O PSD a votos (9)


Pedro Correia,

 

Esperavam um debate com elevação e respeito pelos adversários? Desiludam-se: este é o PSD, o partido cujos guerreiros persistem em não reconhecer a Convenção de Genebra. Pretendiam solidez e seriedade intelectual na troca de argumentos? Foram bater à porta errada. O partido que teve oito líderes desde 1995 e que perdeu quatro das cinco eleições legislativas desde então realizadas está tão sôfrego de poder que mal perde tempo com essas minudências: ataca-se à bruta e sem consideração intelectual pelos companheiros.

Ambicionavam ver a inteligência ao serviço da política? O melhor é esperarem sentados: a inteligência laranja rumou a parte incerta, dando lugar aos mais sectários comentadores de cachecol, de que Vasco Graça Moura é o expoente máximo. Em artigo no Diário de Notícias do passado dia 24, entre desesperados apelos ao "entendimento" entre Paulo Rangel e José Pedro Aguiar-Branco contra a "candidatura menor" de Passos Coelho, o ex-eurodeputado dispara: "A derrota de Passos Coelho é a primeira condição para a derrota do actual Governo. A derrota do actual Governo é a primeira condição para o País sair do caixote do lixo."

No seu sectarismo galopante, Graça Moura mal se apercebe das contradições em que vai tropeçando. Eis a primeira: para quê a necessidade desses lancinantes apelos à "união" dos candidatos Rangel e Branco se Passos protagoniza uma "candidatura menor"? E eis a mais significativa: se derrotar Passos constitui condição para destronar Sócrates do poder, um eventual triunfo do ex-líder da JSD nesta campanha interna, inversamente, representará afinal uma vitória do primeiro-ministro. Bem folgará ele com estes balões de oxigénio que lhe dispensa o generoso Graça Moura…

O poeta que rompeu com Francisco Sá Carneiro em 1975 sabe, evidentemente, que nada disto bate certo mas insiste em rubricar estas rudimentares epístolas aos zelotas, como se o povo laranja fosse destituído de massa cinzenta. Nada de espantar, da parte de quem já anteviu destinos políticos fulgurantes a Luís Marques Mendes e Manuela Ferreira Leite, esta recomendação de que se fundam agora os rivais de Passos.

Se a tese de Graça Moura vingasse, o próximo líder do PSD chamar-se-ia José Pedro Rangel ou Paulo Aguiar-Branco. As fusões costumam dar nisto. Verdadeiras confusões.

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16 comentários em “O PSD a votos (9)”

  1. Eu continuo a dizer:
    Quando não conseguem unir-se, como conseguirão governar o País?
    como diria o meu pai:
    “Politicos e cães de caça, é tudo a mesma raça”

      1. Infelizmente estamos a caminhar a passos largos para a insustentabilidade e incapacidade de governação.
        Considero que o Governo que temos é o melhor nesta altura,não tanto por mérito próprio,mas muito mais por demérito da oposição.
        E quando começo a ouvir este iluminados a discutir entre eles,só me apetece dizer:
        “Agora é ca mota num pega…”

          1. “Per bona verba venditur mala herba”.
            Há muito tempo que a nivel politico, todos tentam vender coisa ruim com muito paleio…
            Continuo a manter a minha opinião que vale pouco ou nada, mas acredito que nos últimos tempos temos assistido claramente a uma caça ao homem que está aos poucos a produzir os efeitos contrários ao pretendido pelos supostos predadores…
            E isso reflecte-se no nervosismo,indecisão e capacidade dos opositores citados no texto do blog.
            Para bem do País era bom que de uma vez por todas eles arrumassem a casa para que um dia sejam dignos de confiança…

        1. Não pode ser, Jorge, veja a enormidade do que disse: ”Infelizmente estamos a caminhar a passos largos para a insustentabilidade e incapacidade de governação.”. Assim sendo só nos restaria a revolução, uma guerra civil, entregarmo-nos aos espanhóis, metermo-nos a fundo na jangada de pedra?

          1. Guerra civil não, porque estamos mal de munições, eh eh eh
            Entregarmo-nos aos espanhóis, noutros tempos até nem era má ideia, mas agora eles também andam pela rua da amargura. Mas infelizmente pelo mundo fora ainda há quem continue a dizer que somos uma provincia de Espanha lá para o canto da peninsula…
            Metermo-nos a fundo na jangada de pedra? E com uma mó de moínho ao pescoço?
            eh eh eh
            Claro que não, mas o que é certo é que parece que á aquilo que a oposição quer. Não deixam fazer nada. E depois o pouco que fazem dentro de casa é só asneiras…
            Como já disse algures; estamos fecundados…
            Continuo a acreditar no Governo,mas isto é como em mar alto, estamos todos na mesma jangada e temos que remar para o mesmo lado e em uníssono.

    1. “Cada dia que passa sem este Governo ser derrubado é tempo perdido e isso é o pior que pode acontecer a Portugal. Vivemos num tempo de anedotário picaresco de boys e serventuários de uns políticos de poucos escrúpulos e sem categoria nenhuma. Na última semana, e para que conste, houve quem recapitulasse a impressiva cadeia de poucas-vergonhas, manipulações e cambalhotas que vão todas dar ao mesmo sítio e, directa ou indirectamente, à mesma personagem. Ninguém pode agora pretextar esquecimentos ou lapsos de memória.”

      Apanhei apenas este extracto e colei, só para lembrar que esta questão dos lapsos de memória pelo visto é denominador comum…

      Seria propicio perguntar ao Dt Vasco Graça Moura se por acaso não tem nenhum problema que lhe bloqueie o cérebro…
      Srá problemas com aquele Alemão que se chama Alzheimer?
      É que podemos começar todos aqui a recordar os “jobs for the boys” que tantos apregoam e que são comuns a todos os partidos politicos…
      Ou falaremos de casos Bpp, Bpn por exemplo com elementos ligados a…?
      Continuo a dizer:
      “Politicos e cães de caça é tudo a mesma raça”

  2. Portugal precisa de dois partidos fortes

    O PSD precisa com urgência de reconstruir uma narrativa ao centro/centro-esquerda. Cada vez que engrossa a voz à direita, o CDS «desincha » 3%, mas o crescimento fica por aí. É imprescindível valorizar o papel dos serviços públicos no desenvolvimento do país. Ontem assisti a um espectáculo de ballet num teatro de Lisboa. Olhei à volta, a sala estava cheia, as pessoas de todas as idades vestiam informalmente. À minha frente, um casal de diferentes etnias com uma criança que abraçava um urso de peluche. Dei comigo a pensar. Nesta sala está o Portugal moderno. Quarenta anos atrás, estariam muito menos pessoas na sala. Os visons, fatos a rigor, gravatinhas de seda e sobrolhos arqueados marcariam presença. O Portugal desdentado, descalço e analfabeto tem sido progressivamente substituído por um Portugal mais bem educado, com muito melhor saúde e segurança social. E isso é resultado, em grande parte, da politica e das politicas seguidas e materializadas nas nossas escolas e nos demais serviços para além do grande esforço de construção pública subsequente à entrada na UE, grande parte dela executada pela iniciativa privada portuguesa. Sempre a muito custo, pois no nosso país nada se faz sem uma permanente e eterna discussão. A maior parte dos votantes em Portugal está no centro e centro-esquerda. Se é necessário haver alternância, então o PSD deve reconstruir a narrativa e deslizar suavemente da Escola de Chicago para Krugman .
    Se não, então podemos vir a assistir ao predomínio partidário tão ao gosto da 1.ª República que o país não precisa . É necessário substituir a politica reles pelo confronto de projectos

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