O segundo Carter


Luís Naves,

Não seria surpreendente que Donald Trump viesse a ser visto no futuro como uma espécie de Richard Nixon, um presidente que suscitou ódios tremendos e saiu pela porta pequena, mas que fica na História dos EUA por três motivos demasiado sérios: a saída do padrão ouro, a viagem a Pequim e a negociação do fim da guerra do Vietname. Estes três acontecimentos estão entre os mais importantes da segunda metade do século XX e abriram caminho a uma época de prosperidade, ao triunfo na guerra fria, à alteração radical do equilíbrio de poder e à ascensão económica da China. Além da importância histórica destes momentos, os republicanos recuperaram do escândalo Watergate em apenas cinco anos, a ponto de conseguirem uma maré vermelha que elegeu Ronald Reagan. Na segunda metade da década de 70, a América viveu dias difíceis, com o descrédito das instituições, a inflação galopante, os choques petrolíferos e a estagnação da economia. O presidente deste período, Jimmy Carter, foi talvez o pior da série da Era pós-45. É possível fazer uma analogia parcial com o presente: Trump sai pela porta baixa, mas travou o processo de globalização, possivelmente a acção política mais relevante das duas primeiras décadas deste século. Sendo um dos presidentes mais odiados de sempre, ele conquistou milhões de americanos que se consideram prejudicados pelo sistema que ajudou à sua derrota. Quanto a Joe Biden, tem tudo para ser uma espécie de Carter, pois é o mínimo denominador comum em que assentam as ambições dos múltiplos grupos que o elegeram. Num contexto de crise geral, o homem forte foi humilhado, entra o homem fraco, o ressentimento fará o resto.

17 comentários em “O segundo Carter”

  1. Puxa! Não sei o que diga perante este texto. Trump o homem forte. Sim, forte contra as minorias, contra as mulheres, contra os imigrantes, contra os adversários políticos ou não políticos. Homem forte que construiu uma presidência liderada por ele e filhos, que atacou o sistema de justiça, que como presidente atacou tudo e todos não de forma politica, mas pessoal. Sim, este é o homem forte que agora sai e tão idolatrado por melícias armadas nas ruas e supremacistas brancos.
    Peço desculpa, mas afinal sempre tentei dizer algo.

    1. “Forte contra as minorias, contra as mulheres, contra os imigrantes”

      E temos o resultado da doutrinação do jornalismo Marxista.

      Diga-me o Trump mudou a lei da imigração onde?

      E as minorias votaram em proporção mais em Trump nesta eleição do que na anterior…

      Entretanto “At least 31 Republican women will serve in the 117th Congress, breaking a previous record “

      Mas suponho que só veja a SIC.e outros clones.

      lucklucky

      1. Tinha que vir o marxismo.
        Vá lá arranje lá outra, p.ex. o contrário de idolatrado por milícias armadas pelas ruas e supremacistas brancos.

    2. Trump é forte exactamente porque atacou e venceu as feministas – e não as mulheres, como você refere confundindo umas e outras – , e os lóbis lgbtistas, as corporações da media mainstream ao serviço dos interesses obscuros e corruptos oriundos do clube de Bilderberg, que possui representantes em Portugal e que também têm como figuras tipo soldados os Clinton e Biden, combateu e venceu o próprio partido, pôs as empresas multinacionais americanas a pagar e a investir no país, contrariou a hegemonia que algumas empresas tecnológicas pretendiam assegurar – a Google -, retirou-se da cimeira do clima precisamente porque os corruptos pretendiam subornar a China e a Índia, concedendo-lhes períodos de carência na emissão de carbono, para aí implementarem a sua estratégia industrial empobrecendo o ocidente e semeando o desemprego e a fome. Iniciou o plano de reindustrialização americano, oferecendo trabalho aos blue collar-workers e aumentando significativamente o rendimento dos pobres.

      E fez mais, acabou com a chulice em que a Europa, Japão e Coreia do Sul viviam através do guarda-chuva militar americano que servia também algumas industrias de guerra. Implementou a primeira estratégia com resultados visíveis na pacificação de Israel-Palestina através de acordos entre Israel e nações árabes que eram hostis e fomentavam a discórdia.
      Permitiu ainda que a Rússia reordenasse as fronteiras naturais da Síria. Activou os mecanismos de ajuda ao PKK no combate a Erdogan, permitiu a estabilização de fronteiras no Iraque para reordenar o que seus antecessores tinham destruído e estabeleceu ainda a mais bem estruturada fortaleza militar no pacífico e mares do sul da China, com apoio bélico inequívoco a Taiwan.

      E em conclusão proporcionou o mais alto crescimento da economia americana e do emprego nos últimos 60 anos e, em plena pandemia, revelou no último trimestre um crescimento da economia de 7,4% e do PIB de 33,1%

      Resumindo, só mesmo um macho está apto a realizar estas coisas. E não são as Catarinas e as feministas e os feministas de pacotilha à la mode do fascista Costa que algum dia realizarão o que quer que seja de benéfico a Portugal

      1. “…. só mesmo um macho está apto a realizar estas coisas…” – Exatamente! O resto nem merece comentário…🤮

      2. Ó Vento, então isso diz-se? Era segredo divulgar.
        Agora já toda a gente sabe que o costa é o rolão preto do chega salazarento.

    3. Percebo o comentário do Daniel. Ao ler o texto do Luís também me detive, por momentos, na expressão “homem forte”. Percebo o sentido em que foi utilizada, mas é forçoso constatar: foram quatro anos passados a mostrar força repetidamente perante os mais desesperados e marginalizados.

  2. Não me parece que tentar encontrar paralelismo seja algo que valha a pena. O jogo é muito diferente: O fim do Ocidente é o jogo.

    Biden está frente de um coligação Totalitária. Se obtêm o poder nos nodos significativos do poder nos EUA vão transpor aquilo que fazem nas suas universidades, empresas e jornais para o país:
    Eliminação da sociedade de quem fale ou pense diferente.
    Depois teremos a listas de proibições como fim da carne ao fim do petróleo e energia barata, e fim do dinheiro físico.
    Biden é muito mais proibições, muito mais obrigações, muito mais censura, muito menos escolha.
    Blacklists a quem tiver pertencido à oposição.
    Racismo institucionalizado como já acontece nos seus próprios nodos.
    Acentuar-se-á outras menos directas como o fim da mulher, que é só validada pela sua capacidade de competir com os homens.
    Aumentarão exponencialmente pela mudança da linguagem o que será considerado: sexismo, racismo, etc.
    A Economia Política já de si em aceleração no Ocidente desde há algum tempo vai ter uma ainda maior expansão com Empresas “certificadoras” das piedades das Esquerda , que claro serão Obrigatórias.
    Empresas de reeducação sobre a “correcta” maneira de pensar em campos de reeducação, perdão “acções de formação” serão em larga escala ao nível de empresas e do estado. É preciso dar negócio a alunos de sociologia educados por professores marxistas que abriram empresas capitalistas…
    Toda uma Economia Política fervilhará ainda mais sugando quem serve e quem cria.
    Enquanto isso a Àsia avança. <— No futuro esta frase vai ser considerada racista. E eu terei vários pontos a menos na cartão do cidadão neo-marxista ou pior.
    Vocês sabem que teremos cartões do cidadão com o nosso “valor social” ou ainda não sabem? É só uma questão de tempo. A eleição de Biden só acelerou o processo.

    lucklucky

    1. Desculpe dar o diagnóstico sem ser remunerado pela consulta, mas você sobre marxisite pulmonar obstrutiva crónica. Agora está tramado, não consegue respirar sem marxizar qualquer coisa. Experimente aparelhos de oxigénio produzidos por empresas de capitais chineses, que não se sabe ao certo o que serão, mas nem pensar noutra solução que piora o problema: haverá sempre, pelo menos, um dedinho marxista a tocar nos aparelhos.
      Também poderia, agora é mais difícil, passar umas férias nas praias cubanas e experimentar estar ao sol, mergulhar no oceano de água quente, comer crustáceos, assistir a rumbas e no fim fumar um charuto a olhar para um mural do Che, e sempre sentiria umas melhoras durante uns dias. Ah! convinha andar de óculos escuros para não ter uma recaída irreversível.

  3. Não entendo o seu post. Trump um homem forte? Sim, se a pesporrência, a fanfarronice, o desprezo pelas instituições e pelo saber forem indicadores de “força”. Diria que do alto de toda aquela jactância o que mais sobressai são os pés de barro.

  4. Saiu o homem providencial. O que propôs aos seus concidadãos que injetassem lixivia nas veias, que agarrassem as mulheres pela vagina (literalmente), que queria comprar a Islândia. Apesar disso bastante mais esperto que os seus apoiantes.

    1. Compreendo que ande confuso. Você há-de explicar onde e a quem vai agarrar quando uma mulher aceita e permite que seja agarrada pela vagina.

      Por último, se ele é bem mais esperto que os seus apoiantes, estes têm de ser também espertos.
      Eu por exemplo, como ser divino que sou, apoio e inspiro o Trump. E a lixivia nas veias era mais como desinfectante pela proximidade dos apoiantes de Biden. É sempre um risco bem menor usar lixivia na veia que a proximidade a estes infecciosos.

  5. Caro Luís, sendo leitor regular d´”O Delito” há vários anos, aprendi muita coisa por aqui, quer nos posts, quer nos comentários. Muitos outros blogues ficaram pelo caminho: extinguiram-se, passaram para as “redes sociais”, adoptaram agendas que não me interessam. O Delito ficou, relativamente plural, esclarecido e enriquecedor, na medida em que toca em temas que ultrapassam os meus conhecimentos, mas não os meus interesses. Só os alargam, de forma factual e fundamentada. Obviamente não concordo com tudo e obviamente as minhas leituras e interesses não se ficam apenas pel'”O Delito”.

    Sempre me abstive de comentar.

    O “trumpismo”, esta visão radical e extremada de ver o mundo que ressurge com designações diferentes ao longo dos séculos, alimentada a ódio, às agora chamadas fake news e, na tomada de decisão, ignorando uma minha paixão – os factos – , levou-me a ultrapassar a barreira.

    Vamos ao que interessa: continue, para eu poder continuar a construir a minha convicção naquilo que penso e a minha visão do mundo. Obviamente muito diferente da sua. Continue para eu poder discordar.

    Voltarei a dar descanso ao teclado, mas não à cabeça.

    Melhores cumprimentos.

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