A viabilização do PEC graças à abstenção do PSD, decidida por Manuela Ferreira Leite no último dia do seu mandato, foi avaliada pelos militantes do partido sem margem para dúvidas: só 3,6% a apoiaram. Foi esta a percentagem obtida pelo candidato Aguiar-Branco, o único que esteve em sintonia com Ferreira Leite nesta matéria.
O PSD a votos (29)
Pedro Correia,

Bom dia Pedro.
Permita-me discordar. Penso que a fraca votação em Aguiar-Branco não se deveu à sua posição em relação ao PEC. Penso que terá sido mais por causa do seu percurso, enquanto Ministro e líder parlamentar. E, acima de tudo, a vontade de renovar o partido, de avançar, de colocar para trás o cavaquismo, de deixar para trás todas trapalhadas, todas as guerras entre facções, de que Aguiar-Branco fez parte enquanto apoiante de Ferreira Leite. Estou convicto de que, apesar de merecer mais, nunca teria uma votação superior, mesmo que Ferreira Leite rejeitasse o PEC ou Aguiar-Branco se declarasse contra.
Abraço e bom fds.
Caro Ricardo,
Não digo que a fraca votação em AB se tenha devido à sua posição em relação ao PEC. Digo, o que é diferente, que a posição de MFL sobre o PEC – secundada por AB – só foi sufragada por 3,6% dos militantes. Isto é factual: os outros candidatos defenderam o voto contra na resolução sobre o PEC.
Pedro, reforço o que escrevi: lá por 3,6% dos militantes terem votado Aguiar-Branco, não quer dizer que apenas esses concordem com a abstenção do partido na votação do PEC. De certeza, que há quem tenha votado Aguiar-Branco e esteja contra o PEC e, certamente que muitos, votaram Passos Coelho e Rangel e fossem a favor da abstenção. Foi o mesmo argumento utilizada em relação ao casamento homossexual, nas últimas legislativas. Muitos dos socialistas alegaram que o tema foi a sufrágio e que a maioria aprovou (votando PS, BE e PCP, partidos que são a favor). Na altura discordei deste raciocínio, precisamente pelas mesmas razões. Por exemplo, o meu voto foi decidido sem tomar esse aspecto em conta. Tal com a minha preferência por Passos Coelho nada teve a ver com a posição dele em relação ao PEC (se fosse militante, teria votado PPC e, apesar de ter medidas erradas – o Pedro até linkou aqui um texto meu sobre essa matéria – tenho que concordar com este PEC, pois a alternativa teria que ser ser bem pior).
Abraço.
Não havia alternativa a este PEC? Em democracia jhá sempre alternativas, só em ditadura não há. Registo que o meu caro amigo está em desacordo com Mário Soares, Manuel Alegre, João Cravinho, Ana Gomes, Pedro Adão e Silva, Paulo Pedroso e outros ilustres socialistas.
É óbvio que há alternativa. Mas piores do que esta versão. Em termos gerais – é nesse nível que digo que concordo com ele, na globalidade – compreendo que é o PEC possível. Não é por acaso que as instituições internacionais (todas elas) elogiam este PEC. Claro que tem erros e apontei alguns deles e esperava que fossem corrigidos (não foram), mas olhando para o todo não é péssimo como alguns querem fazer crer.
Abraço.
PS: quanto aos socialistas de que falou, são mais as vezes que discordo do que as que concordo com eles.
Ilustres socialistas, diz bem. Mas estão a falar de fora. Duvido que, se estivessem com o menino ao colo o tratassem de maneira muito diferente.