Em Fevereiro de 2005, faz agora quatro anos, José Sócrates insurgia-se com indignação contra o desemprego então vigente em Portugal. A taxa de desemprego era de 7,1%. "Este número é bem a marca de uma governação falhada, de uma economia mal conduzida", proclamou o secretário-geral socialista, na altura candidato a primeiro-ministro, rogando que tocassem "campainhas de alarme" contra aquela "crise social significativa". E concluía: "Nunca vi um Governo perder tantos empregos em tão pouco tempo."
Este era o Sócrates de 2005: nada a ver com o Sócrates de 2009. O actual Governo admite para este ano uma taxa de desemprego de 8,5%, segundo as previsões do orçamento suplementar apresentado a 21 de Janeiro. Governação falhada? Economia mal conduzida? Crise social significativa? O Sócrates de 2005 diria que sim. Vale a pena avivar a memória das pessoas. Para que os factos não fiquem ocultos pela propaganda.



Concordo com o seu avivar da memória. Já agora, o que se dizia do sub-prime em 2005?
A the economist já dizia isto na capa:
http://www.economist.com/printedition/di splayCover.cfm?url=/images/20050618/2005 0618issuecovUS400.jpg
Caro amigo a crise só foi surpresa para o povinho, a gente graúda já temia isto há muito.
E em 2004, era assim:
http://atributos-1.blogspot.com/2009/02/v ale-pena-ver.html
Vale a pena ver.
Melhores cumprimentos
José Magalhães
Sócrates apenas adapta o discurso conforme as situações, perfeitamente normal, politicamente falando…
linkado no andarilho
Um abraço, João. Obrigado pela lembrança.
A (des)Governação falhada,
qual melhor modelo,
tem a cor rosada
com muitos laivos de má zelo.
Não é só no desemprego,
para mal dos nossos pecados,
colossal tem sido o desapego
para com os mais debilitados.
O mexilhão tem sido fustigado,
como é hábito em terras lusitanas,
não só pelo mar irado,
mas, por políticas pobretanas.
A gravata é sempre igual. Uma chatice.
PROPAGANDA é vir aqui comparar 2005 com 2009, como se podessemos comparar períodos da história… mas, pronto, para alguns a economia analisa-se como se fosse um folhetim!
Você, quando vota, não compara períodos da história? Não compara a situação do período em que irá votar com a do período anterior, quatro anos antes? Não reflecte sobre se vivemos melhor ou pior do que no período anterior e não parte dessa reflexão para uma escolha? Ou será que vota apenas a olhar para o cartão do partido e pensa ‘My party, wrong or right’, adaptando uma frase que ficou célebre?
Obviamente compara com períodos anteriores, se forem comparáveis.
Exemplo: pode-se comparar um período de guerra, com um período de paz? (obviamente, é um exemplo apenas ilustrativo).
Quando voto, olho para os programas, para os debates, para os discursos e depois, obviamente, sou influenciado pela área com a qual tenho mais afinidade.
Bem, cada um sabe de si. Eu começo por comparar o que foi prometido com o que foi de facto concretizado (propaganda à parte). Depois, faço a mim próprio esta pergunta: vives melhor ou pior do que há quatro anos? Desta vez, infelizmente, a resposta é demasiado óbvia.
Discordo da pergunta… isso é decidir em quem votar em função do próprio umbigo.
A pergunta é se o país está ou não melhor. Porque eu posso estar pior e o país melhor, ou o contrário.
É óbvio que é necessário comparar o prometido com o cumprido. E medir as alternativas.
E depois decidir…
Mas veja que por apenas discordar de si, na primeira resposta, já fala do “cartão do partido”, sinal de algum déficit democrático, digo eu.
Como é lógico, quando formulo a pergunta se vivo melhor do que há quatro anos, alargo essa pergunta às pessoas que conheço e estimo, e ao País em geral. Repito: desta vez, infelizmente, a resposta é demasiado óbvia. Se você não pensa o mesmo, devemos viver em países diferentes.
Quanto ao cartão do partido, nada há de pejorativo nisso. Quem o tem deve assumi-lo. E saber dialogar com quem não o tem nem quer vir a ter.