A incursão de Krugman em território português parece ter constituído, para muitos, uma tremenda desilusão. Habituados a invocar o seu pensamento económico como justificação para políticas de estímulo artificial da procura por via do endividamento do Estado contra toda a racionalidade, os argumentos dos arautos domésticos dessa abordagem foram desmistificados, olhos nos olhos, pelo próprio nas intervenções que fez nos últimos dias. Todavia, e ao contrário do que decorre da 1ª página do SOL de hoje, não houve qualquer inflexão recente no discurso de Krugman, nem qualquer influência de Passos Coelho sobre as posições do Prémio Nobel da Economia. Por exemplo, est post publicado em 23 de Fevereiro deixa bem claro que as propostas de Krugman não se dirigem, nas actuais circunstâncias, aos países periféricos e sobreendividados da Zona Euro. Aliás, a necessidade de desvalorização de salários como forma de recuperar a competitividade é algo que Krugman tem defendido ao longo dos últimos dois anos. Bem significativa desta perspectiva e do sentido do que defende é a afirmação feita em Portugal de que não será necessário atingir o nível dos salários chineses (sublinho isto para atalhar alguma interpretação que recorra a conceitos como salários nominais e inflação). A importância de deixar claro que Krugman não defende agora algo de diferente do que vinha fazendo há anos está em chamar os boys pelos nomes. Aquilo a que assistimos nos últimos tempos foi à invocação do argumento de autoridade de forma descontextualizada e abusiva como meio para justificar políticas desbragadas que contribuíram para cavar o buraco em que nos encontramos. Portugal tem duas soluções. A saída do Euro ou o cumprimento da austeridade que nos é imposta. Aos portugueses e ao governo que os representa cabe escolher o caminho. E, depois disso, assegurar uma repartição eticamente aceitável dos sacrifícios que qualquer das soluções implica. Prometer mais do que isso, invocando Krugman, Schumpeter ou o Bruxo de Fafe não é mais de que insistir no caminho da desonestidade intelectual. Na senda do pensamento mágico que, em boa medida, nos trouxe até aqui onde estamos.O SOL errou
Rui Rocha,
A incursão de Krugman em território português parece ter constituído, para muitos, uma tremenda desilusão. Habituados a invocar o seu pensamento económico como justificação para políticas de estímulo artificial da procura por via do endividamento do Estado contra toda a racionalidade, os argumentos dos arautos domésticos dessa abordagem foram desmistificados, olhos nos olhos, pelo próprio nas intervenções que fez nos últimos dias. Todavia, e ao contrário do que decorre da 1ª página do SOL de hoje, não houve qualquer inflexão recente no discurso de Krugman, nem qualquer influência de Passos Coelho sobre as posições do Prémio Nobel da Economia. Por exemplo, est post publicado em 23 de Fevereiro deixa bem claro que as propostas de Krugman não se dirigem, nas actuais circunstâncias, aos países periféricos e sobreendividados da Zona Euro. Aliás, a necessidade de desvalorização de salários como forma de recuperar a competitividade é algo que Krugman tem defendido ao longo dos últimos dois anos. Bem significativa desta perspectiva e do sentido do que defende é a afirmação feita em Portugal de que não será necessário atingir o nível dos salários chineses (sublinho isto para atalhar alguma interpretação que recorra a conceitos como salários nominais e inflação). A importância de deixar claro que Krugman não defende agora algo de diferente do que vinha fazendo há anos está em chamar os boys pelos nomes. Aquilo a que assistimos nos últimos tempos foi à invocação do argumento de autoridade de forma descontextualizada e abusiva como meio para justificar políticas desbragadas que contribuíram para cavar o buraco em que nos encontramos. Portugal tem duas soluções. A saída do Euro ou o cumprimento da austeridade que nos é imposta. Aos portugueses e ao governo que os representa cabe escolher o caminho. E, depois disso, assegurar uma repartição eticamente aceitável dos sacrifícios que qualquer das soluções implica. Prometer mais do que isso, invocando Krugman, Schumpeter ou o Bruxo de Fafe não é mais de que insistir no caminho da desonestidade intelectual. Na senda do pensamento mágico que, em boa medida, nos trouxe até aqui onde estamos.
Alexandre Abreu mostra, quanto a mim, o que é uma justa posição de esquerda face às intervenções de Krugman.
http://ladroesdebicicletas.blogspot.com/2 012/03/exegeses-e-polemicas.html
Que profissão e salário tem o sr. Rocha?