Face às especulações surgidas relativamente á questão orçamental, e sem embargo da reunião com o Grupo Parlamentar que terei na próxima 6.ª feira, cumpre-me afirmar o seguinte:
1 – O CDS votará o Orçamento de Estado considerando que Portugal não pode ter uma crise política que agravaria, ainda mais, a situação económica e social extremamente sensível que o nosso País atravessa.
2 – O CDS valoriza a estabilidade num momento especialmente critico para Portugal, dado que nos encontramos sujeitos a um Programa de Assistência Económica e Financeira da comunidade internacional. O CDS tem em atenção que Portugal depende desta assistência externa, de que é exemplo o financiamento que deverá ser aprovado na próxima semana.
3 – Esta mensagem destruir-se-á nos próximos 30 segundos.
O Presidente do CDS, Paulo Portas

Este comunicado constitui uma manobra de Portas para condicionar a priori o grupo parlamentar do CDS. Quando este se reunir com Portas amanhã terá que tomar decisões que não contradigam este comunicado já hoje tornado público por Portas.
“Este” propriamente não, Luís. O outro…
Sempre foi público que Portas nunca viu com bons olhos a intervenção da “Troika” em Portugal. É público que propôs a viabilização de um governo de coligação entre o PS, o PSD e o CDS, com uma maioria parlamentar assente na composição do anterior Parlamento, mas sem que os líderes desses partidos tivessem de estar no Governo. Tal Governo iria aplicar o PEC IV, evitando uma intervenção externa formal, e implementando as duras medidas desse programa e outras que eventualmente fossem necessárias.
Só que o PS estava agarrado ao poder e não quis deixar cair Sócrates (medida de higiene política essencial), o PSD estava com ambição de poder e queria eleições a todo o custo, e Cavaco estava interessado na sua reeleição. E assim Portugal perdeu quase um ano e muito dinheiro em juros, até chegar à bancarrota.
Antes “deslumbrado” com a “Troika”, agora Passos demarca-se, dizendo que foi o PS que negociou o acordo, quando foram AMBOS os partidos que levaram à situação que obrigou à vinda da Troika. Haja memória, senhores. Portas foi talvez o único que teve a consciência de como a situação podia ficar difícil e por isso não se armou em “carapau-de-corrida”. Hoje é claro que se não se fossem os graves constrangimentos ao financiamento da economia, há muito que tinha retirado o apoio ao Governo, por discordância com a política que está a ser seguida. Discordância que é legítima. Ou não é? O que é que está no programa do Governo? Não é difícil entender porque é que existem percepções diferentes entre quem vai ter de responder perante os eleitores e quem não vai ter de o fazer.
Será bom desfazer um equívoco: o “PEC IV” não era era um empréstimo: mesmo que tivesse sido aprovado sem problema não traria um cêntimo para Portugal, numa altura em que a assistência financeira era já inevitável.
O PEC IV não tinha mérito nenhum. O que é que o PS fez bem feito?
Em 2010 já se sabia que estávamos numa situação desesperada. Este imbróglio político, do qual os partidos e Cavaco são responsáveis, levou o país à bancarrota e ao consequente corte do “rating” para “lixo”. Foi-nos dada uma oportunidade para EVITAR uma intervenção externa formal e agora choram que é preciso mais tempo. Mas deram-nos tempo, há dois anos!! E o que é que se fez? Já nem falo nas eleições de 2009. Portugal PODIA ter evitado a ruptura financeira.
Exacto.
A questão fundamental é saber se Portas quer ser um partido de oposição responsável ou um partido irresponsável da coligação.
Meu Deus, mas nós estamos mesmo sujeitos a um programa de assistência económica e financeira? Tão porquê estamos agarrados aos tintns? Afinal quem está a ser assistido?
Portas deve explicar qual é a sua visão do orçamento, para nos convencer de suas boas intenções. De Passos nós já sabemos o que contamos. Mas Portas e os seus pares, será que são capaz de revelar-nos suas boas contas? O que foi que fizeram até agora?
Portas, através do silêncio, está a gerir o descontentamento. Não acredito no CDS.
Boas perguntas.
… “Esta mensagem destruir-se-á nos próximos 30 segundos. ” Rui com a mensagem não se poderá arranjar uma forma de se destruírem todos os nossos politicos , trapalhões e mentirosos?
Eu sei que seriam todos…
Talvez o anthrax…
o ponto 3 é mesmo verdade?
não queria ele dizer este governo destruir-se-à nos próximos 30 segundos?
Sim, é capaz de ter tomado a parte pelo todo.
…… 30 segundos devia ser o tempo de destruição desta cambada de loucos que nos [des ] governa …..!!
Sendo complacentes.
O grande problema do CDS é que se trata de um partido de sindicatos de voto, tal como o PCP, só que o segundo não quer chegar ao poleiro, pelo menos nunca em coligação (nem sequer com “Os Verdes”, digo eu). São partidos cuja retórica é muito direccionada para alguns nichos da sociedade, que são eleitores fieis. E, chegando ao poder, há que satisfazer esses eleitores, só que hoje em dia não há capacidade financeira para isso, logo não há possibilidade de cumprir certas promessas que não pareciam muito difíceis de implementar.
Acresce isto ao facto do CDS ser um partido bastante fraccionado ideologicamente. Se no PCP e no BE o debate interno é aquilo que se sabe e o PSD e o PS são partidos de massas, que discutem muito mais estratégia que ideologia, o CDS vive há muito anos com três correntes ideológicas distintas: A social democracia (a que chamam democracia cristã),o conservadorismo e o liberalismo. Paulo Portas consegue durar há tantos anos como líder o CDS porque, sendo, na minha opinião, um adepto do conservadorismo, consegue conciliar as diversas posições que, diga-se, na situação actual, deviam. se fossem coerentes, apresentar soluções bem distintas.