Não sei se acontece o mesmo convosco. Por mim, começo a ficar um pouco cansado das constantes aparições televisivas do director-geral da Saúde, Francisco George. Pensava eu que um director-geral era um funcionário administrativo de topo, que não define orientações políticas e se limita a ser o primeiro executante das orientações políticas definidas superiormente. Pensava eu que se tratava de uma figura mais adequada aos bastidores do que à ribalta. Pelos vistos, pensava mal. Porque com Francisco George tudo acontece ao contrário: o palco é dele, dia após dia. Ainda ontem perorou nos telediários, com a ministra Ana Jorge ao lado: a titular da pasta da Saúde mal abriu a boca enquanto ele falava pelos cotovelos, bem ao estilo a que já nos habituou.
Não conheço nenhum outro director-geral que se comporte assim. Não conheço nenhum outro director-geral que tenha mais tempo de antena do que a esmagadora maioria dos secretários de Estado e até do que muitos ministros. Não conheço nenhum outro director-geral que consiga ter mais protagonismo mediático do que quem detém a respectiva pasta ministerial. Percebo que a contínua exposição de Francisco George até seja útil a Ana Jorge, permitindo-lhe poupar-se a algum desgaste no dia-a-dia. Mas é tempo de as hierarquias serem reavaliadas e de se fazer esta pergunta: se o actual director-geral é assim tão imprescindível no espaço público que tal ser promovido a ministro?


E aquele ar de água lisa-de-nascente com um toque de engarrafado-gaseificado…
.. entendo Pedro, e não deixo de pensar que toda a exposição mediática que tem hoje pelo assunto sobejamente conhecido ter-lhe-ia certamente sido muito mais útil enquando funcionário da OMS a operar em territórios tão complicados quanto os que contaram com ele durante anos a fio.
(já se percebeu que admiro o Senhor, certo? .. claro, claro)
🙂
Partilho da mesma opinião, Catarina. No início também não ia muito à bola com ele mas ,quando conheci o seu percurso de vida e soube que era um técnico muito bem cotado internacionalmente, pelas suas qualidades profissionais e humanas, mudei de opinião.
Pedro, isto não tem nada a ver: a que horas é o jantar?
20.30
Amen. Eu também.
– Será das pilosidades, ou do excesso de mediatização e de lugares comuns?
Mas vendo bem, não sei, não.
Porque num país onde o PM chama a si todas as declarações e mais algumas; onde a Ministra da Saúde só fala de Gripe A e népias quanto aos dossiers de fundo sob a sua tutela, alguns deles bem relevantes para todos nós; onde alguns S.E. falam que se desunham, enquanto a outros nunca lhe ouvimos o pio;
O organigrama (dinâmico) do Governo é algo que desafia qualquer legítima convicção sobre os chamdos princípios de organização de Estado.
Para já, para já, o super DG precisava de um aumentozito para poder tratar da imagem 🙂
Abra-se já uma subscrição.
Para esse peditório não dou. Hehe…
Pedro, subscrevo na íntegra. Too much limelight.
Não concordo, de forma nenhuma.
A ministra é a ministra, ela é quem manda. Não é necessariamente a porta-voz.
A ministra tem todo o direito de escolher quem é o seu porta-voz para um qualquer assunto. Se ela nomeia e autoriza George como seu porta-voz, ele tem toda a autoridade para falar. Como se fosse ela.
É um vício dos jornalistas portugueses, este de pretenderem sempre correr atrás do chefe máximo de uma organização, em vez de aceitarem que essa organização pode, e até deve, ter diferentes porta-vozes para diferentes assuntos.
A partir do momento em que a ministra delega no sr. George a tarefa de botar faladura (e até mesmo a tarefa de tomar decisões), os jornalistas e tutti quanti devem aceitar essa delegação.
Se o sr George errar, então caberá, naturalmente, à ministra corrigi-lo.
Consigo aprende-se sempre alguma coisa. Então um director-geral deve funcionar como «porta-voz» do respectivo ministério? Olhe que, se fosse verdade, seria uma boa notícia para o ministro das Finanças, que tem de gerir o Orçamento de Estado – e sobretudo para os contribuintes portugueses. Poupava-se vencimento em assessores, adjuntos, ‘porta-vozes’ nominais – e, já agora, poupava-se também no vencimento dos próprios ministros. Um simples director-geral bastaria para exercer a função e ser o rosto visível do ministério.
O único director-geral que teria direito ao despautério referido é o dos espectáculos…
Não te passa nada. Hehe…
Especialmente “passar” diariamente pelo melhor blogue da bloga.
A propósito de melhor… como é que vai o melhor investigador de História por terras açorianas?… querem ver que se deve escrever açoreanas… hehehe
e’ competente, dedicado,empenhado, oportuno?
se e’, so’ me conforta e da’ orgulho.