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É um disparate considerar o jornalismo o “quarto poder”. Os jornalistas não exercem nenhuma função que possa equivaler-se aos poderes clássicos dos políticos que legislam, governam e definem as normas destinadas a ser aplicadas pelos magistrados nos tribunais.
Um jornalista só tem um poder ao seu alcance: o poder da pergunta. Cabe-lhe suscitar questões, desfazer dúvidas, interrogar-se sobre tudo quanto não sabe. O simples poder da pergunta, quando bem exercido, tem um inegável valor social, permitindo aferir o comportamento dos agentes políticos e sedimentar a cidadania. Naturalmente, as perguntas que se impõem só podem ser feitas em sociedades livres – por isso os sistemas ditatoriais elegem sempre os jornalistas como inimigos principais. Acertam no alvo ao proceder assim.
Infelizmente, muitos profissionais da informação demitem-se do seu direito – que é também um dever deontológico – de questionar os poderosos. É, de facto, uma missão muitas vezes incómoda – mas da qual nenhum jornalista digno da profissão que exerce deve demitir-se sob pretexto algum.
Há que continuar a interrogar, a interpelar, a questionar ministros, deputados, autarcas, gestores públicos, líderes partidários. Mesmo quando muitas portas se fecham nas caras, quando o assessor do assessor manda dizer que Sua Excelência não está, quando as ameaças de represálias surgem com a insídia recomendada nos manuais do ramo, há que continuar a fazer perguntas. Incomode-se quem se incomodar.
Este é o único poder dos jornalistas. E não se iludam: não existe mais nenhum.

Mas é claro, e por isso mesmo que-«Não é jornalista quem quer…» . Um jornalista tem de ser uma pessoa que não escreva apenas por escrever. Tem de ter vocação – Psicologia, humanidade, educação, boa formação, sentido de justiça, sensibilidade apurada etc…
O “jornalismo de cidadania” que se vê por aí, a galope nas redes sociais, pouco ou nada tem a ver com jornalismo.
Porque fazer jornalismo é fazer perguntas.
E a turba das redes já tem resposta para tudo. Não precisa de perguntar nada.
Como vão interpelar os poderosos se são eles que lhes pagam?!
Joāo de Brito
Os poderosos pagam? Pagam o quê?
Caro Pedro Correia, não houve os “Panama Leaks”, onde se prometeram revelações sobre quem, em Portugal, escrevia na imprensa a soldo de políticos e banqueiros?
Perguntar é direito e dever dos jornalistas. Prometer é um hábito, um tique e um vício dos políticos.
Não sei quem terá feito tal promessa. Parece-me muito mais coisa de políticos do que de jornalistas.
Os jornalistas, quando têm revelações, publicam-nas. Não as guardam no congelador. Se não for um a publicar, será outro qualquer.
O jornalismo faleceu.
Mantém-se a agência noticiosa e o opinionismo.
Em que jornal leu essa notícia do falecimento do jornalismo?
Se um jornalista for completo como se espera, educa o seu patrão, o que lhe paga, o poderoso ; e, logo a seguir, arranca-lhe o pagamento do ordenado à mesma , tem de saber dar-lhe a “volta”, estar num nível “acima”…
Um jornalista não tem que “educar” ninguém. Quem educa são os encarregados de educação.
Pedro,
Este texto tem um valor intemporal num mundo livre, mas reveste-se de particular importância nestes dias em que as consequências do caso Angola Leaks estão longe de chegar ao fim.
Gostava de ouvir comentários dos nossos governantes sobre as possíveis consequências, eventualmente irritantes, com que poderemos contar no nosso país.
Há imensas perguntas a fazer sobre Angola, Paulo. E serão feitas, estou certo disso. Custe a quem custar.
Aproveito o post para divulgar que o autor responde assim a quem o critica: a-5335940#comentarios
https://sporting.blogs.sapo.pt/la-como-c
Um alerta para todos os que seguem o blog e para os que estariam a ponderar comprar o seu livro.
Pior que um anónimo cobardolas só um anónimo queixinhas.
Falou bem: “Infelizmente, muitos profissionais da informação demitem-se do seu direito – que é também um dever deontológico – de questionar os poderosos”. Só que depois a lista que indica a seguir não está completa. O principal poder é o judicial.
E não é o poder da pergunta, é o poder de fazendo perguntas, investigando, etc, divulgar informação relevante e por vezes incómoda. E atendendo a que a opinião pública conta, isso faz com que sejam o 4º poder ou até outro superior.
Mas como já disse num dos seus posts, os jornalistas praticam a (auto)censura. Eles não divulgam o que tem relevante interesse público como devia ser, mas relevante interesse para eles! Assim eles manipulam e distorcem a realidade.
Além disso vemos que predominam os assuntos insignificantes e divertidos, é preciso manter o povo alegre e alienado.
Predominam os assuntos insignificantes para quem cultiva esse género de informação e estimula esse género de jornalismo.
As pessoas mais exigentes procuram e têm jornalismo ao nível dessa mesma exigência. Não vale a pena mencionar títulos de referência europeia e até mundial: todos sabemos quais são.