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Na sequência do inaceitável acto homicida que visou o cidadão russo Serguei Skripal e a sua filha Iulia, por intervenção de agentes infiltrados da Rússia em território britânico, o Governo do Reino Unido expulsou 23 diplomatas de Moscovo e solicitou a solidariedade activa dos seus aliados. Nada mais compreensível.
Nos últimos dias, 28 países – incluindo 19 Estados membros da União Europeia – anunciaram também a expulsão de quadros diplomáticos russos: um gesto de firmeza política que ultrapassa largamente o plano simbólico. Pelo menos 125 diplomatas receberam já ordem para fazerem as malas.
Entre as raras capitais da UE que permaneceram à margem deste processo inclui-se Lisboa. “Governo prefere diálogo à expulsão: diplomatas russos a salvo em Portugal”, na síntese certeira de um título jornalístico. Isto apesar de o Executivo liderado por António Costa “acreditar que a concertação no quadro da UE é o instrumento mais eficaz para responder à gravidade da situação presente”, como jesuiticamente observou o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva. O tal que gosta de “malhar”, mas é “na direita”. Esquecendo que Putin é o maior apoiante financeiro e logístico da mais repulsiva extrema-direita europeia.
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O nosso Governo, lamentavelmente, ignorou neste processo os compromissos inscritos na aliança histórica que mantemos desde 1373 com o Reino Unido – aliás a mais antiga relação diplomática ininterrupta da história.
Pior: a diplomacia portuguesa parece cruzar os braços perante reiteradas e comprovadas violações de direitos humanos cometidas pelo Estado russo – que inclui ataques cibernéticos com a colaboração de sofisticada pirataria informática, a intromissão em processos eleitorais estrangeiros, o assassínio e detenção ilegal de opositores, o silenciamento de jornalistas e as agressões militares contra a soberania de Estados vizinhos, nomeadamente com a anexação da Crimeia, pertencente à Ucrânia, e a criação dos bandustões russos da Abcásia e da Ossétia do Sul, tornados enclaves em território soberano da Geórgia.
Como se isto já não bastasse, os agentes de Putin liquidam compatriotas incómodos em solo estrangeiro, recorrendo a uma substância tóxica proibida por convenções que o próprio Estado russo subscreveu.
Entre os nossos amigos e aliados da UE e a cleptocracia russa, com a sua corte de oligarcas corruptos, ficamos equidistantes. Algo que não acontecia desde os tempos pós-revolucionários, quando uns tantos lunáticos andaram por aí a enaltecer a putativa integração de Portugal no lote dos países pertencentes ao Terceiro Mundo.
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Afinal o prometido “novo impulso para a convergência com a Europa” que o Executivo PS prometeu em Novembro de 2015 no seu programa era apenas uma flor de retórica. Na óptica de Santos Silva, que há três meses celebrava como “vitória para Portugal” a eleição de Mário Centeno para a presidência do Eurogrupo, a solidariedade europeia será uma via de sentido único.
Por mim, fiquei esclarecido. Aguardo apenas com alguma curiosidade o pronunciamento de Diogo Freitas do Amaral, que era vice-primeiro-ministro e ministro dos Negócios Estrangeiros do Executivo da Aliança Democrática, que em 1980 decidiu expulsar quatro diplomatas russos, no quadro dos duros protestos ocidentais contra a invasão soviética do Afeganistão ocorrida meses antes e que incluiu apelos do primeiro-ministro Francisco Sá Carneiro ao boicote português dos Jogos Olímpicos de Moscovo, onde a participação nacional esteve reduzida ao mínimo.
Tudo isto sucedeu, note-se, quando ainda nem éramos membros do espaço comunitário europeu.
O que dirá Freitas do Amaral agora?

” diplomatas russos a salvo em Portugal”
Pensava que as medidas diplomáticas deveriam visar a protecção das várias populações nacionais dos diplomatas russos.
Pedro, concordo contudo. Já li artigos de opinião que defendem o boicote ao Europeu / Mundial(?) – não quero saber de bola – de Futebol na Rússia. Mas vamos ser coerentes. É também fundamental acabarem-se com os Paraísos fiscais onde a oligarquia plurocrata russa esconde o dinheiro – é necessário uma reforma do sistema financeiro (de onde vem o dinheiro? ). E de permeio acabar com essa chachada dos vistos Gold.
Já agora, onde pára o 007?
Salvos de expulsões, todos eles.
Ficariam sempre pior se regressassem neste momento à Rússia, onde as temperaturas são geralmente negativas.
O 007 já não é o que era. Deixou de beber ‘dry martini’, passou a beber ‘minis’. Pelo gargalo.
E por falar em interferências russas, partidos de extrema-direita, e em movimentos apostados em fracturar a Europa e em atentar contra o Estado de Direito, parece que a primeira visita que Carles Puigdemont recebeu na prisão foi de um co-fundador da AfD alemã. No creo en brujas, pero…
Parafraseando um ditado popular, “Diz-me quem te visita na prisão, dir-te-ei politicamente o que és.”
Já a M. Rajoy ninguém o visita na prisão porque tem o poder judicial do seu lado.
Sente-se solitário? A si ninguém visita?
Bem, isso de estarmos de braços cruzados não corresponde à verdade. Ainda ontem tivemos o exemplo de uma acção assertiva de Costa, com o encerramento compulsivo do hangar dos Kamov e a os mecânicos russos expulsos das instalações. Putin não conseguiu pregar olho esta noite…
Ficou muito abalado, garantem-me as minhas fontes no Kremlin. Vai chamar o camarada Jerónimo para consultas a Moscovo.
Boa tarde Pedro Correia. Tenha uma boa Páscoa. Posso enganar-me mas penso que o Pedro Correia vai poder comer amêndoas calmamente até ao Verão sem ser interrompido por alguma reflexão pública de Freitas do Amaral.
António Cabral
Também não creio serem iminentes as palavras do eminente professor, que deve andar meditabundo.
Boa Páscoa, António.
Isso já é má vontade, Pedro. Sabes perfeitamente que a “direita” a que Santos Silva se referia era o Bloco e o PCP, essas “forças do mais reacionário que há”, como ele próprio afirmou, por isso recua perante Putin. Mas pensando bem, o PCP continua a não ser muito hostil aos russos. Estes regimes apoiados tanto pela extrema-direita como pela extrema-esquerda confundem uma boa alma.
Lamento o infortúnio do augusto ministro, João Pedro. Muita pastilha anti-stress já deve ter engolido ao integrar agora um governo apoiado por duas forças políticas “do mais reaccionário que há”.
Faz bem Portugal em não hostilizar a Cristandade a leste.
WW
Espírito cristão. Dar a outra face aos russos, esses notáveis defensores da “Cristandade” (Estaline até foi educado num seminário).
A História, que é sábia, ensina-nos que é um erro. Mas há quem persista em ignorar as lições da História.