O que ando a ler (14)


Adolfo Mesquita Nunes,

Quando a Teresa me reencaminhou o desafio de revelar o que ando a ler pensei imediatamente em mentir. Não por vergonha mas tão simplesmente porque a revelação não só desviará a atenção para a política como me afastará do meu género de eleição, que é a ficção.

Ponderei por isso em falar da Flannery, que me enche as medidas, ou da Agustina, que merece que se fale dela. Uma e outra poderiam dar bem conta do que me apaixona na leitura. Mas tenho a leve sensação de que a Flannery não gostaria que mentisse, ainda que a Agustina, aposto, se divertisse com a coisa. Para não deixar uma vencer sobre a outra, optei pela verdade. Se não ficam a conhecer os meus gostos literários, ficam com certeza a conhecer os meus gostos políticos (venham de lá as pedras).

O que estou a ler é isto:

 

 

Não é possível descrever esta obra sem falar de Thatcher, a líder política que mais inspira, talvez porque se tenha inspirado, como eu, nas ideias de Hayek. E falar de Thatcher afasta-me um pouco dos meus propósitos neste blogue e, parece-me, da intenção desta série de posts. Sobretudo porque, apesar da recente reabilitação dos seus discursos e ideias, gostar de Thatcher ainda requer muitas explicações e gera alguma controvérsia. Ela não beneficiou nunca de uma complacência que se tem por quem vem de outros quadrantes políticos em que a bondade e a sensibilidade social são pressupostas e não têm de ser demonstradas. Mas isso é toda uma outra discussão que fica para outros plenários. Para quem a quiser conhecer melhor, antecipando o filme que aí vem, é uma boa proposta de leitura.

 

E tu, Ana Cláudia, o que andas a ler?

14 comentários em “O que ando a ler (14)”

  1. «talvez porque se tenha inspirado, como eu, nas ideias de Hayek»

    A gente pensa em Mrs. Tatcher e, de facto, lembra-se imediatamente de si.

      1. A frase em que estabelece esse partilhar de influências entre estadistas é sua.
        O lembrar-me eu – e de imediato- de Margaret Tatcher quando oiço as seus lustrosos discursos é associação que não me soa abusiva.

        1. Uma coisa é ouvir a Thatcher e lembrar-se logo de mim, coisa que diz no seu primeiro comentário. Outra é ouvir-me e lembrar-se da Thatcher, coisa que diz no segundo comentário. Mas cada um lembra-se do que se lembra.

          Gostava apenas de deixar claro que me limitei a dizer que não é de estranhar que a Thatcher seja a líder política que mais me inspira já que, também ela, se deixou impressionar por Hayek.

  2. Adolfo, sugiro que acrescentes ao post aquele minúsculo video da Iron Lady que me dedicaste. Vê-se num ápice e acrescenta a esta figura, sempre rotulada de rígida, uma dimensão que, confesso, foi para mim uma surpresa: o humor, o maravilhoso british humour.

      1. Sem querer meter a a colher será que alguém me pode dizer qual foi esse vídeo que o Adolfo M. mostrou? Tal como a Ana estou sempre pronta para presenciar o humor da Iron Lady.

        Obrigada.

  3. Apesar de não simpatizar com Thatcher e muito menos com as políticas que defendeu e implementou é uma figura importante que gostaria de conhecer melhor. Aguardo o filme e o prazer de rever Meryl Streep . E gostei bastante do documentário que passou há uns dias atrás na RTP sobre os seus últimos dias no poder.

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