O Pedro Lomba assina no Público uma bela análise das quatro dinastias do regime: os históricos (como Soares), os professores (como Cavaco), os discípulos (como Durão Barroso) e os chefes de partido (como o actual primeiro-ministro). Insatisfeito, ele propõe-nos uma nova dinastia, protagonizada por alguém que, depois dos manobristas partidários, seja representativo e reconhecido, não pelo partido, mas pela sociedade.
Concordo com tudo: o país carece de novos princípios de legitimação política. O problema são as malditas perguntas: quem representaria hoje essa quinta dinastia? Um empresário de sucesso, como em alguns regimes sul-americanos? Um sindicalista, como Lula? Um magnata da televisão, como Berlusconi? E de que modos chegariam ao poder? Criando um novo partido, como em Itália? Fazendo um take-over a uma ruína anunciada, como fez Paulo Portas? O primeiro caminho é lento, o segundo é pródigo nos manobrismos que o Pedro Lomba aborrece. O terceiro caminho imaginário — criar um grande homem a partir dos jornais — tropeça no triste exemplo do cilindrado António Borges: entradas de leão, saídas de sendeiro.
Resta-nos, como de costume, o Quinto Império: tempo, corrupção e decadência.

São anos de fatuidades
repletos de insolência
demonstrando acuidades
de tamanha opulência.
As palavras trovadas
em sons descompassados
são sempre enturvadas
por cantos repassados.
Com a democracia reduzida
a minudências esfarrapadas,
a política é conduzida
por soberanias decepadas.
Eu sei e ainda bem, que os tempos mudaram.Mas estes tempos e esta terra lembram-me,inapelavelmente,as cenas finais do “Ovo da Serpente”, do Bergman.
Serei pessimista e sei que,repito,os tempos mudaram.
Convinha era ter algum cuidado, qué las hay…
Tenho que voltar a ver isso, se é que já o vi. Os Bergman confundem-se um pouco na minha pobre cabeça.
Os tempos de um país culto e civilizado,que se deixou cativar,no princípio dos anos 30,por um desgraçado austríaco e que deu no que deu…ainda por cima o pai do sujeito resolveu mudar o apelido de nascimento, Schicklgruber, para um outro…tenho por mim que a história teria sido outra se tivessem tido que gritar Heil Schicklgruber. É que não soava…
Eu também acredito em homens providenciais. Acredito que há homens mágicos. Tem é que se lhes permitir que concorram às eleições legislativas sem que para o efeito tenham que ter um partido por trás. Ou então alterar o sistema para presidencialista.
Uma vez eleito, um homem destes, consegue como que automaticamente que todos os portugueses passem a ser mais rigorosos, organizados, pontuais e trabalhadores.
Haveria que encontrar um descendente de uma nova ‘ínclita geração’ que não dependesse do partido para o guindar ao poder. Alguém que o alcançasse pelo seu mérito e inteligência intrínsecos e não empurrado pelo aparelhismo partidário que nos tem impingido o ‘low profile’ a que temos estado confinados. Onde iremos encontrar alguém assim?
Tudo menos um messias, os messias são perigosíssimos.