
Não era possível haver nada mais espantoso neste quadro de subjugação total dos países da União Europeia aos ditames do eixo franco-alemão que a apresentação por estes de um tratado orçamental que todos os outros Estados deveriam assinar. O tratado orçamental, ao reforçar a componente intergovernamental, viola claramente os tratados da União Europeia, tirando completamente o tapete à comissão, enquanto guardiã desses mesmos tratados, assumindo o cariz de um Diktat alemão. Não espanta, por isso, que o Reino Unido tenha decidido desde o início ficar de fora, por muitas críticas que a atitude de Cameron tivesse merecido. Depois a República Checa, talvez recordando a submissão de Bénes aos acordos de Munique, também veio dizer que não aceitava esse tratado. Agora é a Irlanda, país submetido à “ajuda externa” mas que muito valoriza a sua independência, conquistada à custa de muitos sacrifícios, que vem sujeitar o tratado a referendo, onde obviamente não passará. Já a atitude de Portugal é elucidativa. Primeiro aboliu os feriados nacionais que comemoravam a independência do país e o regime republicano, para que ninguém continuasse a pensar que ainda vivia num país soberano. E agora vai dar o seu acordo de cruz a este tratado orçamental. A questão é que, como refere aqui Wolfgang Münchau, esse tratado na melhor das hipóteses é desnecessário e na pior é altamente perigoso e até pode levar a uma explosão da dívida na zona euro. A meu ver, o tratado ameaça mesmo destruir toda a estrutura laboriosamente construída que tem servido de base à União Europeia. Durante quanto tempo continurão os líderes europeus a brincar com o fogo?

Primeiro aboliu os feriados nacionais que comemoravam a independência do país e o regime republicano, para que ninguém continuasse a pensar que ainda vivia num país soberano.
Segundo, e para confirmar que não é um país soberano, Portugal pediu licença a uma potência estrangeira, o Vaticano, para abolir outros dois feriados nacionais, colocando-se totalmente à mercê dos caprichos e humores dessa potência estrangeira.
É que os feriados não eram do Estado…eram da Igreja! Por isso as partes tinham que ceder em partes iguais. Percebe a ideia? E assim será sempre que se quiser fazer mais alterações aos feriados.
Só assina quem quer. A Irlanda faz muito bem.
Quanto a Portugal que entrou por dinheiro – se não receber dinheiro os Alemães ou quem for o rico do momento passam a ser xenófobos – pode ser sempre comprado.
A Europa tem que caminhar para mais integração (a alternativa é caminhar no sentido oposto, porque a situação actual é insustentável). No entanto, este não é evidentemente o caminho.
Por outro lado, afigura-se muito difícil um caminho alternativo, dado o pouco entusiasmo generalizado com o projecto europeu.
Em suma, trata-se de um imbróglio para que não vejo uma solução positiva à vista. O que é muito perigoso…
O Governo não faz nada, de facto. Mas, sejamos francos, poderia/deveria fazer muito mais, tendo em conta o paciente delicado que tem em mãos?