o que os outros vêem em nós


Patrícia Reis,

Um comentário em “o que os outros vêem em nós”

  1. Sempre achei este esforço publicitário da Dove interessante (apesar de algumas polémicas sobre as mulheres não serem, mesmo, reais) e os resultados, apesar de não serem surpreendentes, são um reflexo da nossa Sociedade.

    A idealização da beleza (com incarnações diversas ao longo dos tempos) é algo de natural no Ser Humano e acaba por estar “ligado” a uma determinação subconsciente da qualidade genética do outro. No entanto, tem-se assistido a uma excessiva – no meu entender – entronização do ideal de beleza “perfeita”. Os termos de comparação são muitos, globais e ao alcance da vista ou do clique e a pressão para sermos todos “estrelas de cinema” – com photoshops e airbrushings incluíndos – é muita.

    No fim, tudo isso alimenta inseguranças e egos, com o surgimento de uma bipolaridade gritante entre a depressão estética e o narcisismo desmesurado.

    Este anúncio é contra-corrente e é importante porque não nos podemos esquecer que a beleza está nos olhos de quem a vê, não nos nosso nem dos que não a querem ver. A beleza acaba por ser uma conjugação de virtudes e defeitos, físicos e mentais e não algo de absoluto. É possível achar-se belo algo que esteticamente é considerado feio tão só pela sedução intelectual que esse algo nos dá.

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