O PS em convulsão.


Luís Menezes Leitão,

 

Seguro fez uma jogada política de resultado incerto: eles querem um congresso antecipado? Pois vão tê-lo. É uma jogada que traz sérios riscos quando, como referi aqui, bastava a Seguro chegar às autárquicas para a liderança não lhe poder mais ser disputada. Mas o grupo socrático não lhe dá descanso, sonhando com o regresso à filosofia de Sócrates. Eles querem ver o PS voltar a defender o TGV, o novo aeroporto, as parcerias público-privadas, o cheque-bebé e o aumento aos funcionários públicos. E nem aceitam qualquer responsabilidade no estado de bancarrota, uma vez que o seu miraculoso PEC4 salvaria o país. É por isso que lançaram António Costa contra Seguro, que tem no currículo ter sido incapaz de dizer uma única palavra contra Sócrates, mesmo quando o país mergulhava no abismo.

 

António Costa é naturalmente muito mais popular no eleitorado socialista do que Seguro. Não sei, no entanto, se tem apoio nas federações partidárias de forma a poder ganhar o partido. Nas últimas eleições internas, os seus candidatos foram estrondosamente derrotados. O seu avanço nesta altura só pode ser assim compreendido como um pretexto para poder largar a Câmara de Lisboa. António Costa já percebeu que, depois do atoleiro que criou no Marquês, não tem grandes hipóteses de voltar a ganhar a Câmara. Quanto à sua eminência parda, Manuel Salgado, em caso algum os lisboetas votariam nele para Presidente da Câmara. Por esse motivo, multiplicam-se no partido as sugestões de candidatos que Costa se propõe lançar às feras e que educamente rejeitam a proposta.

 

O PS é assim neste  momento um partido em convulsão, vivendo entre o saudosismo de um grupo que sonha que haverá sempre Paris, um autarca que quer a todo o custo sair do atoleiro em que se meteu, e um líder acossado por um grupo parlamentar hostil. Se é esta a alternativa ao péssimo Governo que temos, Passos Coelho bem pode dormir descansado.

2 comentários em “O PS em convulsão.”

  1. Não esperava de Seguro essa reacção. Compreendo que ele queira colocá-los entre a espada e a parede. Neste caso, eles não terão outra alternativa que não a de escolher a espada. Eu preferiria a resistência passiva por parte de Seguro. Mas ele, ao contrário do que se pensa, parece ser um tipo de luta. Uma coisa é certa, Costa vai ter de mostrar que é capaz de lutar a céu aberto, e creio que sem nuvens ele vai perder; e os socratianos necessitam convencer-se que o eleitorado não os esquecerá nos próximos 30 anos. Pior que a morte é o limbo, e eles permanecerão aqui.

  2. Nas últimas eleições internas as chamadas bases do partido estavam praticamente todas pelo Seguro. Passou-se algo para entretanto terem mudado de opinião? Não me parece.
    Os socráticos parecem esquecer-se que as tais bases do partido os desprezam.
    Da parte do Costa, realmente o único móbil parece ser sair de fininho da CML sem se arriscar a ir a votos.
    Não esquecer que o PSD ganhando Lisboa (e talvez Porto), mesmo tendo péssimos resultados no resto do país, pode sempre reclamar vitória.

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