Quando a Teresa me reencaminhou o desafio de revelar o que ando a ler pensei imediatamente em mentir. Não por vergonha mas tão simplesmente porque a revelação não só desviará a atenção para a política como me afastará do meu género de eleição, que é a ficção.
Ponderei por isso em falar da Flannery, que me enche as medidas, ou da Agustina, que merece que se fale dela. Uma e outra poderiam dar bem conta do que me apaixona na leitura. Mas tenho a leve sensação de que a Flannery não gostaria que mentisse, ainda que a Agustina, aposto, se divertisse com a coisa. Para não deixar uma vencer sobre a outra, optei pela verdade. Se não ficam a conhecer os meus gostos literários, ficam com certeza a conhecer os meus gostos políticos (venham de lá as pedras).
O que estou a ler é isto:
Não é possível descrever esta obra sem falar de Thatcher, a líder política que mais inspira, talvez porque se tenha inspirado, como eu, nas ideias de Hayek. E falar de Thatcher afasta-me um pouco dos meus propósitos neste blogue e, parece-me, da intenção desta série de posts. Sobretudo porque, apesar da recente reabilitação dos seus discursos e ideias, gostar de Thatcher ainda requer muitas explicações e gera alguma controvérsia. Ela não beneficiou nunca de uma complacência que se tem por quem vem de outros quadrantes políticos em que a bondade e a sensibilidade social são pressupostas e não têm de ser demonstradas. Mas isso é toda uma outra discussão que fica para outros plenários. Para quem a quiser conhecer melhor, antecipando o filme que aí vem, é uma boa proposta de leitura.
E tu, Ana Cláudia, o que andas a ler?

«talvez porque se tenha inspirado, como eu, nas ideias de Hayek»
A gente pensa em Mrs. Tatcher e, de facto, lembra-se imediatamente de si.
Obrigado pelo desabafo T., mas não me recordo de ter afirmado qualquer coisa de semelhante.
A frase em que estabelece esse partilhar de influências entre estadistas é sua.
O lembrar-me eu – e de imediato- de Margaret Tatcher quando oiço as seus lustrosos discursos é associação que não me soa abusiva.
Uma coisa é ouvir a Thatcher e lembrar-se logo de mim, coisa que diz no seu primeiro comentário. Outra é ouvir-me e lembrar-se da Thatcher, coisa que diz no segundo comentário. Mas cada um lembra-se do que se lembra.
Gostava apenas de deixar claro que me limitei a dizer que não é de estranhar que a Thatcher seja a líder política que mais me inspira já que, também ela, se deixou impressionar por Hayek.
Não te preocupes. Eu também ando em não-ficção. Antes a biografia da Thatcher que o Documento de estratégia orçamental. 🙂
Esse eu não ando a ler, ando a estudar.
Coisas diferentes, ainda que ambas impliquem seguir as letras com o olhar 🙂
Adolfo, sugiro que acrescentes ao post aquele minúsculo video da Iron Lady que me dedicaste. Vê-se num ápice e acrescenta a esta figura, sempre rotulada de rígida, uma dimensão que, confesso, foi para mim uma surpresa: o humor, o maravilhoso british humour.
Oh querida Ana! h03_QbqhHg
Tenho então de fazer-te uma visita guiada ao sentido de humor da Thatcher, algum dele absolutamente espontâneo.
Este, por exemplo:http://www.youtube.com/watch?v=2
Sem querer meter a a colher será que alguém me pode dizer qual foi esse vídeo que o Adolfo M. mostrou? Tal como a Ana estou sempre pronta para presenciar o humor da Iron Lady.
Obrigada.
O vídeo foi sugerido a propósito das possibilidades de começar de novo…
http://www.youtube.com/watch?v=2t1yQqhN PKg
Adolfo, a Agustina acharia piada!
(só quando chegar o ano da “tal” candidatura é que a revelação das leituras terá de ser … previamente tratada … )
A Agustina ia travessamente cooperar na coisa, até 🙂
Vai esperando sentada por essa outra 😛
Apesar de não simpatizar com Thatcher e muito menos com as políticas que defendeu e implementou é uma figura importante que gostaria de conhecer melhor. Aguardo o filme e o prazer de rever Meryl Streep . E gostei bastante do documentário que passou há uns dias atrás na RTP sobre os seus últimos dias no poder.
Esse documentário é muito interessante, Ana. E pensar que um dos seus melhores discursos de sempre no Parlamento foi precisamente nesses derradeiros dias… 🙂