Logo à noite, na Grande Entrevista da RTP, Judite de Sousa vai entrevistar Carlos Cruz. Nos próximos seis ou sete programas, Judite de Sousa deverá entrevistar os restantes arguidos condenados em 1.ª instância. Como se espera de um serviço público que pagamos a preço de amigos.
O serviço público da RTP
jmmcc,

Caro João,
Há muitos filmes que, tal como o Pedro, fazem parte da minha vida.
Aqueles que nos marcam, que não esquecemos, que nos inquietam.
O Silêncio dos Inocentes está nessa galeria.
Ao assistir a este desfile dos arguidos condenados nas televisões, fico com a sensação de estar a assistir a um filme inspirado (no título, pelo menos…) no Silêncio dos Inocentes.
A edição portuguesa, com a Casa Pia como fundo, poderá ter o título A Algazarra dos Inocentes.
Já previa que os recursos iam ser julgados, em grande medida, no espaço mediático.
Até porque é aquele que alguns dos arguidos melhor dominam.
Tenho que confessar que a realidade está a ultrapassar as minhas previsões mais pessimistas.
O Pedro pode voltar a invocar “The Big Carnival”, de Billy Wilder.
Aqui não há ninguém soterrado a necessitar de socorro.
E não há necessidade de artificialmente prolongar esse socorro para que a notícia se mantenha viva e actual.
Mas, convenhamos, até é interessante que os recursos se arrastem muito tempo nos Tribunais para que o grande espectáculo possa continuar.
Os arguidos condenados vão continuar a ter espaço e tempo para clamar a sua inocência.
E estou capaz de apostar que se tentará que o Ministério Público, as polícias, tenham oportunidade de exercer o contraditório.
Só assim o circo ficará completo.
Circo é o termo adequado. Alimentado pela exposição desproporcionada e injustificável que o serviço público dá a um arguido (em) especial.
Desculpe, João Carvalho, “arguido” não, já não é arguido. Tanto quanto me parece foi considerado criminoso e condenado por actos de pedofilia por um tribunal de primeira instância. Penso que devemos tratar os bois pelos nomes de forma a evitar colaborar com essa mistificação de estar aqui a discutir se é culpado ou não depois de uma sentença daquelas. Vamos acreditar mais nos criminosos do que nos tribunais? Não, eu não vou por aí.
Sendo que, não deixa de ser curioso que quem tanto clamou contra julgamentos na praça pública tenha agora aí espaço bondoso para fabrico de inocência. No plano dos meandros da justiça é de temer que alguém esteja propositadamente a oferecer motivos para a defesa do Snr Cruz continuar com a gritaria de feira. Pescados da prisão, em vez de guia de marcha para os holofotes de encenações de palco, a lei devia obrigar a recatado silêncio enquanto o processo decorre na esfera própria. Haverá milagre da ressurreição ?
Se for verdade não acredito!
Já somos dois.
Ahahah! Boa, a.marques! Subtileza insuplantável
Evidentemente, João. Nem eu estou à espera de outra coisa do serviço público da RTP e da D. Judite.
Exactamente, Sérgio. Já agora, sentemo-nos…
Judite de Sousa na sua incompetência de todo o esplendor… já na Rádio Macau era assim!
Responde-te depois de ver os próximos programas…
Meu Deus! São tantos os culpados neste processo macabro que mais uma vez a culpa irá morrer solteira!
Essa é a minha leitura feita de mágoa, como cidadã juridicamente insegura, neste país.
Vamos ver. De qualquer modo, já ganhámos couraça para aguentar tudo.
Não sei se aguentamos…
Falo por mim, claro (e, concerteza por muito mais gente), na sexta-feira, passei do estado de euforia ao ouvir as condenações, até ao estado de “uma mulher à beira de um ataque de nervos”, esta segunda-feira, quando ouvi o programa “Prós e Contras”. Hoje, tomei uma decisão: não vou voltar a ouvir o CC, quando muito, faço um zapping rapidinho – não há pachorra! Sinceramente espero que seja realmente penalizado pelo uso e abuso da matéria no seu blogue.
Infelizmente, como já alguém aqui comentou, também acho que a culpa vai mesmo morrer solteira, pois com tantos recursos ainda para acontecer, não podemos esquecer que tudo prescreve (acho eu) em 2016, malheureusement – como diriam os franceses!
Estou-me nas tintas para o que ele faz por conta dele. Mas não devemos ser indiferentes ao que faz a RTP.
Muito bem, João. Também vou ficar à espera – sentada, claro – dos restantes programas.
Mas levanta-te quando entrar a Judite…
Ehehe… muito boa!
(não obstante o resto…)
:o)
Ora bem, João, mas é melhor sentarmo-nos entretanto.
É aconselhável, Leonor.
Campanha contra o Poder Judicial? Não é só cá…
Gente incompetente vai levar a sociedade a fazer um segundo julgamento. Com que regras, as eleitas pela Direcção de Informação?
Justiça na rua.
Não é à toa que os Mestres do Direito diziam que a Justiça deve ser discreta e com regras. Para Todos. Mas nestes tempos de crise de Tudo, tudo é o anormal do quotidiano.
Pois é.
Tal e qual – embora concorde com quem comentou que é melhor esperarmos sentados.
Confortavelmente sentados, de preferência.
dizia a apresentação:
“O que move a justiça contra Carlos Cruz.”
Exigia-se à RTP um pouco de decência.
Exigia-se não, Daniel. Exige-se. Assim é que deve ser. Mas parece que não adianta.
Com três dias de intervalo, a RTP exibiu dois mega tempos de antena de Carlos Cruz, que assim se confirma como «arguido de primeira» no canal de “serviço público”. Nada semelhante foi concedido ao «arguido de segunda» Carlos Silvino. Nada semelhante é concedido a centenas de arguidos que recebem sentenças condenatórias diariamente no País. Estranha noção de “serviço público”.
Uma coisa vergonhosa.
Perante as suas, sem palavras. Adopto-as se puder.
É verdade, o nojo de serviço que a RTP presta ao país não tem precedentes: dar voz a condenados pedófilos para caçar audiências. Populismo baseado na fatia (infelizmente grande) de analfabetos e ignorantes facilmente manipuláveis pelo galã de terceira reformado e condenado por crimes de sabujo. E, estranhamente, a J.S. não falou em tom esganiçado nem agressivo, parecia serena e civilizada. Um asco. A sanidade desapareceu de vez.
Ora bem.