Nestas férias consegui ler onze livros – alguns deles muito bons. Nenhum, por sinal, do grande vulto da literatura portuguesa que, profundamente enojado com o País, admite rumar de vez ao Brasil e ficar lá para sempre, longe deste rectângulo que lhe garantiu (diz ele) um milhão de leitores. Mal empregada popularidade, recebida com tanto desdém e tanta sobranceria. Por uma vez, estou com José Saramago: que vá para o Brasil ou para Marte, tanto faz.
O vulto enojado
Pedro Correia,

Mas que vá mesmo.
11?! Sinto-me deprimida…desde a minha martona de 4 livros na semana do exame de geografia que ainda vou no 5!
Férias sem livros não são férias. Hei-de falar de alguns deles por aqui, Daniela.
Nãoi vai nada, que ele é lindo e tem quilos de charme! O que vos faz falar assim é a inveja!
Inveja, nós? Ele que vá e não volte, fique lá a ouvir uns ‘nocturnos’ de Chopin tocados pela MJP!!
A (a)balada de…
O vulto enojado
diz pretender abalar,
como é tão viajado
que faça por contemplar!
O povo brasileiro
não é dado a insolências,
que não continue foleiro
para evitar mais violências.
Pois por mim também pode ir à vontade, ele, a Maria João Pires e outros que venham com essa história de serem mal tratados em Portugal.
E que livros leste tu, Pedro? Fiquei curiosa.
Li o ‘Leite Derramado’, por exemplo. E gostei muito. De tal maneira que escrevi logo um texto sobre este romance (para mim o melhor do Chico Buarque) mal acabei de o ler.
Também já li esse, também já escrevi e também gostei 🙂 mas tenho um fraquinho por Budapeste
Acabei ontem o Barroco Tropical e, embora tenha gostado, o fim fez-me lembrar um outro do Nelson Motta. Já leste?
Esse não conheço. Outro romance que li nestas férias foi ‘Um Punhado de Pó’, de Evelyn Waugh, comprado na última Feira do Livro. Obra-prima. Gostei muito.
Outro sítio para onde o vulto enojado poderia ir, não vá dar-se o caso de já não haver vagas no Brasil, era para o raio que o partisse. Há, porém, um senão: o raio que o parta é um sítio tão frequentado que não deve quadrar aos requintados gostos desérticos do grande vulto.
Ivone Mendes
Tal como para a pianista Mª João Pires , só nos resta desejar “então muito boa viagem”.
boa viagem e poucos furos.
É inacreditável como a TVI continua a pagar a esse sujeito para lá ir todas as semanas debitar patacoadas sobre patacoadas, sem o mínimo estudo prévio dos assuntos acerca dos quais lhe pedem para botar sentença.
Só neste país de fancaria!
E de quem se trata(va)? as ligações já não funcionam ….
ALA.
É impressionante como os jornais e as plataformas apagam o seu espólio digital ao fim de poucos anos, impossibilitando os historiadores futuros de aceder ao acervo publicado e à celeuma que suscitou.
Há jornais, como ‘A Bola’, que o apagam em poucos meses,automaticamente. Sem deixar rasto. Tanto ao nível da opinião como da notícia ou da reportagem: é como se nunca tivesse existido. O que me levou há muito, por exemplo, a deixar de citar este jornal específico: da minha parte não levam cliques.
Este pormenor do rasto arquivístico, que nunca tenho visto referido pelos basbaques rendidos ao “monopólio do digital”, é um poderoso argumento a favor do velho jornalismo em papel, a qualquer momento consultável nas hemerotecas.
Quando houver um apagão cibernético à escala planetária, toda a memória destes anos frenéticos da teclagem digital se eclipsará. E um mundo sem memória é um mundo condenado à extinção. Porque só ela permite activar o nosso instinto de sobrevivência, sem o qual somos tão frágeis e desamparados como o primeiro homem no primeiro dia.
Devia ser o Viegas ou o Lobo Antunes. Por mim ainda estão a tempo.