O vídeo da polémica


Luís Menezes Leitão,

O vídeo de Centeno é um exercício normalíssimo de congratulação pelo fim de um programa de resgate que nunca mais acabava. Não deveria ter sido recebido com nada mais do que um simples bocejo. Que tenha irritado o louco Varoufakis que, se o deixassem, tinha incendiado a Grécia e por arrasto toda a zona euro, não espanta. Já espanta a quantidade de seguidores irresponsáveis que continua a ter nos partidos da geringonça em Portugal. Mas isso tem uma explicação: o que permitiu a construção da geringonça foi o ataque à ideia de austeridade virtuosa, ainda que Centeno se tenha sempre baseado nessa política. Vê-lo dizê-lo de forma expressa provocou o choque nessas almas sensíveis. Aprendam de uma vez que estão a apoiar um governo que executa rigorosamente uma política de austeridade. Por muito que Costa negue o óbvio e por muitas mascaradas que surjam nos orçamentos de Estado.

13 comentários em “O vídeo da polémica”

  1. O video de Centeno é como o prédio de Robles – monumentos a pífios “moraleiros”, que se revelam rasos troca-tintas. No Robles era a mana, no sr. Centeno era a “Europa”.

    Uma diferença porém – Centeno, na “narrativa” presente para os lorpas lusos, aquela do ‘virar a página da austeridade’ foi e ainda vai sendo uma especie
    de subsidio na “legitimidade” de acção governativa geringonça que calhou a Nação em sorte, que não em votos. Não por ser especialmente genial ou competente – a politica de “cativações” é uma especie de expediente de merceeiro ou tendeiro que prescinde de contabilidade a sério, que na sua transparência orienta em vez de ludibriar. Mas porque não recordo governo onde praticamente todos os outros ministros são reduzidos a “verbos de encher” – o que se poderia entender em alguns (Educação, Admin. Interna, Ambiente, Ensino Superior, Infraestruturas, Cultura..) porque coitados não conseguem mesmo ‘dar muito mais para a caixa’, mas custa mais em ministros como os da Justiça, da Saúde ou até mesmo o da Economia a quem se reconhece pelo menos competência e carreira professional sólida e que não precisam ser ministros “to have a life!”.

    Boa noite e boa sorte

    Jorg

  2. É a eterna, insanável dicotomia, que separa uns poucos da grande maioria:
    – não distinguir o explícito do implícito, o formal do substantivo, a letra do espírito, o acidental do essencial, o acessório do principal…, numa palavra, a treta da verdadeira política.
    E um povo assim é fácil de manipular.
    João de Brito

  3. Louca é a austeridade do “custe o que custar”. Se Varoufakis cometeu erros, foi em não se ter imposto ao traidor Tsipras.
    Porque será que, mesmo com a crise, países como a Alemanha ou os Estados Unidos tiveram um forte crescimento económico com Merkel e Obama, respectivamente? Porque não aplicaram austeridade nos seus países (apesar de Merkel defender a austeridade para os países do sul da Europa).

  4. Deixo o link do texto mais informado, esclarecedor e sensato que já li sobre o vídeo de Centeno.
    https://duas-ou-tres.blogspot.com/2018/08/o-video-de-centeno.html

    E um aclaramento que é preciso fazer sobre o conceito de austeridade, no contexto da crise da dívida e do défice por que passámos em 2011.
    Quando a austeridade é, para cada um, o que ele quiser, a discussão pública transforma-se numa cacofonia.
    https://www.dn.pt/opiniao/opiniao-dn/ricardo-paes-mamede/interior/austeridade-e-outra-coisa-9655122.html

    Eu sei que estes 2 textos não colherão por estas bandas a mínima aceitação, ainda assim, aqui ficam.

    :

  5. O comentador António está a revelar-se algo repetitivo. Falta de originalidade tão típica da escumalha reaccionária.

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