O Sócrates de 2005 (1)


Pedro Correia,

   

 

Em Fevereiro de 2005, faz agora quatro anos, José Sócrates insurgia-se com indignação contra o desemprego então vigente em Portugal. A taxa de desemprego era de 7,1%. "Este número é bem a marca de uma governação falhada, de uma economia mal conduzida", proclamou o secretário-geral socialista, na altura candidato a primeiro-ministro, rogando que tocassem "campainhas de alarme" contra aquela "crise social significativa". E concluía: "Nunca vi um Governo perder tantos empregos em tão pouco tempo."

Este era o Sócrates de 2005: nada a ver com o Sócrates de 2009. O actual Governo admite para este ano uma taxa de desemprego de 8,5%, segundo as previsões do orçamento suplementar apresentado a 21 de Janeiro. Governação falhada? Economia mal conduzida? Crise social significativa? O Sócrates de 2005 diria que sim. Vale a pena avivar a memória das pessoas. Para que os factos não fiquem ocultos pela propaganda.

14 comentários em “O Sócrates de 2005 (1)”

  1. A (des)Governação falhada,
    qual melhor modelo,
    tem a cor rosada
    com muitos laivos de má zelo.

    Não é só no desemprego,
    para mal dos nossos pecados,
    colossal tem sido o desapego
    para com os mais debilitados.

    O mexilhão tem sido fustigado,
    como é hábito em terras lusitanas,
    não só pelo mar irado,
    mas, por políticas pobretanas.

  2. PROPAGANDA é vir aqui comparar 2005 com 2009, como se podessemos comparar períodos da história… mas, pronto, para alguns a economia analisa-se como se fosse um folhetim!

    1. Você, quando vota, não compara períodos da história? Não compara a situação do período em que irá votar com a do período anterior, quatro anos antes? Não reflecte sobre se vivemos melhor ou pior do que no período anterior e não parte dessa reflexão para uma escolha? Ou será que vota apenas a olhar para o cartão do partido e pensa ‘My party, wrong or right’, adaptando uma frase que ficou célebre?

      1. Obviamente compara com períodos anteriores, se forem comparáveis.
        Exemplo: pode-se comparar um período de guerra, com um período de paz? (obviamente, é um exemplo apenas ilustrativo).
        Quando voto, olho para os programas, para os debates, para os discursos e depois, obviamente, sou influenciado pela área com a qual tenho mais afinidade.

        1. Bem, cada um sabe de si. Eu começo por comparar o que foi prometido com o que foi de facto concretizado (propaganda à parte). Depois, faço a mim próprio esta pergunta: vives melhor ou pior do que há quatro anos? Desta vez, infelizmente, a resposta é demasiado óbvia.

          1. Discordo da pergunta… isso é decidir em quem votar em função do próprio umbigo.
            A pergunta é se o país está ou não melhor. Porque eu posso estar pior e o país melhor, ou o contrário.
            É óbvio que é necessário comparar o prometido com o cumprido. E medir as alternativas.
            E depois decidir…
            Mas veja que por apenas discordar de si, na primeira resposta, já fala do “cartão do partido”, sinal de algum déficit democrático, digo eu.

          2. Como é lógico, quando formulo a pergunta se vivo melhor do que há quatro anos, alargo essa pergunta às pessoas que conheço e estimo, e ao País em geral. Repito: desta vez, infelizmente, a resposta é demasiado óbvia. Se você não pensa o mesmo, devemos viver em países diferentes.
            Quanto ao cartão do partido, nada há de pejorativo nisso. Quem o tem deve assumi-lo. E saber dialogar com quem não o tem nem quer vir a ter.

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