O PS como Banco Alimentar


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Há alguns anos regressei ao Portugal. E nisso, após 25 anos, regressei à casa que fora paterna e ao meu velho bairro, os Olivais. Desde então, de vez em quando, fui blogando sobre a Junta de Freguesia, ocupada por um inenarrável conjunto de militantes do PS – pois não só é notória a sua incompetência executiva como o é, e ainda mais, a concepção patrimonialista e paternalista, vilmente anacrónica, que aquela gente tem do poder. E também porque de conversa em conversa se vão ouvindo episódios enjoativos das suas práticas – mas não se podem escrever, pois o vulgar freguês não tem provas. Enfim, lá fui resmungando com o estado do bairro sob a presidência da inacreditável Rute Lima (a cuja é também colunista do jornal da SONAE, o que mostra o tipo de gente que vem dirigindo o periódico). Pois apesar da descrença no PS ainda assim me espantava como era possível que um partido daqueles se atrevesse a descer tão baixo, promovendo gente desta laia para dirigir uma freguesia com mais de 30 000 eleitores no centro da capital.

 

Há 15 dias a TVI emitiu uma reportagem sobre as práticas da Junta de Freguesia dos Olivais, a qual por si só deveria ser letal. Mas nada se passou… Hoje emite uma segunda, ainda mais tétrica – isto vai ao ponto, entre outras várias coisas, de uma das vereadoras da Junta, a da Educação, ser diariamente abastecida de refeições distribuídas nas escolas para alimentar a sua família… Fazendo literal a velha expressão “tacho”.

 

E tudo isto não é um defeito “local”, da nossa freguesia: aliás, a presidente Rute Lima (a tal colunista do jornal de referência “Público”) foi logo contratada para integrar a nova presidência da câmara de Loures, quando esta foi tomada pelo PS ao PCP, sinal de como é apreciada pelos seus correligionários. E a hipocrisia é ainda maior: vê-se na reportagem de hoje que a “presidente” da concelhia do PS (a ex-ministra Temido, que é militante daquele partido há uma dúzia de meses mas já preside…) a anunciar que o partido “acompanha com preocupação” os acontecimentos: não conheciam a presidente e sua equipa (há mais de uma década na freguesia)? A colunista do “Público” acumula Olivais e Loures sem que saibam de seu perfil e trote?

 

Deixemo-nos de rodeios ou hesitações: o PS é isto. Da morcã que confisca a alimentação escolar para a sua família (alargada) aos académicos e jornalistas socratistas que agora acampam na Cultura ou nas Obras Públicas. E a tralha entre eles. Pois já não é um partido. É mesmo só um Banco Alimentar. Para gente execrável.

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14 comentários em “O PS como Banco Alimentar”

  1. já nem sequer umas de 50 paus.
    ‘a autarca rouba comida pro filho’, grande primeira página para o correio manhoso.

  2. uma das vereadoras da Junta, a da Educação, ser diariamente abastecida de refeições distribuídas nas escolas para alimentar a sua família…

    Uau! Há tantas queixas de que as refeições escolares são de má qualidade, afinal vai-se a ver e são tão boas que até uma vereadora opta por elas, mesmo requentadas…

  3. É isso mesmo meu caro. Só me admira é que só veja os do PS. Se assim fosse, o problema tinha facil resolução: não votar PS. O grande problema é que o que descreve se aplica de uma forma muito alargada a grande parte dos politicos locais com diversas formas do mesmo tipo de comportamento. A outra ia à praça, esta leva comida para casa, outros empregam os familiares e amigos edepois há osmais afoitos que recebem presentes por benesses concedidas … e o raio do dinheiro não tem cor.

    1. Anónimo, a mim o que (não) me admira é essa deriva de tentar apagar as especificidades dos agrupamentos no poder através da pobre “invectiva” (de facto desculpabilizadora, desresponsabilidazadora) do “são todos iguais”. Você diz que eu “só vejo os do PS”… Então eu respondo-lhe com dois pontos: 1) eu coloquei no postal a ligação a um texto meu anterior (repito-a aqui: https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/o-ps-tambem-nos-olivais-15282780 ) o último que aqui deixara sobre os Olivais, exactamente quando foi emitida a primeira reportagem sobre esta (consabida) escandaleira autárquica no centro da capital, essa que agora a inefável Super-Marta (Temido) “acompanha com preocupação”. Nele botei, e agora recordei, “De facto, todos os regimes, todos os sistemas políticos, todos os partidos e ideologias, são permeáveis a (más) influências de grandes interesses económicos… Mas o problema é quando os regimes ficam prisioneiros deste tipo de petty-corruption (a contratação da namorada do vereador e putativo novo presidente, a contratação do filho da presidente, a adjudicação directa da pequena prestação de serviços ao camarada de partido, etc.). Pois isto significa a degenerescência do regime, evidente caso de top-down, de cima a baixo… E patenteia a inexistência de dinâmicas internas dos partidos incumbentes em se regenerarem, enviesarem para rumos democratizadores e desenvolvimentistas.”. Como está escarrapachado neste trecho eu “não olho só para o PS”.

      2) Mas é evidente que é necessário “olhar para o PS”. Por um lado porque a questão é a freguesia Olivais – na qual o PS é maioritário desde a década de 1970. A qual só teve dois presidentes desde então: Rosa do Egipto, decano que foi dos presidentes da junta no país (um dinossauro autárquico, versão freguesias), transitado para os órgãos da CML por impedimento face ao limite de mandatos; e esta Rute Lima – a tal colunista do jornal “Público”, e convém sempre convocar esta particularidade, pois nenhum cometimento intelectual, técnico ou político o impôs, a não ser este facto de ser presidente de uma das 3000 freguesias do país, um pequeno pormenor que não apenas denota mas sim demonstra o tétrico servilismo do jornal do grupo SONAE ao poder socialista instalado -, antiga “colaboradora” do pretérito presidente. Ou seja, falando desta abjecta situação (até as sopas das criancinhas estes socialistas entendem ser seu direito apropriarem-se…), é necessário falar do PS. E não só deste grupo de “autarcas” (que os fregueses minimamente informados conhecem sobejamente) mas também dos órgãos nacionais, distritais e concelhios do PS que julgam apropriado apoiar a eleição deste tipo de gente – e entenda bem, apesar de que “quem vê caras não vê corações” esta tropa fandanga é gente que é perceptível à primeira vista…

      E ainda mais, face ao seu incómodo por olhar eu para o PS. Tal como botei aqui, há poucos dias ( https://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/as-politicas-habitacionais-15305587 ) urge lembrar todos os dias: “22/28 (and counting…)”. Nos últimos 28 anos o PS governa sozinho há 22. As concepções e as práticas de exercício de poder que nele vigoram tornaram-se consuetudinárias e as suas elites nada fazem (bem pelo contrário) para obstar a essa degenerescência do Estado de Direito. E não falo de “robalos” nem de “galambas”. Mas sim da mundividência e respectivo modus operandi. E nada vale vir dizer que “são todos iguais”.

  4. Há meses, alguém comentou num outro blogue algo como “o PS no poder não se comporta como um partido político e sim como um sindicato do crime”. Em condições normais distanciar-me-ia um pouco de frase tão agressiva, mas não estou com temperamento para simular civilidades. Limito-me a dizer que pode não ser um sindicato do crime, mas lá que parece uma grande famiglia, lá isso parece.

    E já agora, um pequeno reparo que gosto sempre de fazer: o PS governou durante 22 dos últimos 28 anos e, daqueles em que não governou, quatro foram para recuperar a bancarrota de Sócrates e dois foram no rescaldo do pântano deixado por Guterres.

  5. Este encolher de ombros dos escanções da legitimidade dos partidos à direita do PS deixam-me na dúvida se assim se prova quão frágeis são os pilares democráticos do nosso regime ou se assim se prova quão frágil é o nosso sentido de cidadania. Ou então de ambos.
    Em qualquer dos casos, para conseguirem dizer o que dizem, e até lidamos com isso aqui em frequentes cometários, é necessária uma muito débil capacidade de avaliação ou uma tremenda desonestidade intelectual. Acredito mais nesta segunda.
    Os abusadores, esses bandalhos (dos Olivais e não só) são os maiores patrocinadores dos papões populistas.
    E fico-me por aqui, para não registar por escrito o vernáculo que estes casos impõem.

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