Irrita-me que Isabel Jonet fale dos desempregados como uma massa homogénea. Como se a situação de desemprego os tornasse uma categoria sociológica prontinha para lhe colocarmos um rótulo. Os desempregados são isto, os desempregados são aquilo. Ela, Jonet, que tinha obrigação de saber que todas as generalizações são, para quem se encontra especialmente fragilizado, especialmente odiosas. Irrita-me que Jonet atraiçoe aquilo que creio ser o princípio de qualquer voluntário: não julgar, estar sempre, estar apesar dos pesares. Irrita-me que Jonet fale como especialista em pobreza, em desemprego. O voluntariado é acção, não é sermão. Nem cátedra. Irrita-me que Jonet não perceba que o discurso não pode ser o mesmo quando o desemprego é de quinze ou de dezasseis por cento ou quando é de cinco por cento. Irrita-me que Jonet fale. Voluntariado é serviço. Porque sim. Mas não pode conferir um degrau moral a partir do qual seja admissível ditar sentenças sobre a miséria por muito que ela o seja de espírito. Perceberia que falasse para promover a acção do Banco Alimentar. Não percebo que fale para nos dar a conhecer a sua particular mundivisão. Que fale por falar. E que mais tarde ou mais cedo volte a falar. Sinceramente, creio que está na hora de Jonet se calar.
Concordo completamente consigo, Rui! Já chega, não?
Pois parece-me bem que sim, Isabel.
Quando chega Abril, uma pequena parte do país entra em parafuso, é o efeito Jonet.
Provocado pelas mentiras e delírios,que o 25 de Abril ainda hoje lhes provoca.
Uma espécie de febre dos fenos.
Nem mais, pois provoca-lhes lágrimas no olhos e muito muco, e atrofia óptica e mental.
Desde o dia de ontem, que constato um agravamento geral do mal.
A polinização é tramada.
No curso superior que frequentei mas não terminei uma das primeiras coisas que me ensinaram era não ser preconceituoso ou fazer juízos de valor acerca do próximo e azares dos azares os primeiros a ter essas atitudes eram os Professores.
A senhora Jonet pela posição que ocupa deveria saber e PRATICAR isso, o que obviamente não é o caso.
Infelizmente esta senhora Jonet é mais uma prova que não são os melhores que de uma maneira geral estão no topo de qualquer entidade mas sim quem não tem coluna vertebral, verdadeiros moluscos protegidos por uma qualquer casca seja ela conseguida de que forma for.
Esses azares dos azares são, infelizmente, muito frequentes.
Quer ela tenha disso noção, quer não, falta a Jonet aquilo que deveria nortear a acção de qualquer voluntário: o respeito ao próximo. E eu, como alguém que conheceu o significado de estar desempregado, agradeço e subscrevo as suas palavras.
Respeito é a palavra definitiva, Carlos.
concordo e acrescento : o B A que merece um grande apoio de todos nós, pratica uma das condiçoes básicas para merecer respeito no voluntariado – recebe 100 e entrega praticamente 99,99(os gastos são minimos) ,mas devia ajudar a praticar em todas as instituições e voluntarios com quem trabalha duma forma activa, o que não tem merecido da I. Jonet a devida e militante acção que mostra a dizer baboseiras que a diminuem. Parecido com esta tendencia para o protagonismo lembro-me de alguns que acabaram na politica (desejo que não seja o caso).
O “voluntariado” principalmente anglosaxonico paga aos “voluntarios” internacionais ordenados de 4 mil euros e “forma-os” em escolas de elite profissionais. Esperemos que os dadores em Portugal tenham consciencia do estado da arte e não se apercebam que do euro que deram só chegou 15 c ao necessitado que pensavam estar a ajudar.
Para combater isto é que a I J devia ser mais interventiva(eficiente claro).
Nestas matérias há pelo menos dois pontos que têm sempre de estar assegurados: respeito e transparência. Nenhum dos dois pode faltar.
“José Bancaleiro, director executivo da Stanton Chase Portugal, empresa especializada em recrutamento de executivos, sublinha a forma como, ao contrário do que pensa Isabel Jonet, as redes sociais facilitam a procura de emprego. “E a maioria dos empregos está nos portais electrónicos”, acrescenta este voluntário do Banco Alimentar, para quem O MAIOR INIMIGO DOS DESEMPREGADOS É MESMO A FALTA DE EMPREGO.”
(do link / jornal Público)
Inteiramente verdade. E o Linkedin é hoje uma ferramenta fundamental para identificar oportunidades e contactos profissionais.
As opiniões da Isabel Jonet, como as de qualquer pessoa, são discutíveis. Querer que ela deva estar calada, é que me parece um bocadinho exagerado. E achar que os desempregados passam a vida nas redes sociais para arranjar emprego, também.
De resto, a maioria das críticas que eu tenho visto às opiniões da senhora, não são ao que ela diz, mas ao que ela faz. O que é lamentável.
Subscrevo o que refere quanto às críticas ao que faz. Quanto ao estar calada, invoco a Lei de Newton: acção, reacção.
Mermão,
vai muito bem esgalhadito o texto. E essa recomendação para que ela se cale está muito bem vista num período de quaresma onde o jejum, que mais não é que também a mortificação da língua, é um convite a todos os prodigiosos bem-feitores e voluntários do bem do próximo.
Sob um ponto de vista tecnológico parece-me que a senhora Jonet está em modo de repetição, pelo que recomendo umas visitas assíduas às redes sociais e às informações na net no sentido de poder obter informação para corrigir este “bug” (insecto).
Numa época em que tanto se fala na necessidade de formação fico surpreso que pessoas como a senhora Jonet, uma empregada voluntária, não se dêm conta do quanto seria importante uma reciclagenzita para poder prosseguir a sua acção no mundo.
Todavia, querendo acompanhar a senhora Jonet na promoção da qualidade de vida dos desempregados, permito deixar-lhes aqui umas recomendações:
Continuem a navegar na net o tempo que entenderem necessário. Façam isto para evitar cair nas mãos de más companhias, para sublimar a vossa revolta, para sentirem-se acompanhados e, mais importante ainda, dizerem “estamos aqui” e “queremos mudar a nação”.
E sim, continuem em busca de emprego na net, pois é bem mais económico pesquisar anúncios na net que ter de comprar todos os dias jornais (e digo-vos PARA QUE DEDIQUEM INICIALMENTE pelo menos 2 a 3 horas/dia nesta tarefa, MAS ESTA PESQUISA DEVE ter também a vertente de buscarem INFORMAÇÃO, POR SECTORES DE ACTIVIDADE, sobre as empresas portuguesas e, depois de recolhida esta informação, ENVIAREM-LHES CANDIDATURAS ESPONTÂNEAS);
E sim, façam jogos na net e socializem, pois isso compensa-vos e proteje-vos dos olhares catonianos de vossos vizinhos, como a senhora Jonet;
E sim, usem as redes sociais para denunciar a podridão que vêdes e as políticas injustas de que também sois alvo.
Bem, espero com os exemplos aqui deixados ter proporcionado à senhora Jonet a necessária formação para comunicar com o mundo, sugerindo-lhe sempre, ao mundo, bons modelos de atitude.
Parecem-me excelentes conselhos.
O que de facto aconteceu?
Uma pessoa deu uma opinião não filtrada (boa, má, desinformada, estranha, iluminada??, não interessa). É só isso, uma opinião, nem sequer existe a generalização (massa homogénea) de que fala erradamente o post.
Reação :
a) Da ignorância – “que tinha obrigação de saber”, “discurso não pode ser o mesmo quando”
b) A irritação – “Irrita-me que Jonet”
c) A pureza – “O voluntariado é acção, não é sermão”, “Voluntariado é serviço”
d) A condenação – “creio que está na hora de Jonet se calar.”
2 – A reacção (que vou classificar como esquisito-patética):
“Não percebo que fale para nos dar a conhecer a sua particular mundivisão.”
Assim, de repente, se fazem uma pergunta (ou pedem declaração) à senhora, em princípio vamos sempre ouvir a “sua particular mundivisão”.
Suponho que isto se aplique mais ou menos a toda a gente (minimamente honesta).
Porquê a reacção?
A pessoa em questão não é de esquerda (e parece que é católica “cruzes canhoto”).
A pessoa em questão já disse coisas politicamente incorrectas.
A pessoa em questão não depende do Estado nem trabalha para o Estado.
Devia ser uma pessoa de esquerda a chefiar a organização que a senhora chefia.
Como evitar?
Responder sempre: “Quero o fim da fome no mundo, a paz entre todos os países e gostava de ajudar criancinhas com dificuldades.”
Pode-se alterar a ordem e/ou elementos da resposta (pode-se substituir criancinhas por desempregados) mas convém manter a orientação.
Em alternativa pode-se, com o dinheiro das contribuições, criar um gabinete de comunicação para gerir as declarações. Por exemplo:
“Quero o fim da fome no mundo, a paz entre todos os países e gostava de ajudar criancinhas com dificuldades.”
Nota: Não conheço a senhora de lado nenhum.
1- Sim, as opiniões deviam ser sempre filtradas à dimensão do que se pretende atingir e não pela dimensão pessoal, que limita e faz supôr que o mundo tem esse tamanho;
2 – Na impossibilidade de colocarmos filtros às nossas suposições a recomendação do silêncio é norma salutar;
3 – Tendo como objectivo a melhoria da qualidade de vida das pessoas, surpreende-me que não se use o protagonismo que é proporcionado por todos quanto facilitam sua acção voluntária (onde se inclui o alvo dessa acção) para convocar outros apoios no sentido de corrigir eventuais ou pontuais falhas;
4 – Aliás, a questão não se coloca sob os princípos de esquerda/direita, de católicos/não católicos, mas no facto de se dar porque se quer dar e não dar para nos transformarmos em modelo, só porque damos;
5 – Aprendi cedo o sentido da palavra gratuidade, e parece-me que há pessoas que querem fazer do gratuito moeda de troca. Nem que seja para comprarem o direito de dizer o que querem dizer.
1- “Sim, as opiniões deviam ser sempre filtradas.”
Cheira a censura, pelo menos auto-censura.
” à dimensão do que se pretende atingir”
É preciso sempre tentar atingir qq coisa quando se dá opinião?
Parece aquela tristeza macional do “não é o que ele disse é o que não disse…”, ” o que ele pretendia dizer é…” .
2 – “Na impossibilidade de colocarmos filtros às nossas suposições a recomendação do silêncio é norma salutar;”
Na impossibilidade de sabermos exactamente o que deve ser dito (politicamente correcto?), calar qq opinião.
Os pontos 3,4,5 não têm nada a ver com o facto de se dar opiniões ou não, nem sequer com a opinião da senhora . São, tal como o post , uma mistura de irritação, pureza e condenação.
Quando perdemos a capacidade de nos censurar admitimos todo e qq tipo de censura, venha de onde vier.
Se a opinião for um mero exercício opinativo ou se transformar numa oportunidade para preencher o vazio, então não há alvo a atingir. O que me parece não devia ser o caso da opinião da senhora Jonet, que estimo pela disponibilidade de serviço que revela.
Essa do que “não é o que ele disse é o que não disse…”, “o que ele pretendia dizer é”, que cola a uma tristeza nacional, revela-se na sua preocupação, que cito: “boa, má, desinformada, estranha, iluminada?? não interessa”
Não sei se reparou bem no sentido do texto. O mesmo não visava calar uma opinião, mas sim levar a opinar com sabedoria.
O seu último parágrafo permite-me dizer-lhe que procurei recolher mais informações sobre as declarações da senhora, procurando ver quais os motivos e as circunstâncias de suas declarações. E lá vi também que a determinada altura, noutras entrevistas, a senhora terá referido o exemplo de seus filhos no facto de lavarem os dentes com a água a correr.
E nesta pesquisa dei-me conta que o sentido de suas afirmações podem estar intimamente ligados ao facto de ser mãe.
E mãe refila que é mato. Mas mais, se o direito a refilar de uma mãe não estiver consignado (ironia e humor) na Carta das Nações Unidas tenho a certeza que ela usará esse mesmo direito por usucapião, o que se transforma em direito de aquisição.
Porém, a senhora devia reflectir a sua louvável dimensão de mãe associando ao facto de não ser genéticamente progenitora desses muitos. Significa isto que uma coisa é refilar-se quando se adquire o estatuto de mãe e outra é fazê-lo sem que as pessoas compreendam que é isso que quer ser em suas opiniões.
Neste porém espero ter dado resposta às suas afirmações sobre “a mistura de irritação, pureza e condenação”.
apesar de ver pontos que concordo no seu comentario chamo a atenção que a sra Jonet não pode ser olhada como a minha vizinha Maria que dá as opiniões que quer,mudo de opinião quando lhe apetece e não recebe criticas de quase ninguem por isso;pela simples razão que ninguem a conhece nem a vê como responsavel seja de que organismo for. Um ditado portugues diz que se não se quer ser lobo não se veste a pele. E ao contrario do que os jovens costumam acreditar, não é indiferente a roupa que se veste e o modo como os outros nos tratam,mesmo que dentro delas esteja uma pessoa estupenda – e acreditem, se não a conhecem ou o BA de dentro, que dentro desta palerma Jonet está uma empenhada voluntaria que dá muito de si pelos outros que mais precisam e faz com que os voluntarios que trabalham com ela se empenhem a sério. Mas isso não contradiz a falta de juizo em falar de coisas que qualquer mãe de dona de casa diz e tem todo o direito de dizer…mas a sra Jonet não é nem pode ser uma mãe qualquer, porque não é assim que as pessoas a vêm nem esperam isso dela.
Vejo que compreendeu, cristof. A senhora Jonet precisamente por não ser vista como a vizinha Maria recebe as reacções que recebe.
Exactamente por possuir o estatuto de mãe, agir como mãe e empenhar-se como mãe as suas críticas só fazem sentido quando confrontadas com o facto em si e a pessoa em si, mas sempre num ambiente de intimidade. E o risco de generalização, num momento em que existe mais de 1 milhão de desempregados (e não estou a ver que estes pudessem substituir sua situação por uma outra de voluntariado, porque o voluntariar-se é levar a alma, o todo de si e não uma forma para encapotar os olhares críticos de uma certa mundivisão), cuja grande maioria não se sente, e não é, apoiada pelo estado que devia representar a sociedade para dizer PRESENTE, fere sensibilidades, origina revoltas e expressa injustiça.
Com certeza que a net também pode causar seus malefícios, mas os riscos são os mesmos que os da vida no dia-a-dia. E aqui, mais importante que a crítica, é a informação.
Isabel Jonet, é daquelas pessoas que devia estar sempre de boca fechada porque quando a abre, ou entra mosca ou sai asneira. Seria melhor se fosse ela mesma, a dar o exemplo e a fazer aquilo que pede aos outros para fazerem. Assim não custa, os outros fazem e ela fala e quando fala é disparate na certa.
O VALOR DO SIlENCIO.
Isso mesmo. O Valor do silêncio, ou seja, mais valia estarem todos os comentaristas calados. Todos criticam, mas ninguém se chega á frente para fazer o que a Isabel Jonet faz, Há um pateta que chega a dizer: “…é católica “cruzes canhoto”. Mas que sentido de liberdade?
Eu sou católica e não digo de ninguem que o não seja, professe a religião que professar, seja ou não ateu o mesmo que este pretenso liberal comentarista diz.
Tenham juízo, já devem ter idade para isso.