O que faria Francisco Sá Carneiro?


Pedro Correia,

 

Trataria, desde logo, de clarificar a situação. Abandonando ambiguidades e consensos pastosos, que nada resolvem e tudo complicam.

Apresentaria uma moção de confiança no Parlamento. Que separasse águas e tornasse evidente a legitimidade política do Governo na única sede perante a qual é politicamente responsável à luz do que estipula a nossa lei fundamental: a Assembleia da República.

A política, para ser eficaz, exige clareza.

Um gesto destes perturbaria o tacticismo pessoal de alguns vultos majestáticos ocupados em escrever livros de memórias antes do tempo? Talvez.

Paciência. A democracia é assim.

 

15 comentários em “O que faria Francisco Sá Carneiro?”

  1. Eu acho que, se vamos recorrer a mortos ilustres e mal conhecidos para guiar a nossa atuação, então mais valeria recorrermos à sunna do profeta Muhammad.
    Sá Carneiro está morto e enterrado há muito tempo, Pedro. Só foi político durante meia-dúzia de anos e, no seu tempo, a sua atuação política não foi admirada por muitos, mesmo dentro do seu partido. Deixe-se disso!

    1. Justamente!
      Faz falta quem não suporte ambiguidades, e avance para o esclarecimento.
      Quando houve ambiguidade no PPD, Sá Carneiro não se importou de perder metade do grupo parlamentar, e seguir para eleições.
      Os políticos da ASDI viveram mais tempo, mas a ASDI não, ao contrário do PSD.
      Sá Carneiro não viveu mais tempo porque não o deixaram… imagino que não perceba a grosseria da sua afirmação, Luís.

      A questão é justamente essa, Sá Carneiro era favorável ao esclarecimento…
      Serena celsa favent.

        1. Lamento, mas acho que fui claro, e duvido que ser mais explícito adiante de alguma coisa.
          De qualquer forma… conhecidas as circunstâncias que apontam para atentado, acha que faz sentido imputar a Sá Carneiro alguma menorização por “só ter sido político meia-dúzia de anos”, ou por “não ter sido consensual”?
          – Está claro que essa “falta de consenso” pode lhe ter dado apenas “meia-dúzia de anos de política”, ou não?

          Você deve gostar de se fazer passar por parvo, para ver o que lhe respondem, só pode ser isso…

          1. Não vejo em que é que as que as circunstâncias da morte de Sá Carneiro nos devam impedir de tecer juízos negativos sobre a sua atuação política.
            Pelo facto de ter morrido num desastre de aviação, o homem não passou a ser um santo.
            Mesmo que o desaste de aviação se tenha devido a um atentado (coisa nunca provada), e mesmo que tal atentado fosse dirigido contra Sá Carneiro e não contra Adelino Amaro da Costa (coisa ainda menos provada), nada disso faz de Sá Carneiro um santo nem nos obriga a concordar com a sua atuação política.

  2. Em suma, fazia política ! Não um exercício de flutuação. Certamente com uma determinação obstinada, mas também com o seu fino trato e humor. Como ele dizia após o comício, seguir-se-á o “bebício”.

    1. fazia política !

      No seu tempo, dizia-se que era o homem dos golpes de rins. A sua política caraterizava-se por alterações constantes de posição. Foi muito criticada e pouco admirada no seu tempo.

  3. O Partido Os Verdes disse hoje que vai apresentar uma moção de censura, pelo que se torna inútil o governo apresentar uma de confiança.

    De qualquer forma, ninguém duvida de que, numa votação às claras, todos os deputados do CDS e do PSD votarão a favor do governo. O que não é certo é se o fariam numa votação secreta…

  4. Ou seja, estamos perante um Sá Sebastião aqui no salão. E eu que pensava ter lido algures que “o tempo em que o salvador da pátria chegava a Lisboa montado num cavalo branco já passou”.
    Enfim, estamos numa de especular, com toda a certeza, pois claro, sobre o que fariam personalidades icónicas do passado.
    Já que estamos neste ponto de alucinação, diga-me lá o que faria, sei lá… Olhe, não estou para aqui virado, isto é tudo maus demais.

    1. Sá Carneiro nunca foi sebastianista. Nem sidonista. Foi um homem de partido, que lutou pelo modelo de sociedade que entendia ser o melhor, nunca quis promover nenhuma “união nacional” à margem dos partidos nem revelou atitudes ambíguas perante putativos salvadores da pátria.
      Tinha um discurso claro. Tinha gestos inequívocos – havia quem gostasse, havia quem não gostasse, mas a política devia ser sempre assim.
      Precisamente por isso é que invoquei o exemplo dele.
      Sá Carneiro nunca precisaria dos jeitos políticos do PCP B, vulgo ‘os verdes’.

  5. Mas esse já morreu e o nosso afinal esta vivo.
    Estive, agora, ouvindo o Presidente. Gostei. Mesmo pesados que vão ficando os 3 anos que leva a mostrar bendita faceta. Enfim, 3 anos foi o tempo que levou a admitir que afinal os políticos portugueses são bons é a acautelar os seus interesses e que o restante é coisa de segundo plano (ingénuo…pois…) Mas bem, esperemos todos, que os nossos distintos políticos, já que agora foram denunciados por tão distinta personalidade, tenham um pingo de decência, e não comam tudo, senão ficamos TODOS sem nada. Vá, juízo e façam o que o Senhor diz. Viva a Cavaco!

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