O Torgal Ferreira


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O Torgal Ferreira manda umas bocas aos homossexuais e a esquerda homofílica cala-se. Diz que os acusados (sejam lá do que sejam) têm de provar que estão inocentes e a malta cala (o provedor dos advogados, um advogado não castrado como perorou recentemente, fica-se no silvo do eunuco). E de novo vem vituperar o governo e apelar a manifestações (“ai se me pudesse manifestar”, geme) de rua? Torgal Ferreira é general, e nessa condição diz o que quiser sobre os homossexuais e diz o que quiser sobre o sistema jurídico? Talvez. Mas quando critica publicamente o governo e apela a manifestações de rua o que se deve fazer? Voz de prisão, sem mais nem menos. Só a cobardia acossada de um sistema político degenerado permite isto.

 

Não, não, dizem os hipócritas dos argumentos a la carte, não é general, é “apenas” um bispo equiparado? Chame-se o Núncio Apostólico, em explícita linguagem diplomática, e ponha-se o vate em ordem – numa qualquer paróquia argelina ou saudita. E, já agora, acabe-se definitivamente com a pantomina (Inconstitucional? Ridícula.) do “capelão das forças armadas”. E quando os beatos da “tradição católica”, do “santo padroado” vierem resmungar com isso, responda-se-lhes, apenas, “torgal”. Será argumento suficiente para acabar a discussão. Que nem sequer o merece ser.

12 comentários em “O Torgal Ferreira”

  1. A esquerda raramente exige a si própria aquilo que exige à direita com tanta veemência. O comportamento do bispo Torgal Ferreira foi inaceitável, convenha ou não à esquerda e logo num tema que lhe é tão caro: a liberdade das opções sexuais.

    1. Concordo com o que diz. Ainda assim para mim, o mais relevante de todo o “affaire” Torgal Ferreira (e talvez por eu não ser de esquerda) é a inadmissibilidade das suas constantes declarações públicas sobre o governo. O resto mostra a pequenez intelectual do indivíduo, isto é um atentado à ordem pública (política).

      1. Para mim, pelo contrário, o mais relevante em tudo isto não é a questão política. O que mais me impressiona é a pequenez moral (mais ainda que a intelectual) e a intolerância de um bispo (!) no julgamento de outrem. O que me parece é que este homem tem demasiados ódios para ser um representante de Deus.

        1. Faço-me entender, que me terei explicado mal: da pequenez do homem (moral ou intelectual é questão que não consigo abordar, ainda para mais nos limites dos comentários) nem a contesto. Mas é coisa generalizada, não vai ele sozinho. Mas é com toda a certeza o único general que anda perorando publicamente contra o governo (e em tom incendiário). E nisso vai sozinho. E ilegal. É essa a minha questão.

          Quanto à sua legitimidade como “representante de Deus” não opino, descreio na entidade. Respeito os crentes e defendo a liberdade de culto. Mas não direi quem deve ou não representar ou conduzir as suas instituições. Apenas digo, como capelão das forças armadas deveria ir preso. E demitido e despromovido o cemgfa que aceita este trauliteiro a acicatar-lhe as tropas.

          1. De acordo, jpt, eu percebi o que quis dizer e dou-lhe inteira razão. Como general com responsabilidades nas forças armadas, o que ele está a fazer é incitar os militares a uma rebelião. E isso é perigoso e ilegal.
            Também não me arrogo o direito de escolher os representantes de Deus, apenas digo que não deve ser alguém que não demonstra ter um pingo de tolerância ou de compreensão cristã para com os outros.

          2. (pois, aqui entre nós, que ninguém nos ouve, também me parece um bocado estranho que seja este tipo de gente a arvorar-se em pastor de almas. Mas, confessemos, não é o primeiro desajustado às funções. Nem o último.)

  2. Se o Estado é laico, como se compreende um bispo católico, graduado em major-general, 4700 € mensais, mais mordomias inerentes? Porque não um iman, um rabi, um pastor evangélico, um bispo da IURD? É que ainda por cima, este tem um feitio danado e morde sem desprimor a mão que o alimenta!!! É boçal, rude, arrogante e sempre ansioso de acender o fósforo da fogueira do auto-de-fé…Porque temos de o aturar e pagar o seu principesco ordenado?

    1. Grato pelo seu comentário. Em meu entender poderia ser o mais santo dos homens mas na sua condição “militarizada” dever-se-ia conter na expressão política. Quanto ao ordenado (nem sabia o montante), oficial-general deve ser bem pago. E 940 contos não me parecem ser demasiados (para aí metade do que ganhará um suplente do Moreirense, mas isso é outra coisa).

  3. Se um militar critica publicamente o governo, deve receber voz de prisão. Claro o militar é português de segunda mesmo que seja bispo e fale pelos que não podem ter voz. Aos militares, para além da sujeição a especiais deveres, são subtraídos direitos de cidadania conferidos aos restantes cidadãos (incluindo os funcionários publicos), nomeadamente: (disponibilidade permanente para o serviço, i.e., mobilidade sem quaisquer restrições, sem direito a horas extraordinárias, e a fazer greve). E, para além disso, são impostas restrições no âmbito mais vasto dos direitos, liberdades e garantias – limitações aos direitos de: liberdade sindical, expressão, reunião, manifestação, petição coletiva, capacidade eleitoral passiva, representação coletiva no foro judicial. E agora devem ser tratados no activo e na reforma como se não vivessem com estas limitações? trata-se de forma igual o que é diferente? não deviamos refletir um pouco sobre a justiça destas decisões do governo?

    1. Obrigado pelo comentário. Desculpar-me-á a discordância mas não posso concordar consigo quando encontra neste meu texto a opinião de que os militares são portugueses de 2ª (já agora, e ainda que isso não seja absolutamente relevante, mas sê-lo-á em parte, a minha família materna tem militares desde esta até à quinta geração ascendente. E lá em casa não somos de 2ª, mas gente média, como os outros).. O que está explícito no nosso ordenamento é que os militares estão convocados a uma grande parcimónia na expressão política pública – é uma herança do regime democrático, civilista. Sim, com o tempo talvez isso possa ser mitigado. Mas ainda hoje se nota que, consoante a “cor” política do militar mais ou menos tonitruante, se apela a essa restrição. Quer-se mudar isso? Discuta-se. Mas não ao sabor da verve de um homem como este.

      Quanto à sua restante argumentação sobre os constrangimentos sobre a expressão pública militar (todos eles discutíveis, e reformuláveis, como acima sublinho) não percebo bem o conteúdo do seu comentário. Parece-me que os imputa a decisões deste governo, e questiona a justiça destas. Mas elas não foram originadas neste governo, estão na génese da nossa democracia.

      Sobre o situação no activo e na reforma aí parece-me que percebo. Têm exactamente as mesmas obrigações, ou devem ter. A partir do (inaceitável) momento em que os reformados Jaime Neves e Otelo Saraiva de Caravlho foram promovidos (uma patética salomónica decisão) todo o “contingente” reformado foi encapsulado num limbo activo. Não me parece que se tivessem levantado contra o folclore então realizado. Então sofram os lógicos efeitos.

  4. “O Torgal Ferreira manda umas bocas aos homossexuais e a esquerda homofílica cala-se. “

    É preciso perceber a esquerda no que ela é: uma máquina de conquista e manutenção do poder.
    A esquerda só fala ou protesta se o caso a ajudar nesses objectivos.

    1. sim, não se caia no erro de moralizar a “esquerda” (mesmo aceitando, o que não cabe em todos os postais escritos, a pluralidade nessa “esquerda”). Mas muito discurso moralista produz(em), como tal a minha resmunguice.

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