Trataria, desde logo, de clarificar a situação. Abandonando ambiguidades e consensos pastosos, que nada resolvem e tudo complicam.
Apresentaria uma moção de confiança no Parlamento. Que separasse águas e tornasse evidente a legitimidade política do Governo na única sede perante a qual é politicamente responsável à luz do que estipula a nossa lei fundamental: a Assembleia da República.
A política, para ser eficaz, exige clareza.
Um gesto destes perturbaria o tacticismo pessoal de alguns vultos majestáticos ocupados em escrever livros de memórias antes do tempo? Talvez.
Paciência. A democracia é assim.


Eu acho que, se vamos recorrer a mortos ilustres e mal conhecidos para guiar a nossa atuação, então mais valeria recorrermos à sunna do profeta Muhammad.
Sá Carneiro está morto e enterrado há muito tempo, Pedro. Só foi político durante meia-dúzia de anos e, no seu tempo, a sua atuação política não foi admirada por muitos, mesmo dentro do seu partido. Deixe-se disso!
Justamente!
Faz falta quem não suporte ambiguidades, e avance para o esclarecimento.
Quando houve ambiguidade no PPD, Sá Carneiro não se importou de perder metade do grupo parlamentar, e seguir para eleições.
Os políticos da ASDI viveram mais tempo, mas a ASDI não, ao contrário do PSD.
Sá Carneiro não viveu mais tempo porque não o deixaram… imagino que não perceba a grosseria da sua afirmação, Luís.
A questão é justamente essa, Sá Carneiro era favorável ao esclarecimento…
Serena celsa favent.
imagino que não perceba a grosseria da sua afirmação, Luís
De facto não percebo que afirmação grosseira é que fiz. Se me puder esclarecer…
Lamento, mas acho que fui claro, e duvido que ser mais explícito adiante de alguma coisa.
De qualquer forma… conhecidas as circunstâncias que apontam para atentado, acha que faz sentido imputar a Sá Carneiro alguma menorização por “só ter sido político meia-dúzia de anos”, ou por “não ter sido consensual”?
– Está claro que essa “falta de consenso” pode lhe ter dado apenas “meia-dúzia de anos de política”, ou não?
Você deve gostar de se fazer passar por parvo, para ver o que lhe respondem, só pode ser isso…
Não vejo em que é que as que as circunstâncias da morte de Sá Carneiro nos devam impedir de tecer juízos negativos sobre a sua atuação política.
Pelo facto de ter morrido num desastre de aviação, o homem não passou a ser um santo.
Mesmo que o desaste de aviação se tenha devido a um atentado (coisa nunca provada), e mesmo que tal atentado fosse dirigido contra Sá Carneiro e não contra Adelino Amaro da Costa (coisa ainda menos provada), nada disso faz de Sá Carneiro um santo nem nos obriga a concordar com a sua atuação política.
Em suma, fazia política ! Não um exercício de flutuação. Certamente com uma determinação obstinada, mas também com o seu fino trato e humor. Como ele dizia após o comício, seguir-se-á o “bebício”.
fazia política !
No seu tempo, dizia-se que era o homem dos golpes de rins. A sua política caraterizava-se por alterações constantes de posição. Foi muito criticada e pouco admirada no seu tempo.
O Partido Os Verdes disse hoje que vai apresentar uma moção de censura, pelo que se torna inútil o governo apresentar uma de confiança.
De qualquer forma, ninguém duvida de que, numa votação às claras, todos os deputados do CDS e do PSD votarão a favor do governo. O que não é certo é se o fariam numa votação secreta…
Pois, se a minha avó não tivesse morrido, se calhar ainda era viva.
Os meus pêsames pelo falecimento da Senhora sua avó.
Ou seja, estamos perante um Sá Sebastião aqui no salão. E eu que pensava ter lido algures que “o tempo em que o salvador da pátria chegava a Lisboa montado num cavalo branco já passou”.
Enfim, estamos numa de especular, com toda a certeza, pois claro, sobre o que fariam personalidades icónicas do passado.
Já que estamos neste ponto de alucinação, diga-me lá o que faria, sei lá… Olhe, não estou para aqui virado, isto é tudo maus demais.
Sá Carneiro nunca foi sebastianista. Nem sidonista. Foi um homem de partido, que lutou pelo modelo de sociedade que entendia ser o melhor, nunca quis promover nenhuma “união nacional” à margem dos partidos nem revelou atitudes ambíguas perante putativos salvadores da pátria.
Tinha um discurso claro. Tinha gestos inequívocos – havia quem gostasse, havia quem não gostasse, mas a política devia ser sempre assim.
Precisamente por isso é que invoquei o exemplo dele.
Sá Carneiro nunca precisaria dos jeitos políticos do PCP B, vulgo ‘os verdes’.
Mas esse já morreu e o nosso afinal esta vivo.
Estive, agora, ouvindo o Presidente. Gostei. Mesmo pesados que vão ficando os 3 anos que leva a mostrar bendita faceta. Enfim, 3 anos foi o tempo que levou a admitir que afinal os políticos portugueses são bons é a acautelar os seus interesses e que o restante é coisa de segundo plano (ingénuo…pois…) Mas bem, esperemos todos, que os nossos distintos políticos, já que agora foram denunciados por tão distinta personalidade, tenham um pingo de decência, e não comam tudo, senão ficamos TODOS sem nada. Vá, juízo e façam o que o Senhor diz. Viva a Cavaco!
Nunca vi um moribundo tão loquaz…
é, vejo muito os mortos vivos, da-me para isto…