O que parece nem sempre é


Pedro Correia,

A autoconfiança é um atributo fundamental num político. John Kenneth Galbraith notou certa vez que nunca tinha conhecido um homem tão confiante em si próprio como John Fitzgerald Kennedy – o que serve para explicar grande parte do sucesso do 35º presidente norte-americano, ainda hoje uma das personalidades mais aclamadas do século XX. No fascinante livro The Best and the Brightest, dedicado aos bastidores da presidência Kennedy, David Halberstam mostra-nos outra característica do jovem presidente que acabaria por ser assassinado em Dallas: ele era exactamente como parecia. Ao contrário de outros políticos, que fazem tudo para parecer o que não são, Kennedy tinha uma autenticidade que empolgava os seus adeptos e desarmava os seus adversários.

Há um episódio da disputadíssima campanha eleitoral de 1960 que ilustra bem tudo isto: a certa altura alguém pergunta a Kennedy se não se sente exausto. A resposta, negativa, veio num sorriso. Mas o então senador do Massachusetts que se candidatava à Casa Branca pelo Partido Democrata acrescentou ter a certeza de que o seu antagonista republicano, Richard Nixon, se encontrava à beira da exaustão (o que mais tarde se provaria ser verdade). E como é que Kennedy sabia isto? O futuro presidente esclareceu o seu interlocutor: “Sei bem quem sou e não tenho de me preocupar em adaptar-me ou transformar-me. Tudo quanto tenho que fazer, em cada etapa da campanha, é mostrar-me tal como sou. Mas Nixon não sabe bem quem é. Portanto, cada vez que faz um discurso tem de decidir que face dele próprio irá mostrar, o que deve ser extenuante.”

Este episódio ajuda a demonstrar a importância da autenticidade na política. Um dirigente postiço, plastificado, sempre em pose, acaba cedo ou tarde por ser desmascarado. Perde grande parte da sua capacidade de atracção quando lhe desvendam o verdadeiro rosto. E termina esgotado por ter consumido energias em excesso ao tentar parecer o que não é.

23 comentários em “O que parece nem sempre é”

  1. Pedro:

    Dou-te os parabéns por este excelente texto.
    Ainda estou à espera do encontro cara a cara que prometeste, aguardo novas tuas no meu mail.

  2. É um bom e oportuno texto Pedro. Não é só na política, é em tudo na vida. Pela minha parte sou capaz de desculpar muita coisa, tenho consciência que a política não é para meninos de coro, mas a duplicidade a falta de autenticidade, os chamados vícios privados, publicas virtudes” é qualquer coisa que não perdoo a ninguem.

  3. Sem querer, ao ler o texto a mente fugiu-me para o único líder político português que sempre senti nunca estar publicamente em esforço: Mário Soares. Fica assim explicada a sua longevidade política?

      1. Pedro: Goste-se ou não de Soares não se pode negar que sempre se movimentou na política como peixinho na água. Ou seja, com muito à vontade, muito prazer, sem qualquer esforço. E sempre achei que a sua popularidade se explicava essencialmente por essa naturalidade e autenticidade que espelhava nos seus mais pequenos gestos.

  4. “O que parece nem sempre é”, pois não, Pedro, isto é , nem todos os autênticos ” serão, digo eu que reconheço boas interpretações, modéstia à parte…:))
    A sério eu gostaria de acreditar na “autenticidade” dos políticos, aliás, acredito que ainda haja “Autênticos”.

    1. Há, com certeza. Por isso procuro sempre contrariar aquela frase feita a propósito de os políticos serem ‘todos iguais’. Não são todos iguais, Maria. Felizmente.

    2. Se ler a obra “Uma Vida Inacabada” do Robert Dallek , que é umas das melhores biografias de JFK , verá como o que escreveu não é verdade.
      Sou grande admirador de JFK , mas JFK foi um dos maiores fingidores ao nível da sua saúde , que a política já conheceu.
      Desde os inúmeros problemas na coluna, até problemas de medicina interna, ele só se aguentava com doses industriais de drogas. JFK andava permanentemente na corda bamba.
      Eu percebo a distorção que efectuou para servir os seus objectivos.

      1. Pois eu não percebo a sua insinuação. Se quiser explicar-se melhor, faça o favor.
        Percebo, isso sim, que não leu bem o que escrevi: a observação sobre Kennedy é do célebre economista e embaixador John Kenneth Galbraith, aliás corroborada por David Halberstam, jornalista galardoado com o Pulitzer. Enquanto na campanha de 1960 Nixon se esforçava sempre por aparentar o que não era, Kennedy jamais fazia um esforço nesse sentido: a imagem que projectava dizia muito do que ele era de facto, o que lhe dava uma vantagem sobre o principal rival. Isto é um traço de carácter que deve ser valorizado num político. Galbraith e Halberstam falam com conhecimento directo: ao contrário de nós, eles conheceram pessoalmente Kennedy e privaram com ele.
        Claro que Kennedy tinha uma face oculta, como sucede com qualquer pessoa. Ninguém mostra nunca tudo quanto é. Até o próprio instinto de sobrevivência nos leva a agir assim.

  5. Hoje em dia, o dirigente político genuíno extingue-se na proporção em que cresce o político plastificado. O nosso actual primeiro-ministro é o exemplo mais acabado do plástico. Como sempre tenho dito, basta-me essa falta de autenticidade para lhe dar negativa. Seja ele o que for no cargo, fosse ele o que fosse no desempenho.

      1. Pedro, googolei a sua pertinente questão e deixo aqui este pequeno contributo :)))
        Plástico é reciclável? Depende do plástico.
        Os plásticos chamados termofixos ou termorrígidos , uma vez moldados, não podem ser derretidos (leia-se reciclados) para dar origem a novos produtos. Este tipo de plástico é encontrado em:

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        Pedro, googolei a sua pertinente questão e deixo aqui este pequeno contributo :)))
        Plástico é reciclável? Depende do plástico. <BR>Os plásticos chamados termofixos ou termorrígidos , uma vez moldados, não podem ser derretidos (leia-se reciclados) para dar origem a novos produtos. Este tipo de plástico é encontrado em: <BR class=incorrect name="incorrect" <a>•cabos</A> de panelas, facas e talheres; <BR>•espumas em geral; <BR>•peças plásticas presentes nos motores dos carros; <BR>•bolas de bilhar; <BR>•carcaças de equipamentos eletrônicos como:monitores, teclados, mouses, rádios, botões, etc; <BR>•solados de calçados em geral; <BR>•peças em fibra de vidro. <BR>Devem ser descartados no lixo comum. <BR><BR>Mas como identificar os plásticos recicláveis? Alguns exemplos de aplicações: <BR>. PET – politereftalato de etila: garrafas plásticas de refrigerante, por exemplo; <BR>. PEAD – polietileno de alta densidade: frascos para shampoo, caixotes, tubulações de gás etc. <BR>. PVC – policloreto de vinila: tubulação de água, eletricidade etc. <BR>. PEBD – polietileno de baixa densidade: bolsas, garrafas térmicas, frascos de medicamentos etc. <BR>. PP – polipropileno: brinquedos, tubos de caneta, copos plásticos, seringas de injeção etc. <BR>. PS – poliestireno: artefatos de isopor, por exemplo.

        :-)))

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