Concordo, em linhas gerais, com o que o Pedro Correia escreve aqui abaixo sobre Chavez. No entanto, o post remeteu-me para outra questão.
Há dias alertei os leitores do DO para o facto de os principais líderes sul-americanos terem pedido a Obama que olhasse para a América Latina com olhos diferentes dos de Bush.
Poucos dias depois, o Departamento de Estado norte-americano acusou Chavez de ser incapaz de combater o narcotráfico, reeditando o episódio protagonizado por Bush em 2008.
Em resposta, Chavez mandou Obama “para o diabo”. Antevejo já muitas virgens ofendidas a levantarem-se num coro indignado, contra o ditador venezuelano. Considero por isso oportuno relembrar que o Departamento de Defesa dos Estados Unidos acusou Uribe – o grande amigo dos americanos na América do Sul – de fazer a ponte entre o cartel de Medellin e a alta cúpula governamental colombiana, de ser um dos melhores amigos de Pablo Escobar e de ter trabalhado, durante vários anos, para o cartel de Medellin. A administração Bush, curiosamente, não reagiu e continuou a apoiar Uribe e a criticar Chavez, Morales e todos os líderes sul-americanos que recusaram o beija-mão a Washington.. Mas há mais, para quem quiser ler, aqui e aqui.
Obama não pode prosseguir a política de dois pesos e duas medidas, característica do consulado de Bush, se pretende ganhar credibilidade junto da opinião pública mundial. Por outro lado, já deveria saber que a cada acusação, Chavez responde com medidas retaliadoras (como fez agora ao nacionalizar as fábricas de arroz) que lhe massajam o ego e aumentam a popularidade.
A poucos dias da cimeira das Américas seria de esperar, da parte de Obama, um olhar diferente sobre os seus vizinhos do sul. Só assim poderá evitar uma maior crispação naquela zona do globo e o aparecimento de líderes populistas, com tendência a perpetuar-se no poder. Mais importante ainda, só manifestando que está disposto a dialogar com todos os países da região – incluindo Cuba – poderá evitar que as pessoas comecem a pensar que a política externa americana irá ser mais do mesmo. Pode ser uma chatice para os EEUU reconhecer os seus erros e emendar a mão, mas não vejo outra forma de resolver a questão sul-americana pela via democrática.
É altura de os EEUU perceberem que o apoio aos líderes papagaios tem os dias contados e que a América do Sul tem direito a traçar o seu próprio destino.

São “tiques” de muitos anos. O relatório da CIA é disso exemplo, até na política económica da Argentina se pretendem intrometer.
Só um detalhe, Carlos: «os EEUU» é já acordortografiquês em prática? Hehehe…