O tempo da guerra


Maria Dulce Fernandes,

O tempo é um tirano, mas é certo que tudo cura e tudo ameniza. Falo no “bom tempo”, aquele que nos enche sempre as medidas mas não enche albufeiras nem barragens. Porque nisto de tempos há uma dualidade de imprevisões e o contraponto nem sempre é muito agradável, é bom referir que o mau tempo tem notas negras bastante positivas. 

Que a história se repete, não é novidade, nem que as recorrências sejam aprazíveis.

No que toca a condições atmosféricas nem sequer é premonição, é um facto que, neste caso particular, acontece na Primavera e no Outono, todos os anos de todos os séculos.

Regressa sempre com as chuvas, com os degelos e com espírito de César. Chega, vê e vence.

Que o digam Napoleão e Hitler.

Esperemos que ao Psicopata Russo também lhe faça bom proveito.

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Salmos 73:18-20 – Na verdade, tu os colocas em terreno escorregadio e os fazes cair na destruição…

 

Rasputitsa. Imagens do Google.

11 comentários em “O tempo da guerra”

  1. « Paro e não faço nada. Nada acontece. Não penso em nada. Ouço
    o passar do tempo.
    O tempo é isso. Familiar e íntimo. Sua força nos arrasta. A
    sucessão de segundos, horas e anos nos projeta na vida, depois
    nos arrasta para o nada… Vivemos nele como peixes na água. O
    que somos, somos no tempo. Sua cantiga alimenta, descortina
    o mundo, perturba, assusta, acalenta. O universo se transforma
    levado pelo tempo, segundo a ordem do tempo. »
    Carlo Rovelli in A ordem do tempo

  2. Porque é que o mau tempo está sempre ligado a temporais com cheias e nunca a grandes estios com altas temperaturas e secas.
    Pois houve o dilúvio, mesmo que no deserto da Judeia não chovesse anos a fio.

  3. Os três tempos da guerra são distintos antes, durante e depois de a viver.
    Os da minha geração que estiveram na guerra do ultramar ou colonial como quer que se diga, suportaram a de guerrilha sem horas marcadas para combate, mas com a emoção de a qualquer momento, dentro do acampamento ou na picada se ouvirem sons de espingardas ou morteiradas.
    Hoje tudo gente na casa dos 70 e muitos anos ou mais, creio que a exemplo do que acontece comigo, ainda se sofre mais com a recordação de situações pouco confortáveis por que passamos, do que as realmente vividas em ambiente de perigos vários, mas de sã camaradagem.
    Ainda hoje sonho acordado e aflito com a visão de um leão enfurecido saído do capim.
    Sobra a convicção de que a convivência saudável com os naturais das zonas que nos calharam em sorte, deixaram em todos de cá e de lá o sentimento do dever cumprido tanto pelo acolhimento como pela boa consciência da nossa entrada.
    Terá sido por lá connosco que o 25 de Abril da liberdade começou a florescer.

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