
O referendo grego constitui uma jogada política brilhante de Georgios Papandreou, que já deve estar completamente farto da prepotência dos seus “parceiros” europeus, que insistem em sangrar os gregos até à última gota, sempre que é necessário libertar mais uma tranche da “ajuda” externa. As últimas condições estabelecidas nessa “ajuda” são absolutamente humilhantes para qualquer povo, passando a Grécia a ser um país ocupado em permanência pela troika, e perdendo de vez o estatuto de Estado soberano. Ora, Papandreou já tinha avisado que os gregos são um povo orgulhoso e nobre e não permitiriam com facilidade semelhante tratamento. Como os “parceiros” europeus não deixaram de insistir na humilhação total da Grécia, Papandreou entendeu que não iria ser o Marechal Pétain do séc. XXI, e colocou os gregos perante a alternativa de votarem ou não a “ajuda”. Face ao carácter de humilhação que a mesma assumiu, é quase seguro que ela será rejeitada, a Grécia vai declarar a bancarrota total e o euro vai colapsar. Pode ser uma desgraça para a Europa, mas é uma excelente lição para os aprendizes de políticos que actualmente a gerem e que estão convencidos que tudo se resume à economia. Também há a política, estúpidos! E por isso é bom que o governo português comece a perceber o sarilho em que se meteu. É que depois de Papandreou recusar o papel que lhe destinaram, Passos Coelho, com a sua política de bom aluno da Europa, que não poupa sacrifícios aos seus concidadãos, tornou-se um sério candidato ao lugar.

Apropriada, a referência ao Marechal Pétain. Como o seguro morreu de velho, Papandreou muda as chefias militares. Não vá o diabo tecê-las…
Passos Coelho […] tornou-se um sério candidato ao lugar
A qual lugar, exatamente? Não entendo o sentido da frase.
Também não entendi. O que é que o PM pode fazer?
Trocando por miúdos, o lugar daquele que come e cala!
Boa análise. Esperemos que algum batedor do Governo passe por este lado do bosque e leve notícias deste texto ao Primeiro.
“É que depois de Papandreou recusar o papel que lhe destinaram, Passos Coelho, com a sua política de bom aluno da Europa, que não poupa sacrifícios aos seus concidadãos, tornou-se um sério candidato ao lugar.”
Na mouche!
Penso o contrário, Luís. O PM grego, ao convocar agora um referendo, exerce um inadmissível acto de chantagem sobre os eleitores. A pensar exclusivamente na sua sobrevivência política. Não admira, aliás, que alguns dos maiores críticos desta decisão irresponsável estejam a surgir das próprias fileiras do PS grego.
Papandreou filho segue, aliás, as pisadas de Papandreou pai, que foi um adversário obstinado da entrada da Grécia na então CEE, em 1981 (sem referendo). Chegado ao poder nesse mesmo ano, Andreas Papandreou tornou-se um entusiasta da integração europeia, garantindo gigantescos fundos estruturais para o seu país.
A relação entre a Grécia e a União Europeia funcionou sempre nesta base, numa perspectiva utilitária. Em 1985, receando perder parte dos benefícios financeiros que lhe chegavam de Bruxelas, A. Papandreou combateu tenazmente a entrada de Portugal e Espanha na Comunidade, ameaçando vetar mesmo a entrada dos dois países (o que não se concretizou graças aos dotes diplomáticos de Jacques Delors).
Os gregos acordam tarde para a democracia referendária: nunca se lembraram dela anteriormente, nem no processo de adesão nem da ratificação dos tratados de Maastricht, Amesterdão, Nice ou Lisboa. Mas o oportunismo político de Atenas é o de sempre.
Caro Pedro:
Que Papandreou está a pensar na sua sobrevivência — e não apenas política — é evidente. Agora não deixa de ser um grande golpe político, pois de certeza que os gregos vão rejeitar o plano e ele sairá disto airosamente, dizendo que não é o culpado da tragédia grega e por arrasto europeia, mas sim a vontade do seu povo. Quanto à Europa, os gregos vão dar-lhe uma resposta à altura: a de que caímos mas não caímos sozinhos. E estava-se mesmo a ver que era esse o resultado destas “ajudas”.
É pena que os gregos não sejam brilhantes quando se fala em trabalhar.
Como tivemos eleições, este governo tem toda a legitimidade para pôr em prática o memorando da troika. Toda a comparação com a Grécia é mera poesia…
Vamos trabalhar para que todos, com o nosso trabalho, consigamos levantar o país.
Quanto aos gregos, que façam o mesmo, pois chega de reformas aos 50 anos e viver bem com o dinheiro dos outros (sem fazerem absolutamente nada). Pena foi que tivessem entrado na UE, já que para isso necessitaram de aldrabar as contas do país . Se querem morrer à fome, que morram sozinhos, mas não contribuam para o mal dos outros !!
Espere pelo resultado do referendo grego e vai ver para onde vai o resultado do esforço e trabalho que se pede aos portugueses. Aliás mesmo sem referendo grego, aposto que esse esforço é absolutamente inútil. Daqui a um ano, serão os portugueses a exigir o referendo.
Mas foram os gregos que pediram o referendo? Pelo que sei foi Papandreou que disse que o ia fazer…ou sabe mais do que eu ??
Caímos sempre no mesmo erro propositadamente, quando se diz que os trabalhadores que andam nas ruas da amargura! que não querem é trabalhar. Quem concorda com esta opinião das duas uma ou é um privilegiado ou então não quer ver o obvio e o maior cego é aquele que não quer ver. Ora vejamos o que fizeram ás toneladas de euros que vieram da europa? Foi desbaratado sem consequências para as pessoas que receberam os fundos para o desenvolvimento das empresas E compraram vivendas ferrares e outras coisas sem consequências? Nenhumas. Não reparou já que essa treta de sacudir a água do capote pondo as culpas nos mais desprotegidos é puro egoísmo, pergunte aos desempregados o que sentem da situação atual Que eles dizem-lhe. Um aparte experimente viver só com o salario mínimo e depois diga qualquer coisa.