Sempre me impressionou a obsessão politicamente correcta de, perante o colapso total de serviços públicos, a oposição não aparecer a exigir a demissão dos responsáveis políticos, com medo de ser acusada de querer obter ganhos à custa de tragédias. Essa obsessão não ocorre em mais nenhum país do mundo, sendo com naturalidade que os responsáveis políticos se demitem quando ocorrem situações graves no seu ministério. Há dias a Ministra da Defesa da Holanda demitiu-se por causa de um acidente que vitimou dois soldados holandeses no Mali. Em Portugal ocorrem mais de cem mortos, e a Ministra da Administração Interna continua em funções, com a total cobertura política do Primeiro-Ministro. E os defensores do governo apresentam o argumento espantoso de que a sua saída não resolve o problema. E o facto de ela ficar não agrava o problema da falta de confiança dos portugueses nas instituições?
Assunção Cristas percebeu que era tempo de reagir e apresentou uma moção de censura ao governo. Face à blindagem com que a Constituição protege o governo, a moção de censura não tem quaisquer hipóteses de ser aprovada, uma vez que necessitaria de que a maioria absoluta dos deputados votasse a favor da mesma. Por isso, até toda a esquerda se podia abster que a moção de censura não passava. Mas a moção de censura é um claro xeque ao governo e por arrastamento aos partidos que o suportam. Porque, sendo a moção de censura baseada apenas na situação da administração interna, todo o governo vai ser obrigado a solidarizar-se com a respectiva ministra, pelo que vai assumir uma culpa colectiva por uma situação que a maioria dos portugueses ainda vê como um simples problema da ministra. E os partidos da extrema-esquerda terão que votar naturalmente a favor do governo, o que os responsabilizará também por esta situação. Qualquer tentativa de estes partidos descolarem do governo para as eleições de 2019 ficará irremediavelmente comprometida, razão pela qual o PCP protesta furiosamente contra estas “manobras parlamentares”.
Com esta iniciativa Assunção Cristas coloca assim a geringonça em xeque. Obriga António Costa a ligar o destino de todo o seu governo ao de Constança Urbano de Sousa, anulando os efeitos políticos da sua recente vitória nas autarquias, e faz o mesmo aos partidos de extrema-esquerda, que não permite que ensaiem qualquer descolagem do governo. Isto é política no seu estado puro, sendo isso o que se espera que os políticos façam, especialmente quando estão na oposição. A nova liderança do PSD bem pode começar já a aprender alguma coisa.

Com o devido respeito pela função presidencial, parece que finalmente acabaram as pregações aos peixinhos.
Vergastada impiedosa no conjunto do governo com o 1º ministro na linha da frente a ficar não só com as orelhas a arder mas com todo o corpo a sofrer queimaduras de grau fatalmente máximo.
Uma moção de censura a surgir no momento decisivo, que para além do mais, a existir uma restea de vergonha obrigará as suas muletas alugadas a mostrar a cara do negócio escabroso e a sair da toca.
Que o cadáver politico adiado tombe de vez com estrondo no lugar de onde foi içado.
Sem perdão.
O histórico socialista Manuel Alegre assina hoje um artigo de opinião no Diário de Notícias em que afirma que a tragédia dos incêndios em Portugal mostra a “falência do Estado”, fruto de “desleixo, incompetência e amiguismos”.
O socialista diz ter “por vezes” protestado, mesmo contra o seu partido, mas que tal “não foi suficiente”. “Não consigo calar-me e sinto-me culpado”, sublinha.
António das Flores já tinha mostrado que de lama era feito, aquando da campanha contra Seguro. Agora temos mais uma confirmação com estas tragédias
antónio das mortes prepara-se para comprar o pc e o be
não vai cair do podium
Reconheço a importância do PCP no sistema político português.
Mas também reconheço que o PCP é o mais imobilista e reacionário dos partidos, relativamente ao regime em que se instalou.
João de Brito
Acho muito curioso que o PCP proteste “furiosamente” contra aquilo que designa como “manobras parlamentares”.
Teremos, portanto, de qualificar como “manobra parlamentar” a moção de censura que o PCP apresentou em 2008 ao Governo PS: p-apresenta-mocao-de-censura-ao-governo_ v177523
https://www.rtp.pt/noticias/politica/pc
Teremos, portanto, de qualificar como “manobra parlamentar” a moção de censura que o PCP apresentou em 2010 ao Governo PS: p-apresenta-mocao-de-censura-ao-governo_ v345329
https://www.rtp.pt/noticias/politica/pc
Teremos, portanto, de qualificar como “manobra parlamentar” a moção de censura que o PCP apresentou em 2012 ao Governo PSD/CDS: o-e-pcp-apresentam-mo%C3%A7%C3%B5es-de-c ensura-ao-governo/24848
http://www.esquerda.net/artigo/bloc
Teremos, portanto, de qualificar como “manobra parlamentar” a moção de censura que o PCP apresentou em 2016 ao Governo Regional da Madeira: e-censura-ao-governo-regional-do-psdmade ira
http://www.pcp.pt/pcp-apresenta-mocao-d
Seri interessante ver o que diziam os partidos do governo de então sobre esses assuntos.
Seria. se não fosse tão previsível.
Em linguagem operária:
O PCP está a dar o “peido mestre”!
Haja alguém que faça oposição.
“Há dias a Ministra da Defesa da Holanda demitiu-se por causa de um acidente que vitimou dois soldados holandeses no Mali. ” Diga lá a sério: acha isto bem? É-me difícil de acreditar.