O “Público”, Sousa e a Feira do Livro


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Uma cidadã, cuja aparência associa àqueles que os costumes lisboetas do lumpen-jornalístico sempre cuidam de desvalorizar intitulando-os como “popular” ou “mulher/homem”, invectivou o presidente Sousa na Feira do Livro. Teve o surpreendente efeito de o fazer apelar ao voto anti-PS, coisa nunca ouvida até agora.

O interessante da cena é o compungido editorial do director do “Público”, até indignado por assim se destituirem os políticos “da dignidade dos seus cargos e do estatuto das suas funções”, dizendo o episódio um “prenúncio do que aí vem” de desvalorização dos políticos, não deixando de melifluamente aventar que se tratou “apenas [de um]a peça de uma engrenagem montada por um partido populista” e invectivando que se “perturbe a agenda do chefe de Estado”, e que tal “tenha direito à glória nas televisões e mereça ainda aplauso de alguns que, dizendo-se defensores da democracia, aplaudem incidentes que a degradam”.

É um editorial canino, aquilo da célebre “voz do dono” e espelha bem o que é este jornal, o mainstream PS e os acólitos (ex-)Livre. Apenas como ilustração deste seguidismo aqui deixo um filme de 2012, breve trecho da pantomina acontecida quando o PM Passos Coelho foi à Feira do Livro. Nem este plumitivo gemeu nem os seus adeptos leitores se indignaram ou sentiram o prenúncio do apoucamento democrático. Gente vil, nada mais do que isso.

7 comentários em “O “Público”, Sousa e a Feira do Livro”

  1. ” Teve o surpreendente efeito de o fazer apelar ao voto anti-PS, ”
    Parece se se ouvir a frase isolada. Ouvindo tudo percebe-se que a senhora não entende bem o que é a democracia e que Marcelo tenta explicar-lhe, dizendo que não se pode correr com esta gentalha (palavra dela) porque foram eleitos pelos eleitores portugueses e só há uma maneira que consiste em convencer o povo a votar de outro modo.

  2. Em situações destas, faço sempre questão de recordar a rábula com que, em 2013, uns homúnculos estudantes da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa receberam Passos Coelho: um coelho morto pendurado numa forca. Como não colecciono o jornal, gostaria imenso de saber se o Público da altura (que publicou deliciado fotografias do evento) também se perturbou com a perturbação da agenda do chefe de Governo e que alguns badamecos “tivessem direito à glória nas televisões e merecessem o aplauso de alguns que, dizendo-se defensores da democracia, aplaudem incidentes que a degradam”.

    1. ” incidentes que a degradam”.”
      Degradam mesmo? E se fossem proibidos os incidentes degradantes? Seria melhor? Há sistemas políticos em que são punidas atitudes que desprestigiem o país ou a Pátria. Por exemplo, na China e na Bielorússia. Os incidentes que degradam (geralmente são aqueles de que não gostamos) não devem ser permitidos ou devo antes pugnar por que o que me desagrada seja permitido?
      Essa do coelho pendurado seria permitida na China ou na Bielorússia? Ou, a acontecerem e não serem punidos por lei, deveriam os media ocultar?

  3. Costa está a provar do mesmo remédio que assombou a legislatura de Passos Coelho, e não está a gostar – e sem o travão do Tribunal Constitucional, que noutros tempos “inconstitucionalizaria” quarentenas, máscaras, confinamentos, proibições de festas e ajuntamentos, lay-offs, e presidentes de junta a mandar fiscais de parquímetros prender gente. E sem uma oposição que se veja. E sem a imprensa a martelar quotidianamente. Até sem que aquela senhora “representante” da 3ª idade dê um pio.
    A aptidão dos socialistas para gerir crises não é igual à de as criar.

  4. Se algo de degradante encontrei no discurso da mulher para o PR foram as condições e meios com que ela disse viver.
    Portanto, em matéria de degradação a direita só se compadece com os direitos quando o discurso se volta para seus opositores.
    Fica provado e comprovado que a amálgama política de que se compõe e decompõe esta nação está direccionada para o regime e clientelas. Sobejando desta prova e comprovação que o povo, quer os direitistas quer os esquerdistas, pelo voto demonstram não saber viver de outra maneira.

    O povo e os ditos políticos gostam de dramas. E o drama que agora uns e outros vão impingindo é o da 2ª vaga de Covids ou da Covid. Bem, é um drama e um romance mal amanhado, pois se nisto acreditasse concluiria que o bichinho é tão inteligente que até é capaz de pedir reforços para fazer o seu assalto.
    O bicho não vem por vagas. Ele continua serenamente o seu caminho, que é tão oportunista quanto os oportunistas que dele se valem para fazer prevalecer um conto que justifique a inépcia em lidar com o animal desde seu início e, usando-o, permita amordaçar ainda mais os direitos e liberdades que há muito estão no papel para que se comprove sua ineficácia nesta nação de pobres pedintes e alguns anafados pedinchões, em nome do povo, dizem.

    Dizem os direitistas e os esquerdistas que muito se preocupam com os vulneráveis. E o caso dos lares nesta nação está aí para demonstrar que o tema é bem antigo e o percurso sempre foi mal amanhado quer em termos de fiscalização quer em termos de respeito por tão vulnerável população.
    Serve este último exemplo para demonstrar que viver com 300 euro/mês a comer pão importa tão pouco quanto aqueles que mesmo pagando 1000, 2000, e até mesmo 3000 euro/mês em um qualquer estabelecimento não garantem direitos nem deveres de quem deve em suas vidas.
    E aquilo que agora lhes querem oferecer nada mais é que confiná-los a um confinamento que já existia.
    Tenham juízo e sejam felizes.

  5. Ontem, até num daqueles acasos cada vez mais raros, deu-me para ligar à RTPi: estava a dar um programa transmitido a partir da Nazaré, em que o convidado era o Paulo de Carvalho. Não creio que revele uma chocante novidade ao dizer que ele foi o autor do 1.o hino do PPD porque, segundo ele, se convenceu, na altura, de que o PPD era um partido honesto e que, nessa suposta honestidade, até era de esquerda como se reclamava («O que é facto é que o PPD tinha na sua linha programática a “via para o socialismo”» – https://www.tsf.pt/portugal/politica/o-autor-do-hino-do-ppd-achava-que-era-para-um-partido-de-esquerda-11342206.html).
    Eu, como que por um mero acaso até passei a 2.a metade de 1974, em Portugal e, ainda por cima muito desse período, numa aldeia chamada de Ferreirim de Sernancelhe (https://pt.wikipedia.org/wiki/Ferreirim_e_Macieira), onde a minha mãe nasceu e, do que me lembro, é que sempre que por lá falava na tal “via para o socialismo” havia sempre um, ou outro, exaltado do PPD que me ameaçava com uma das cadeiras do café. Claro, o PPD logo que se conseguiu livrar do “sapo vivo” da «via para o socialismo» transformou-se no PSD, cujo clímax ideológico se revelou com o PPC. Pelo caminho até experimentou o “Sousa”.
    Jpt, resolveu ir buscar um artigo do Manuel de Carvalho (edição do dia 28 do Público) para até, com este seu “post”, confirmar o conteúdo do mesmo… ie, confirmar o facto de que os demagogos populistas se estão a aproveitar da (natural e inevitável) crise económica/financeira/social provocada pela Covid-19, para ganharem terreno político.
    O “Manuel Andrade” até já abordou aqui (https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/o-publico-sousa-e-a-feira-do-livro-11742076?thread=95465340#t95465340) uma das mais surpreendentes “leituras” do acontecimento-pretexto, por parte do jpt. Sobre as restantes “leituras” que são apenas mais do mesmo: sim, lá está o habitual ataque populista às “elites”, até apimentado com o seu qb da tradição herdada do “PREC”, a do sul (“costumes lisboetas”) vs norte («cuja aparência associa àqueles que os costumes lisboetas do lumpen-jornalístico sempre cuidam de desvalorizar intitulando-os como “popular” ou “mulher/homem”»); mas também inevitável teoria conspirativa do marxismo cultural («É um editorial canino, aquilo da célebre “voz do dono” e espelha bem o que é este jornal, o mainstream PS e os acólitos (ex-)Livre» – o recurso aos «acólitos (ex-)Livre» só serve, aqui, para reforçar a teoria para os que ainda não descobriram o “intrínseco” marxismo cultural do actual PS) e claro, ele não poderia deixar de terminar sem citar o que para ele, é um perfeito exemplo de injustiça por parte dos “costumes lisboetas do lumpen-jornalístico” («apenas como ilustração deste seguidismo aqui deixo um filme de 2012, breve trecho da pantomina acontecida quando o PM Passos Coelho foi à Feira do Livro» – não, ele não está a falar do Cavaconço PR da altura mas sim do António Costa, desculpem-me! queria dizer, do Passos Coelho mas sejamos sinceros: na verdade, Cavaco, António Costa e o “Sousa”, são até todos farinha do mesmo saco da podridão em que a nossa democracia se torou ou como insistiu a «”popular” ou “mulher/homem”» no episódio em questão: o “Sousa” deveria de «pôr a andar essa gentalha toda, toda do governo que nos estão a matar aos poucos?»
    Ela, às tantas até diz que nunca votou na tal “gentalha” – e até acredito que sim, como também acredito que houve outros que até votaram nesta “gentalha” porque estavam fartos da outra “gentalha”… o que até não os impedirá nos nossos “chegas” da vida.

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