O vírus do tempo


Sérgio de Almeida Correia,

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(imagem daqui)

Aquilo que por aqui ninguém queria voltou a acontecer. Ontem, ao final do dia, fomos confrontados com o aparecimento do 11.º caso do COVID-19.

Há quarenta dias que não tínhamos casos novos. Voltámos a ter.

De Aveiro às encostas do Douro, passeando pelo Porto, descendo até Lisboa, contactando com mil e uma pessoas. Quantos se terão cruzado com o vírus? Alguém sabe quem o viu? Antes ou depois das 21 horas?

A taxa de progressão do vírus é desabrida. Os nossos vizinhos e amigos têm a casa a arder; saem labaredas pelas janelas.

Há gente a morrer a um ritmo impressionante. Nem os tordos caem tão depressa.

E, no entanto, o nosso tempo continua lento.

O nosso tempo não consegue adaptar-se às necessidades de um combate de vida ou de morte. Temos de ter paciência.

Continuamos a viver com todo o tempo do mundo. Ao sol, olhando o infinito azul do céu, a brancura da nossa luz.

No meu país, o tempo não tem nada de democrático. Escolhe o seu próprio ritmo, que é o ritmo das instituições. 

No meu país, o tempo é suicidário, mas pleno de ternura, de carinho e de afectos. Por isso confiamos na Virgem.

Antes e depois da decisão.

Às vezes também sem decisão, no consenso dos dias.

8 comentários em “O vírus do tempo”

    1. E o Vorph a dar-lhe com o papel! Mas está assim tão difícil compreender?
      Faz todo o sentido e o senhor PM sabe muito bem o que está a dizer.
      Vejamos: que tempos vivemos? Caos, drama, horror, pânico, medo intenso. Ninguém discorda.
      Então o que na natureza humana emerge nestas dramáticas situações? Ora aí está, acertou.
      Este é o momento dramático,
      em que a verdade se apaga.
      Todo o cobarde faz força,
      e todo o valente se c(p)aga.

      Espero que tenha/m ficado esclarecido/s e deixe/m de panicar sobre o papel higiénico.

  1. “Continuamos a viver com todo o tempo do mundo. Ao sol, olhando o infinito azul do céu, a brancura da nossa luz.

    No meu país, o tempo não tem nada de democrático. Escolhe o seu próprio ritmo, que é o ritmo das instituições.

    No meu país, o tempo é suicidário, mas pleno de ternura, de carinho e de afectos. Por isso confiamos na Virgem.

    Antes e depois da decisão.” – Excelente, Sérgio. É o que sinto.

    Às vezes também sem decisão, no consenso dos dias.

  2. Eu não consigo perceber o seguinte: Se não devemos ir a correr para os hospitais e centros de saúde (o que tem lógica),a linha SNS 24 está sobrecarregada,onde fazem as pessoas infectadas o teste? Estão sempre a aumentar os casos.

    1. Julgo que, caso os sinais clínicos, que acompanham a gripe, sejam anormais (e anormais para o doente e não para os que se podem associar a uma gripe sazonal ; ex: eu, “engripado” , raramente fico com febre, raramente fico prostrado /sem apetite), então deve telefonar para a linha SOS24, que o deve encaminhar para um hospital. Se, em último recurso, for para um hospital deve ir de máscara e luvas.

  3. «Aquilo que por aqui ninguém queria voltou a acontecer. Ontem, ao final do dia, fomos confrontados com o aparecimento do 11.º caso do COVID-19.»
    Mas que rude golpe para os ainda insistem em “soluções miraculosas”…

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