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Multiplicam-se cada vez mais os sinais de que pode estar iminente um ataque nuclear da Coreia do Norte aos seus vizinhos do Sul. A Coreia do Norte, de quem o deputado Bernardino Soares uma vez disse que tinha dúvidas que não fosse uma democracia, é um país que consegue escapar a toda a lógica nas relações internacionais. Em primeiro lugar, a guerra da Coreia foi a única vez em que as Nações Unidas — em virtude da ausência do delegado soviético — conseguiram determinar o envio de forças próprias para combater na península, já que em ocasiões posteriores limitaram-se a autorizar o uso da força por Estados Membros. Paradoxalmente tal levou a que as Nações Unidas nunca tivessem conseguido ser vistas como árbitro pelo regime norte-coreano, que considera todas as suas resoluções como declarações de guerra.
A guerra da Coreia terminou de forma ambígua. Depois de MacArthur ter conseguido uma reviravolta extraordinária, que o levou mesmo a tomar Piongyang, a entrada da China no conflito obrigou-o a recuar novamente até ao paralelo 38. A sua proposta de iniciar um conflito nuclear com a China, que inevitavelmente se estenderia à União Soviética, acarretou, porém, a sua demissão, tendo então Truman formulado a doutrina que durou toda a guerra fria: as grandes potências não atacariam directamente as outras potências, travando a guerra em palcos limitados. Tivemos assim sucessivas guerras ao domicílio, como o Vietname, Angola ou o Afeganistão.
O fim da guerra fria e a proliferação nuclear alteraram os dados do problema. Juntamente outros países, como Israel, Índia e Paquistão, a Coreia do Norte acedeu ao clube nuclear, permitindo-se fazer exercícios de lançamento de mísseis ao mesmo tempo que os Estados Unidos proclamavam existir armas de destruição maciça no Iraque. E como lá não há petróleo, mas apenas uma monarquia de fanáticos, é bem previsível que as coisas dêem para o torto. Mergulhado numa crise económica sem precedentes, não faltava mais nada ao Ocidente do que este novo sarilho.

O problema é que, até que as democracias ocidentais façam tratados de não-proliferação nuclear a sério, onde se comprometam a desmantelar o seu arsenal nuclear até um certo prazo, os seus avisos nunca serão levados a sério.
A Coreia só será um problema enquanto a China dominar sobre ela, e tiver pretensões sobre território pertencente ao japão, que reclama para ela. A Coreia não é mais que a parte manipulada pela China e também pela Rússia; estes dois últimos são o grande bloco político, económico e militar que desestabilizará ou estabilizará o mundo conforme suas conveniências. Nem a América, per si, conseguirá alguma coisa. Ou a Europa se ergue, juntamente com os USA, ou o mundo dará um trambulhão bem grande. Mas isto não vêem os neoliberais americanos e europeus. E nós comecemos a pensar sériamente neste cenário catastrófico.
Em relação ao post anterior, tenho sérias dúvidas que a China permita qualquer ataque nuclear aos seus vizinhos Japão, Hong Kong e Coreia do Sul.
Esses 3 países juntamente com a UE e os EUA representaram 54% de todo o comércio chinês em 2011. A Coreia do Norte representou muito pouco, com 0,2%.
Estou de acordo que a expansão económica chinesa no mundo (afinal foi o 2º parceiro económico da UE e também o 2º dos EUA) lhes dá a supremacia de decisões políticas mundiais, mas a Coreia do Norte fala por si própria.
O crescimento económico chinês implica estabilidade política na zona. A China pode manter os velhos pactos com a Coreia do Norte e deixá-la ter os regimes que quiser e ser um estado-tampão para a Coreia do Sul mas implica também que esta não faça disparates na zona – coisa que não tem acontecido.
Um ataque à Coreia do Sul significa o fim do regime militar norte-coreano: o primeiro a intervir será certamente a própria China.