O sortilégio da literatura


Pedro Correia,

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Estas coisas nunca acontecem exactamente como as planeamos – aliás, os imprevistos fazem parte do fascínio da leitura.

No final do ano passado tracei um objectivo para 2014: só leria de Janeiro a Dezembro livros da autoria de escritores galardoados com o Nobel. Defini esta meta após concluir que apenas conhecia, enquanto leitor, menos de um terço desses autores: era uma lacuna que urgia colmatar.

 

As coisas correram como planeei, mas só em parte.

Este desafio que lancei a mim próprio foi-me útil, sem dúvida. Li pela primeira vez obras destes 11 escritores que receberam o Nobel: Pär Lagerkvist (vencedor em 1951), Juan Ramón Jiménez (1956), Günter Grass (1999), Anatole France (1921), Luigi Pirandello (1934), Kenzaburo Oe (1994), Ivo Andric (1961), Naguib Mahfouz (1988), Mikail Cholokov (1965), William Golding (1983) e Yasunari Kawabata (1968). Além disso li ou reli romances, novelas ou contos de outros escritores também galardoados com o Nobel mas cuja obra já conhecia: José Saramago (distinguido em 1998), François Mauriac (1952), William Faulkner (1949) e Ernest Hemingway (1954).

 

Mas a dada altura quebrei a regra que impusera a mim próprio. E acabei por alterar o plano inicial, mudança de que não me arrependo. Como poderia? Sem ela, neste ano que agora acaba não me teriam passado pelas mãos livros de Chesterton, Cortázar, Jack London, Simenon, Ray Bradbury, Joseph Roth, Conrad, Cardoso Pires, Remarque, Rubem Fonseca, Graham Greene, Jane Austen, Virginia Woolf, Scott Fitzgerald e John Le Carré, entre vários outros.

Livros de autores que não se cruzaram com o Nobel, mas que contribuíram para prestigiar, dignificar e engrandecer a literatura. E que, à distância de décadas ou de séculos, mantêm o condão de nos emocionar, de nos dar asas, de nos rasgar horizontes, de nos ensinar a decifrar as encruzilhadas do mundo ou os abismos da alma humana.

 

Nunca considero perdida qualquer parcela do tempo que dou por mim rendido, enquanto leitor grato e arrebatado, ao infindável sortilégio da literatura.

16 comentários em “O sortilégio da literatura”

  1. Pedro,

    tem de ler ou reler John Steinbeck, em particular o livro “Bairro de Lata”.

    Sim, é o autor das “Vinhas da Ira”. Também foi nobel.

  2. só li três autores galardoados. Comecei a ler um quarto há uns anos e ainda não acabei. Era (é) chato. Eu que sempre digo que a 6a arte deveria ser sem dúvida a primeira, tenho No meu to C erca de meia dúzia da livros chatos. Só dois não consegui acabar ainda. Vai ser a minha resolução para 2015. Vamos lá, Dulce , que só faltam 500 páginas… Resolvi deixar de fumar há 6 anos e mantenho a minha resolução até hoje…. Foi sem dúvida menos penoso do que será acabar o raio do livro.
    Felizmente espero que as pistas que eu deixei sobre presentes que me querem dar, tenham sido suficientemente claras… 🙂

    1. Olá, Maria Dulce!
      Deixou-me curiosa, não quer especificar?
      E só leu mesmo três? É que até há autores muito bons entre os galardoados, embora o Nobel não seja garantia de nada…
      Beijinho e Feliz Natal, com muitos livros no sapatinho.
      🙂 Antonieta

      1. Diego & Frida é muito chato. Não tem 500 páginas, mas parece ter mil. O Horizonte, não acabei também.
        Agradeço o seu comentário, porque me permite corrigir um erro : referia-me a vencedore do Nobel no séc. XXI , dos quais só li realmente 3 .
        Escrever à pressa e não rever, nunca dá bom resultado.
        Obrigada, Antonieta. Festas Felizes

        1. Comigo literatura e sofrimento não combinam: ler rima sempre com prazer. Os livros chatos, intragáveis, são postos de parte. Ficam marginalizados sem remissão. Condenados ao esquecimento.

  3. Pedro, gostei em particular de ver que descobriste o Nobel de 1988, um dos meus heróis. Abraço

  4. 2014 também foi para mim um ano de muitas leituras, muitas por sugestão do Pedro.
    Dos Nobel descobertos este ano destacaria Pirandello, Canetti, Dario Fo, Lagerkvist, Prudhomme, Tranströmer, Andric, Sillanpää, Gabriela Mistral, Nelly Sachs, Sigrid Undset e Knut Hamsun.
    Foi também o ano da descoberta da literatura norueguesa: além dos já mencionados Undset e Hamsum, destacaria Kjersti A. Skomsvold (Quanto mais depressa ando, mais pequena sou) e Karl Ove Knausgård (A morte do pai).
    Feliz Natal, Pedro, com muitos e bons livros!
    🙂 Antonieta

    1. Não consigo acompanhar o seu ritmo, Antonieta. Mas continuarei a tentar.
      Canetti é uma das minhas apostas para 2015, em que vou revalidar o objectivo traçado para 2014: aprofundar o conhecimento da obra de autores galardoados com o Nobel.
      São pequenos truques que nos ajudam a aumentar o leque de leituras. Comigo pelo menos funcionam. Partilho-os na esperança de que possam funcionar com outros também.
      Desejo-lhe um Natal quentinho e com bons livros sempre à mão.

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