O texto que se segue é um excerto do editorial de Matthieu Croissandeau a propósito o novo ministro da Economia francês Emmanuel Macron e publicado no ultimo Nouvel Observateur. A tradução minha é muito livre, mas é suficiente para entender que para uma certa esquerda um jovem enarca, filósofo e banqueiro tem que ser forçosamente alguém de muito suspeito. Porque:
“…A questão não é saber se um antigo banqueiro pode ser de esquerda. Outros antes dele já o foram e outros certamente o serão. A questão não é sequer saber se o socialismo de Hollande rompe com os seus principios fundadores ao prosseguir uma política demasiado favorável às empresas. Há já muito tempo que os socialistas franceses se converteram à economia de mercado e não correm atrás dos patrões.
Não o esqueçamos: foi a esquerda, na ocorrência a de Mitterrand que abriu as portas da economia do país à finança liberalisando os mercados de capitais. Foi ainda a esquerda, a de Jospin que privatisou o que nem a direita privatisaria, baixou os impostos e converteu os criadores de empresas às delícias remuneratórias das sotck options.
A esquerda não necessita de totems nem de tabus para pôr à prova a força das suas convicções. Mas uma vez eleita, por um estranho e repetitivo fenómeno ela acaba sistematicamente acusada de trair o seu campo. Quando posto à prova do poder, o PS ficou sempre dividido entre a ambição eo remorso, incapaz de estabelecer a ponte entre a doutrina que defendia na oposição e a sua acção governamental e navegando entre o pragmatismo e decepções. Isto deve ser da sua natureza “de servir o ideal e de compreender o real”, como resumia Jaurès. Cem anos passados a formula continua a figurar na declaração de princípios do PS, sem que ninguém e muito menos Hollande tenham conseguido resolver esta diferença dialéctica”
Cá temos um problema semelhante… e também temos muita dificuldade de resolver esta espécie de dicotomia.

“Oui, il prend bien la lumière, mais maintenant il va falloir qu’il fasse gaffe de ne pas se brûler les ailes sur la lampe.” Thomas Thévenoud aurait sans doute dû écouter cet avertissement lancé par un proche d’Arnaud Montebourg dans le Journal de Saône-et-Loire au soir de son entrée au gouvernement. Le secrétaire d’Etat a été contraint jeudi de quitter jeudi le gouvernement, neuf jours après sa nomination.
Motif de ce départ: des “retards de déclaration et de paiement” au fisc. Thomas Thévenoud aurait omis de déclarer ses revenus pendant plusieurs années et “est soumis à une procédure de taxation d’office”, indique une source proche du dossier à L’Express.
Cette situation n’a pas empêché l’intéressé de multiplier, ces dernières années, les leçons à l’adresse des mauvais contribuables. Autant de déclarations qui paraissent aujourd’hui surréalistes vu sa propre négligence.
(En savoir plus sur http://www.lexpress.fr/actualite/politiq ue/demission-de-thomas-thevenoud-le-donn eur-de-lecons-qui-aurait-du-s-ecouter_15 73107.html#Q0PSYxXU8eZ575qv.99)