cônjuges e havia um outro conceito de família. Quanto aos países nórdicos, mesmo não existindo esta ‘coisa’ outrora muito nossa de partilharmos tudo, existem estruturas sociais de apoio que colmatarão essa diferença e que não permitem a depauperação das condições de vida mais elementares.
Julgo que um dos problemas principais hoje em dia é o egoísmo. Ninguém está para se aborrecer com o próximo, seja ele familiar ou não. Como sou professora, consigo observar no meu quotidiano uma mudança no padrão de comportamento, tanto entre os alunos, como entre as famílias e os mesmos. Se, por um lado, assistimos a uma infantilização da adolescência em alguns casos, por outro, vemos claramente uma responsabilização exacerbada dos adolescentes que obriga não raras vezes a assumirem responsabilidades que deveriam conhecer bem mais tarde nas suas vidas, roubando-lhes alegria e a descontracção saudável. A questão está longe de ser pacífica.
II – Cont.
Não há aldeia, vila, ou cidade de Portugal que não tenha uma Santa Casa da Misericórdia; uma Casa do Povo; uma Associação disto ou daquilo; um Centro da Cáritas; um movimento da Paróquia; serviços de Acção Social das Câmaras; um agrupamento de escuteiros; os próprios serviços de Segurança Social do Estado; um Lar de idosos; Lions; Rotários; Mulheres disto, Jovens para aquilo e o “diabo a sete”, enfim… capelinhas e mais capelinhas e mais capelinhas!
Sabem, (excepção a muitas dessas entidades que funcionam bem, diga-se), muitas vezes, para que é que são criadas e para que servem?
Para sorver dinheiro ao Estado (directa ou indirectamente a “fonte” acaba por ser essa), para justificar uma sede, órgãos sociais, um departamento administrativo, que alberga filhos e enteados, recursos e logísticas, ao serviço dos interesses dos capatazes, por sua vez “feitos” com a necessidade de proteger as suas “clientelas e fregueses”, e por aí fora…
Isto tem que ser dito! Não sejamos hipócritas!
E “isto” é o País!
Não estou a pensar em Cidades como Lisboa e Porto, (a complexidade é diferente, embora o enredo seja o mesmo – só não se nota tanto porque se dilui mais, dada serem mais populosas, onde as pessoas não se conhecem todas) mas sobretudo ao nível da “província”, das Autarquias Locais.
No “País real”, o caso também é muito bicudo. Importaram-se os males dos maiores centros e perderam-se as virtudes dos pequenos. Os miúdos também não comem sopa, são alimentados a refrigerentes, batatas fritas e “Bollycao”. Os idosos também estão cada vez mais isolados e a passar necessidades. As toxicodependências, para lá do álcool, deixaram de ser um fenómeno urbano e germinam como girassóis. O planeamento familiar é de gargalhada. A higiene tresanda. O individualismo tomou conta da comunidade, que perdeu a consciência colectiva. Os professores vão dar aulas “à rasca”, com medo dos pais, etc, etc.
E isto, porquê?
Por que andamos todos a fazer de conta. A providência social caiu, definitivamente, nas mãos de caciques da pior espécie que pensam assim, “vamos criar uma instituição porque, depois, isso dá direito a protocolos com a Autarquia e o Estado e é uma maneira de sacar dinheiro”.
Depois, o Estado, demissionário, vem com a lógica do “descentralizar”, e toca a distribuir e a “adubar”. Na paga, de 4 em 4 anos, as “instituições da sociedade civil” lá vão movendo as suas influências para arranjar votos para o “cavalo certo, em que apostam”.
Resumindo:
A raíz do problema está em duas coisas – dinheiro e votos.
O “verniz” do problema está numa coisa – o “pregão da solidariedade” que, com tantos meios afectos, nunca foi uma meta tão vã como agora.
Por fim, para quem se der ao trabalho (eu não contei), deixo aqui alguns Links, que só pelo número, sustentam esta posição. Ninguém faz ideia…
Associação Nacional de Freguesias
http://www.anafre.pt/
IPSS´s Registadas
http://195.245.197.202/left.asp?01.03.07
Instituições equiparadas a IPSS´s
http://195.245.197.196/left.asp?01.03.08
Lista de Clubes Rotários de Portugal dex.html
http://www.rotary.pt/2009-2010/Clubes/in
Lista de Clubes Lions de Portugal
http://www.lionsclubes.pt/dm115/
Cruz Vermelha Portuguesa riado/voluntariado.asp
http://www.cruzvermelha.pt/cvp_t/volunta
Misericórdias
http://www.ump.pt/ump/
Empresários Cristãos
http://www.aspec.pt/
Movimentos e obras da Igreja Católica sobras.pl
http://www.ecclesia.pt/cgi-bin/movimento
Portal da Solidariedade
http://www.bem-haja.net/bem/
Para rematar, não sem antes agradecer a Leonor Barros e ao “Delito de Opinião” a paciência e publicação destas linhas, escritas ao sabor do irreprimível desabafo, uma ideia – que há muito venho defendendo, simbólica, é certo, mas que, por sê-lo, encerrará o ponto de vista que subscrevo:
“… em vez do Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social, deveria criar-se o MINISTÉRIO DO TRABALHO E DO VOLUNTARIADO, como sinal político ao País da urgência de se iniciar um sério COMBATE À POBREZA, centralizando-se meios e recursos, acabando-se com a sobreposição de tarefas dispersas por “n” entidades, e evitando-se muitos desperdícios em meios, pessoas, áreas de actuação e géneros (…)
Portugal é de todos – SIC/Expresso/Visão, 25.04.2009
Algumas das instituições, de solidariedade só mesmo o nome. Há que fazer muito mais. Aqui falta-nos o pragmatismo e a responsabilidade perante os contribuintes dos nórdicos e dos alemães, por exemplo. Mas também nos falta alguma humildade nas atitudes, uma verdadeiro sentido de missão sem o espalhafato e a necessidade de alardear o bem que se faz.
Nota prévia:
Tendo ficado a saber agora que estou, por esta via, a trocar correspondência com uma Professora, confesso o meu embaraço, tão descuidado que tenho sido com a Língua Portuguesa. Não que saiba escrever muito bem, mas impunha-se, reconheço forçosamente, outro aprumo, ao menos na pontuação e rectificação de lapsos ortográficos nos comentários, cuja publicação merecia revisão prévia. Escrever à velocidade do pensamento não é para todos, e escrever à velocidade do pensamento, como se de uma conversa se tratasse, para menos ainda. Costumo “disparar” sem pensar que estamos sempre a prestar provas, e logo aqui sai-me uma Professora “na sorte”. Resta-me, portanto, deixar registo por esta nota, na esperança que não estejamos em época de exames.
Leonor,
Tocou em 3 pontos-chave, para subsídio da questão posta:
– O desabar do edifício social tradicional, onde a família era a célula-base e, por arrastamento, todas as contradições geracionais hodiernas, nesta fase de “desnorte”, na falta de ser encontrado um “novo paradigma”;
– O individualismo exacerbado, também, em boa medida, consequência da causa acima identificada, por um lado, e da convicção generalizada, sobretudo a partir da queda do Muro de Berlim, que o capitalismo
seria o “fim da História” (F.Fukuyama), não obstante, é bom recordar, o Papa João Paulo II, logo ter vindo alertar para os perigos da resignação humana ao patamar em que nos encontramos, sendo que o Fórum Social Mundial, por contraposição a Davos, a par dos frequentes protestos anti-globalização, são sintomáticos da “exclusão global”, ainda que sem modelo alternativo/complementar a propôr, o que nos reconduz à falta do tal “novo paradigma”;
– A ideia de “Estado-Pai”, própria dos países do Sul da Europa, designadamente aqueles que não foram tocados pela “Reforma” de Calvino e Lutero, quedando-se na “Contra-Reforma”, por contraposição à ideia de “Estado-Contrato Social”, (por assim dizer, sem tocar em J.J. Rousseau), adoptada pela “Europa desenvolvida” e ostensivamente reforçada do outro lado do Atlântico, pontificando nos EUA.
Ora, deixando os dois primeiros para próxima oportunidade, sobre esta última, para mais com o Orçamento na ordem do dia, socorrro-me para já, e sem embargo de desenvolvimentos posteriores, desta proposta, a qual, creio, seria um bom começo, sobretudo num País em que os cidadãos desconfiam do “Estado – cobrador de impostos” e não conseguem perceber a necessidade do jargão, “combate à fraude, à fuga e à evasão fiscal”, precisamente por terem motivos mais que suficientes para apodar o distante Estado “do fraudulento”. Isto, pela simples razão de faltar “pedagogia”, talvez propositada…
Aqui fica:
b) Uma ideia para aprofundar a democracia:
A Lei que aprova anualmente o ORÇAMENTO GERAL DO ESTADO deve passar a prever o envio (em versão detalhada e com linguagem acessível) a cada contribuinte com informação relativa às previsões de receita e despesas/investimentos, a fim de cada cidadão ficar a saber dos recursos disponíveis e das verbas afectas a cada área, bem como das respectivas opções sectoriais.
ps: acrescentaria medidas idênticas para os governos regionais e autarquias locais.
Tomara que, terminados “os sambas”, em tempo de Quaresma, dado ao recato e à meditação, pudéssemos, todos, falar disto muito a sério.
Bem receio que não seja nesta Quaresma, pois, como bem sabemos, depois deste “Feriado gordo”, amanhã começa um novo e longo “Carnaval”.
Boa Noite.
Não tem de sentir qualquer embaraço , Ricardo. O facto de ser professora não me dá o direito de “vigiar” a escrita alheia e se houve lapsos nem sequer reparei, acontece-nos a todos. Estou aqui no Delito não como professora, muito menos em época de exames, mas como blogger antes de tudo. Sinta-se à vontade para partilhar sempre connosco os seus pontos de vista sem quaisquer constrangimentos.
Seria de facto muito bom que o Estado assumisse definitivamente essa responsabilidade perante todos nós, contribuintes, mas como sabemos não chegámos tão longe. Duvido até que algum dia cheguemos. Basta ver a falta de vergonha este ano em que, ao que dizem, o défice atingiu níveis indesejados. Enquanto não há aumentos, nada contra se assim for necessário, as despesas de representação para os Ministros foram aumentadas em 3,2%. Se a inflação prevista é de 0,8%, para que são os remanescentes 2,4%? Este país não tem jeito.
Permita-me discordar da sua derradeira afirmação.
Este País tem jeito, tem…
Deixe chegar a 2013 e ao esgotamento dos fundos do último Quadro Comunitário de Apoio.
“Torneira fechada”, vai ver. Vai doer, previno.
PS:
Lembra-se da “conversa” de ontem?
Pois bem. Veja a candidatura de Fernando Nobre a Presidente da República (notícia de hoje) e depois diga-me de sua justiça, sff.
Escrevi sobre o “fenómeno” no meu Blogue.