Terça-feira de Carnaval. Um termómetro partido na madrugada deu o primeiro sinal de que a gripe entrara lá em casa disfarçada de Rei Momo.
Manhã alta dirijo-me à farmácia de serviço mais próxima. A fila é longa. Conto 17 cabeças à minha frente. Para nos atender, apenas um funcionário. Interrogo-me porquê, mas não obtenho resposta plausível. Preguiçosamente, acompanhando a dolência da manhã, a fila vai-se encurtando à minha frente e alongando na cauda. Começo a ficar impaciente. Para me distrair, vou espreitando as compras dos que me antecedem. Assusto-me quando vejo que o primeiro a ser aviado leva nada mais nada menos do que 13 medicamentos. Os seguintes variam entre as três e as 10 embalagens. Muitas delas são embalagens grandes que não serão consumidas até ao fim. O seu destino será, muito provavelmente, o caixote do lixo. Associo a dinheiro deitado ao lixo. Num país com dois milhões de pobres podemos deitar dinheiro ao lixo? A indústria farmacêutica pensa que sim, porque o caixote do lixo desagua nos seus cofres.
Chega finalmente a minha vez. Eu só quero um termómetro! Mas tive que aguentar estoicamente numa fila, durante duas horas e meia, para o poder adquirir. Porque termómetros, em dia feriado, só mesmo em farmácias…

Termómetro partido, daqueles antigos de mercúrio?
Exactamente, Patti. Um dia destes, o João ou o Pedro vão mostrar-nos aqui um, já que agora se tornaram peças de museu.
Patti e Carlos, fiz um «passado presente» com um tradicional termómetro clínico de cristal e umas pepitas soltas de mercúrio. Cheguei até a alocá-lo, mas retirei-o logo: convenhamos que não são as imagens mais atraentes…
Foi assim que me fiquei pelos compassos e tira-linhas mais acima. Espero que agradem.
Ah e onde foi que vocelência deitou o termómetro fora, hein?
Os termómetros não se deitam fora, Patti! Entregam-se nos locais apropriados. Neste caso, na farmácia.
Pensava que o tinha atirado para o caixote do lixo ou pela sanita abaixo, era?
Ahahahahah, estava a ver se o apanhava em falso e lá levava com outra contra-ordenação e das pesadas!
Não sei se sabe, que também se pode deitar o mercúrio dos termómetros nos ecopontos para pilhas.
Pensava que um ambientalista empedernido como eu falhava essa? Nos pilhómetros só ponho pilhas e, confesso, não sabia que lá se podia colocar mecúrio. Sim, essa falhei.
TREZE medicamentos?? Isso dá azar!!
As gripes andam por aqui também, a rondar…
Que tudo tenha acabado pelo melhor, Carlos…
Foi apenas uma ameaça, Cristina. Obrigado pelo cuidado.