Há casas que nos marcam. Outras, nem tanto. Vá-se lá saber porquê, a casa do meu Pai marcou-me muito. Tal como a dos meus avôs.
Há dias fui à Baixa que, para mim, está irreconhecível. Desapareceram lojas que eu conhecia, apareceram outras que nem suspeitava que existissem naquelas bandas e mantiveram-se umas quantas que perderam muito do atractivo, do cheiro, da magia que antes possuíam.
As velhinhas retrosarias, algumas leitarias, umas poucas sapatarias ainda lá estão. Mas o que há trinta anos era chic apresenta, agora, um ar deslocado de loja de província.
Parei na Rua de S. Julião, onde vivi dos doze anos até à maioridade. O prédio e a placa evocativa de Chaby Pinheiro ainda lá estavam. Algum comércio também. Mas tudo parecia diferente. Não porque tivesse mudado a arquitectura. Mas porque o aspecto exterior envelhecera e, sobretudo, o meu olhar já não era o mesmo.
É verdade que o passado muda muito, quando visto com os olhos do presente…


o que há trinta anos era chic apresenta, agora, um ar deslocado de loja de província
São os efeitos da maldita lei do arrendamento, que aliás o atual governo pretende prolongar ainda mais.
E, se este aspeto choca a Helena, que é portuguesa, muito mais choca os estrangeiros que vêem visitar Lisboa e ficam espantados com o aspeto provinciano e antiquado das lojas do seu centro.