
Foi no twitter (onde quase nunca vou), no mural de um prezado co-bloguista [do És a Nossa Fé], que encontro isto. Um “cartoon” de Cristina Vieira, publicado no Público no passado fim-de-semana. A ilustradora tem todo o direito de o fazer. O critério editorial do jornal é que tem muito que se lhe diga. OK, é o “Público”, pejado de extremo-esquerdistas, mas não tem direcção?

recomendo-lhe a leitura https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/o-p oliticamente-correcto-11314541
Obrigado pela referência bibliográfica (e saúdo a ironia, sempre apreciável). Mas, terá que concordar comigo (espero, ainda que juiz em causa própria seja sempre enviesado), o sentido do postal é algo diferente do esparramado na ilustração. E há outra coisa: ainda que em blog colectivo, e sob a coordenação liberal, curial mas atenta, do Pedro Correia, a irresponsabilidade (assim mesmo) editorial de um bloguista é gigantescamente maior do que a de um colaborador de um jornal.
Não vejo qual é o erro do critério editorial.
O cartune não é ofensivo contra a religião, a orientação sexual, a origem étnica, etc de ninguém.
Dizer que alguém é semelhante a Hitler é um argumento vulgar (reductio ad Hitlerum) em discussões. Tem pouco ou nenhum rigor argumentativo, mas não é ofensivo.
Também acho que não é “ofensivo”. É apenas uma parvoíce.
Qualquer jornal tem colaboradores regulares. Paga-lhes uma avença mensal e, em troca, eles preenchem de forma regular uma certa área do jornal. O jornal não pode deixar de publicar aquilo que esses colaboradores lhe fornecem, a não ser em caso de força maior (caso contrário, estaria a obrigar o colaborador a trabalhar a dobrar). Ou seja, mesmo que os colaboradores forneçam uma parvoíce, o jornal publica-a. O jornal só deixará de publicar se o colaborador ultrapassar claramente uns certos limites (for ofensivo, etc).
A colaboradora regular Cristina do Público pode desta vez não ter sido muito feliz, mas não ultrapassou nenhum limite, portanto o jornal publica o trabalho dela.
Os colaboradores regulares têm obrigações a cumprir: têm que preencher uma certa área do jornal uma vez por semana (por exemplo). Nem sempre têm a melhor inspiração para isso. Uns dias fazem um bom serviço, noutros um serviço muito forçado. Acontece à Cristina, tal como a todos os outros.
É uma parvoíce ofensiva!!
se a cristina tivesse bom gosto, tinha feito o boneco ao contrário, começando pela swastika.
Não era bom gosto — era se fosse culta.
Não conheço a autora, não posso opinar.
O actual Público, pálida sombra daquele Público que já foi um jornal de referência, parece cada vez mais uma extensão em papel do Esquerda.net. É uma espécie de Acção Socialista do Bloco de Esquerda, com a ironia de a sua sobrevivência continuar a estar dependente dos lucros da capitalista Sonae. Considerando isto, a abstenção do Bloco no voto de pesar pela morte de Belmiro de Azevedo assumiu contornos de extrema hipocrisia.
é isso mesmo, há muito tempo que o Público é o “braço escrito” do berloque.
João Sousa, a referência à abstenção no voto de pesar é muito bem lembrada. Quanto ao resto, ainda que nunca tendo lido o Acção Socialista não tenho a certeza se será mais vinculado ao seu partido do que o Público segue junto ao dele.
Cristina Sampaio.
É mais uma ilustradora que uma “cartoonista”.
Isto dos “cartoons” é uma arte e não é artista quem quer.
Qual a diferença entre uma “ilustradora” e uma “cartonista”?
«Isto dos “cartoons” é uma arte e não é artista quem quer.»
Pois não… no nosso tipo de sociedade, “artistas” são os que conseguem publicar as suas “obras” até em jornais como o Público
Sr. António Vaz,
Um “cartoon”, como eu o entendo, é um artigo de opinião, exposto com traços e com riscos.
Um exemplo, Sam, no antigo Diário de Notícias.
Outro exemplo, António, no Expresso.
Um exemplo estrangeiro, Mordillo, em França; era um argentino que não dominava, ainda, a língua, francesa, passou a imagem em desenhos, sem palavras.
Cristina Sampaio é uma ilustradora, talhada para decorar palavras de outros.
“O que é bom não é original e o que é original não é bom”
“Cada macaca na sua falha” (para ser inclusivo).
Pode ser-se uma óptima ilustradora mas uma péssima “cartoonista”.
A ilustração/o desenho decora/embeleza palavras de outros ; o “cartoon” é o princípio do fim, é a mensagem.
Sei que isto já vai longo mas como apreciador de banda desenhada, adoro o traço/o desenho de Luís Louro; não o acho talentoso como argumentista.
«A ilustração/o desenho decora/embeleza palavras de outros ; o “cartoon” é o princípio do fim, é a mensagem.»
Foi isso mesmo que eu vi na imagem aqui exposta pelo jpt: uma “mensagem” – foi por essa razão (uma «mensagem») que até o jpt descobriu uma razão para colocar um “post” no DO, já para não falar dos muitos comentários por parte dos leitores do blogue…
Sim, confesso que não conheço o “curriculum” da Cristina Sampaio… comento, assim, apenas a imagem disponibilizada por este “post” do jpt e para mim, ela é um perfeito “cartoon político”…
É claro que não estou contra os seus gostos («adoro o traço/o desenho de Luís Louro; não o acho talentoso como argumentista«) mas nem por isso os acho como relevantes, quanto à questão que lhe coloquei
Envio-lhe uma ligação que pretendia anexar ao meu anterior comentário, enviado prematuramente: aniel-maclise-what-is-a-cartoon
https://www.royalacademy.org.uk/article/d
Ups, o “jpt” acabou de descobrir que o Público até se está a tornar num novo antigo DN, aquele do PREC controlado pelo Saramago, descrevendo-o como «pejado de extremo-esquerdistas, mas não tem direcção?»…
E porquê? Por causa de «Um “cartoon” de (uma tal) Cristina Vieira, publicado no Público no passado fim-de-semana», no qual ela metamorfoseia o logotipo do CDS-PP naquele símbolo, por todos nós reconhecido como o do partido Nazi… Porque motivo? Provavelmente, julgo eu, por causa de um dos seus novos dirigentes ter, aqui há uns anos, andado a escrever umas idiotices – sim, é claro que sim, típicas de adolescentes idiotas que não perceberam que o CDS-PP nunca foi o que sempre foi – elogiosas quer da PIDE, quer do Salazar, ao mesmo tempo que denunciava o carácter de agiota de um tal Aristides Sousa Mendes que, para ele (e não só), não passava de um explorador anti-semita da miséria dos judeus que, por não gostarem do Hitler, decidiram imigrar para outras paragens…
Confesso que desconheço ao que o “jpt” apela neste seu “post” embora tenha a certeza que nem é à censura no Público… já que isso, hoje em dia, de acordo com o costumeiro “critério editorial” deste blogue, isso é coisa dos politicamente correctos, extremo-esquerdistas e etc
Vaz para além do embirranço com que costuma vir aqui e do vácuo que tecla há-de explicar a razão dessas aspas com que rodeia as minhas iniciais? É para apoucar? Não incomoda, nem surpreende. A gente sabe que quem goza com os nomes alheios é estúpido. E isso condiz.
Não jpt, não é por mera embirrança que costumo vir ao DO mas (até julgo eu que) pela mesma razão com que qualquer um dos seus habituais leitores (e em especial os que até se dignam a comentar os vossos “posts”) vem: ler o que alguns dos autores deste blogue, conotado com a Direita, pensa e transmite pelos seus escritos, sobre uma série de factos que nos preocupam no nosso dia a dia.
Lamento se eventualmente alguma vez lhe passei essa imagem (errada) de que “embirro” consigo: apenas não concordo consigo em 90% dos seus “posts” mas V. até não é “o” caso único por aqui.
Mas uma coisa sempre lhe posso reconhecer: se há os que me “censuram”, vetando a publicação dos meus comentários, e/ou os que me “ignoram”, fazendo de conta que não “embirrei” com eles, da sua parte – pelo menos até hoje – sempre recebi uma resposta… e, por isso, até só o diferencio positivamente dos outros com que no DO “embirro”.
PS1. Deduzo que até deve ter notado que deixei de usar as aspas quando mencionei as suas iniciais…
Sempre que as usei antes, confesso-lhe, nunca me passou pela cabeça tudo isso que me atribuiu: «para apoucar» ou «goza(r) com os nomes alheios»… e ainda mais sinceramente, lhe digo que, nas suas iniciais, nunca me passou pela cabeça qualquer razão para as aproveitar com essas intenções mesquinhas que resolveu me atribuir: apenas as punha entre aspas porque sempre as entendi como um “nickname”!
PS2. « E isso condiz.» Não, não condiz mas isso até nem interessa agora…
Eu acho imensa piada a essas coisas da direita e da esquerda, e é um bom humor que muito me brota por duas décadas noutras paragens, que não fizeram de mim um estrangeirado mas apenas um estupefacto com a contínua estreiteza dos patrícios por cá, mais lestos na colecção de cromos do que na chinchada. Enfim, preâmbulo para lhe deixar algo – ele há coincidências! – que acabo de deixar no meu mural de FB e que vem algo a propósito do seu comentário aqui. Não apenas por causa do nome mas acima de tudo pelo que a pequena “Lisboa” (de Minho a Madeira, indo beber um copo aos Açores) continua a perorar sobre “direita” e “esquerda”. Aqui lhe deixo o resmungo, esperando não o cansar (vai em partes, que é longo e o sistema SAPO coloca limites aos comentários)
O meu nome? José Flávio. “Flávio” por nome de avô paterno. Para meu desgosto juvenil. E fui “Flávio” até à universidade, só já doutor disso me libertei. Para os amigos? “Zezé”. Não “Zezé” porque “bem”, “queque” ou “beto” (na velha tipologia que o MEC celebrizou). Mas “Zezé” porque Zés muitos havia e fiquei, aos 10 anos, no Maracangalha dos Olivais, “Zezé Moreira”, então célebre treinador brasileiro em breve comissão no Boavista … E, muito raramente, ainda há quem, olivalense está claro, me chame “Zezé Moreira”, assim logo a desfazer-me em serôdio carinho.
O meu nome? Taveira (amputado do seguinte Pereira, por motivos de espúria economia no registo), o lado matrilinear transmontano. Trisavô capitão-mor de Mogadouro, ao que consta, bisavô “centurião de África”, morto em Angola pelas sezões na ocupação de um qualquer Uíge, avô oficial do 28 de Maio. E o devido, pois patrilinear, Pimentel Teixeira, também apelido compósito. Origem? Maçãs de Dona Maria, ali para o centro do país, concelho de Alvaiázere. Nome de séculos, parece que um qualquer rústico daquela colina comprou uma carta de armas em meados de XVIII – cacique local, está visto, acontece nas melhores famílias.
O meu nome? Tal como o meu avô o fora Pimentel foi o meu pai, “engenheiro Pimentel” nos serviços, “camarada Pimentel” em tanto do resto. Porque mais raro do que Teixeira, e porque não fez a tropa naqueles seus anos 40s. Mas eu? Teixeira, desde a primeira tarde no Calhau, o alferes de Mafra a vociferar um “Sô Teixeira” isto ou aquilo, pois até aí fora o tal “Flávio” para os que não me “Zezéavam”. E desde aí o meu nome? Zé Teixeira, em quase todo o lado.
Mas depois, já em Maputo, tive um chefe, delicioso, que me chamou, quando colérico ou entusiasmado, “jpt”. Assim bloguei anos, o Zé Teixeira em Maputo a blogar “jpt”. Um dia apareceu-me o facebook, em 2008/9. Criei uma conta para divulgar o blog em nome de “José Pimentel Teixeira” (o FB não aceita iniciais). Pouco se lembrarão disso, mas houve então uma polémica lisboeta, uns ciosos (até bloguistas, e gauchistes, claro está …) a vociferarem contra os nomes compósitos, “cagança” ululavam … E eu deixei cair o Pimentel, pois de facto não o uso na vida, só no tal blogal “jpt”. E nos seus sucedâneos, nas coisas de teclas. Porquê? Pela tal coisa blogal, um tipo habitua-se a assinar assim … Mas, aqui entre nós, que ninguém me ouve, também um pouco por cagança, pois de facto o uso da maioria dos compósitos é mesmo isso. Não sempre, mas muitas vezes …
Porquê este longo arrazoado, quase intimista? Li ontem este artigo, vero manifesto da esquerda actual. Contra muita coisa e, nisso, contra a recente estátua lisboeta do Padre António Vieira, coisa do presidente Medina, ao que julgo entender. E concordo, aquela estátua -se fosse importante – não tem ponta por onde se lhe pegue, estetica e conceptualmente, bloguei-o aquando da festarola inaugural.
https://www.publico.pt/2020/02/02/socie dade/ensaio/padre-antonio-vieira-pais-co rdiais-eterna-leveza-anacronismo-guardia es-consenso-lusotropical-1902135?fbclid=I wAR3ZjB9iQfKESCZJ6AmzfSuPsi18U8kKTKpZ-9y d4Hl09W67uuqIvfWOZqc
Mas o artigo tem muito mais coisas, as atoardas contra o nosso passado malvado, como se esse estivesse a acontecer e fosse necessário sustê-lo. Os apelos à destruição das tralhas a que chamamos monumentos, pois demoniacamente colonialistas, como se tudo fosse Palmira, a Idolátrica. E os tão necessários elogios a Katar Moreira e a Ba, como se estes arautos do vento que passa. Opiniões, a cada um as suas …
Mas o que adorei foi o ditirambo contra uma gente que é o “comentariado tradicional, grisalho e conservador – predominantemente masculino, branco, lisboeta e de uma certa classe social”. Depreendo que falem de gente que vai à TV e aos jornais e que não aprecia o dr. Ba e a dra. Katar Moreira. E que não pugna por derrubar estátuas, bustos, igrejas, menires e sucedâneos que por aí abundam, pais afora.
O douto artigo é escrito a oito mãos. Googlei-os, aos donos das mãos: 2 brancos de sexo masculino, 2 brancas de sexo feminino (quanto ao género só eles poderão responder, julgo que esse é o paradigma agora respeitável). Ainda não grisalhos, ao que surgem. Tratam-se de quatro pessoas daqui idas para universidades americanas, nas áreas de ciências sociais e humanas. E os quatro assinando com … nomes compósitos.
Mas muito indignados com …. “uma certa classe social”.
Isto é patético.
«Eu acho imensa piada a essas coisas da direita e da esquerda»
Raramente, jpt, costumo comentar sobre o sentido de humor de cada um… é que a minha posição sobre essa transcendental atitude da Humanidade, é (mais coisa, menos coisa), precisamente a mesma que V. manifestou sobre o género dos 4 «donos das mãos» responsáveis pelo tal artigo publicado no «novo antigo DN, aquele do PREC controlado pelo Saramago»: «só eles poderão responder» sobre elas!!!
O que eu achei de estranho, nos seus 3 comentários, foi essa sua tentativa de se reivindicar como não-estrangeirado («não fizeram de mim um estrangeirado»… apesar das tais «duas décadas noutras paragens»), mas lá está, depois até nem consegue evitar embarcar na habitual ladainha corriqueira do histórico discurso dos nossos “estrangeirados”: «estupefacto com a contínua estreiteza dos patrícios por cá, mais lestos na colecção de cromos do que na chinchada», sim, essa ralé da «pequena “Lisboa” (de Minho a Madeira, indo beber um copo aos Açores) [que] continua a perorar sobre “direita” e “esquerda”»… e não se engane jpt, eu não o achei porque me senti “picado” com a sua descrição: é que eu, nos meus demasiados 59 anos, até nem passei «duas décadas noutras paragens» mas, pelo contrário, próximo de 5 aninhos na «pequena “Lisboa” (de Minho a Madeira, indo beber um copo aos Açores)».
Do resto, confesso que até nem o percebi…
A ilustração pretende dizer que o antigo CDS se tornou no partido Nazi?
Se for isso o mais estúpido é a desvalorização do que o nazismo foi.
completamente. Uma patetice.
As pessoas fixes de esquerda costumam concordar e defender com quem não gostou de um cartoon e entra de metralhadora pelas redacções, mata toda a gente e depois ainda assassina meia dúzia de polícias durante a fuga — mas eu aconselho a que não se faça nada disso quando vemos um cartoon que nos desagrada. Mesmo se for ofensivo para nós.
É não ligar. Só os barbudos com toalhas na cabeça é que ligam a estas coisas.
Eu não quero matar ninguém, apesar de usar barba. Apenas resmungo “que parvoíce”.
Para construção da memória, aqui fica:
https://www.dicionariodesimbolos.com.br/s uastica/
https://www.significados.com.br/suastica/
https://pt.wikipedia.org/wiki/Su%C3%A1st ica
Por três vezes fui assinante do público, a primeira delas, com assinatura kindle da amazon, que deixei ao fim de algumas falhas no fornecimento diário do jornal, em que a amazon sempre me pedia desculpa pelo sucedido, mas indicando que a culpa era do público não lhe fornecer o ficheiro atempadamente. Depois fui assinante mais duas vezes na versão electrónica, que deixei, sempre, porque o enviesamento ideológico da escrita era demasiado marcado, até para o meu considerável índice de tolerância.
Tem razão. O Público foi um excelente jornal – agitou as águas quando apareceu. Sempre teve um viés à esquerda, apesar das diferentes direcções, o que proviria tanto de se dirigir a um público urbano classe média (predominantemente lisboeta) e das características sociológicas da sua redacção. Mas nos últimos anos (década?) tem uma hoste crescente de BE que o torna … peculiar.