O que não faz sentido


Pedro Correia,

A aparente ruptura da coligação a nível nacional, por assinalável coincidência, ocorreu 24 horas depois de o Conselho Nacional do CDS ter aprovado a formação de 102 coligações com o PSD ao nível autárquico. Se houver eleições antecipadas para a Assembleia da República, eventualmente no mesmo dia das eleições locais, teremos este paradoxo instalado na direita portuguesa: de braços abertos nas autárquicas, de costas voltadas nas legislativas.

Como escreveu Fernando Pessoa, num dos seus cáusticos poemas sobre Salazar, “o que não faz sentido é o sentido que tudo isto tem”.

10 comentários em “O que não faz sentido”

  1. tanta coisa que não faz sentido…como, por exemplo, uma vez dizer que não se deve confundir coligações autárquicas com coligações governamentais e outra vez dizer que afinal sim…

    1. Não há precedente de uma situação destas – o fim de uma coligação nacional em simultâneo com o arranque de 102 coligações municipais. O que aqui se comenta é, portanto, algo inédito.

  2. O que não faz sentido é o PR dar sentido ao sentido que nunca existiu. Ele permite o desmembramento da nação reforçando a falsa ideia que não há vida para além dos partidos, em particular do seu.
    Mas tudo isto tem sentido, o sentido conhecido que aqueles que julgam conhecer desconhecem. E este seentido nem sábios nem reis são capaz de interpretar.

  3. Isso era de esperar e, de certo modo, é o menos (digo eu!). O que me incomoda é imaginar todas as reformas estruturais que apesar de tudo se fizeram (política do medicamento, código de processo civil e muitas outras coisas que nem sequer imagino porque lhes foi dada relativamente pouca visibilidade em comparaçaõ com “o resto”) a serem imediatamente destruídas pela força dos interesses corporativos logo que abrandar a pressão em sentido inverso.

  4. Pouco ou nenhum sentido mas a única coisa que me aborrece verdadeiramente é estarmos ainda, nós, cidadãos, em sentido. Porque, de resto, tenho-me sentido divertida com esta animação. Estávamos a precisar de rir. 🙂
    (Eu sei que isto é sério, Pedro, mas à conta disto tem sido um fartote.:))

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