O princípio da incerteza.


Luís Menezes Leitão,

Helena Roseta, em entrevista ao i publicada hoje, declara que “acabou o tabu de que os partidos à esquerda não se podem entender“, considerando que devemos estar felizes, uma vez que “há muitos anos que não havia no PS um secretário-geral capaz de fazer pontes à esquerda“. E quando lhe perguntam o que diria às pessoas assustadas com o impasse, responde: “Que a incerteza é um princípio fundamental da física descoberto nos anos 30 do séc. XX por um senhor chamado Heisenberg, e que há cem anos percebeu que há uma coisa chamada princípio da incerteza e que isso comanda um pouco da vida física e, portanto, também da nossa vida humana. Não é nenhum mal e veio para ficar. Temos que saber viver na incerteza“.

 

Tenho um palpite que as agências de rating e os próprios mercados vão adorar este discurso. E responder que também já foi descoberta a teoria do caos, segundo a qual “mesmo sistemas determinísticos (os quais têm resultados determinados por leis de evolução bem definidas) apresentam uma grande sensibilidade a perturbações (ruído) e erros, o que leva a resultados que são, na prática, imprevisíveis ou aleatórios“. É o tipo de avaliação que os investidores adoram… Corremos assim o risco de estas declarações produzirem um efeito borboleta que provoca a tempestade perfeita, com os capitais a fugirem, os bancos a colapsar, e o país em caos total. A isso Helena Roseta responderá com o seu princípio da incerteza: “Não é nenhum mal e veio para ficar“. Valha-nos Deus!

0 comentários em “O princípio da incerteza.”

  1. Declaração de interesses. Eu sou radicalmente contra um governo das esquerdas nestas circunstâncias: nenhum dos partidos das esquerdas venceu as eleições.
    Mas acho que esta versão «aggiornizada» de «os comunistas comem criancinhas ao pequeno almoço», substituída por «os mercados é que mandam, portanto, tenham juizinho e votem sempre nos mesmos, isto é, os nossos», seria proferida da mesma forma pelo autor do post se as eleições tivessem sido ganhas por um dos três diabinhos.
    Vendo bem, e se suspendêssemos a Democracia até que os mercados se democratizem ou que todos os partidos de que não gostamos desapareçam de cena?

    1. Para começar é o PCP que quer suspender a Democracia.

      É a má fé que o faz escrever isto?

      “e se suspendêssemos a Democracia até que os mercados se democratizem”

      Quando você tem dívidas e não quer pagar acusa a loja de não ser democrática?
      É a táctica?

      1. A culpa disto e de tudo o que acontece no mundo é do socialismo.
        Apareceu água em Marte?
        A culpa só pode ser do socialismo.
        Só os socialistas inventavam tal patranha para continuarem a gastar os dinheiros públicos nas missões espaciais.
        Quem não percebeu isso é tolo.
        O lucklucky não é porque já percebeu isto tudo há muito tempo.
        Obrigado lucklucky por nos esclarecer.

        1. Que tal contra argumentar?

          Sabe o que é? Se uma Democracia faz um acordo para vender dívida o plano de discussão é a má fé dessa Democracia ao não querer pagar.

          O Governo de Passos Coelho também é Socialista, boa parte da Direita Alemã e da Escandinavia é Socialista. Estão todos muito satisfeitos a tirarem 50% ou mais do que uma pessoa cria, inventa e trabalha.

          Mas não são Populistas/Marxistas. Ou por outras palavras Narcisistas.

  2. O governo cessante fartou-se de espalhar incerteza entre os portugueses.
    “Será que amanhã tenho emprego?”
    “Será que conseguirei pagar a escola do meu filho?”

    Fartámo-nos de ouvir que era preciso sair da zona de conforto. Arriscar.
    Ou seja, para os “mercados” terem certezas, temos nós que viver na dúvida, na ansiedade e na angústia.

    Sinceramente, os investidores e os mercados que se fodam. Ficam nervosos porque não vão ter o seu crescimentozinho de 15%, não é?

    Se com tudo o que lhes deram em 8 anos não conseguiram fazer nada pelas economias, já está mais do que demonstrado que não é dos “mercados” e dos “investidores” que podemos esperar sair da crise.

    1. Os “mercados que se fodam”…

      Eles é que nos fodem… como foderam o Vodafacas & Companhia…

      Seria ouro sobre azul: — Governar à esquerda com as normas da EU

      Saída do euro… não pagamos…felizmente, temos petróleo nos mares do Açores, Oirama à farta na Madeira… E diamantes ( 50 quilates) nas Caldas!

      Bastava só a VW dizer que encerrava a Auto Europa, para voarem 10% das exportações e 1% do PIB…. os alemães que fod***!

      Se a estupidez pagasse imposto… então sim … os investidores que fod++++ Porra… e quem pagava os impostos?

      1. Deu-lhe o pudor a meio?

        Ouça lá, onde é que andam esses investidores?

        Que é que os mais ricos de Portugal fizeram com o dinheiro que têm agora a mais, desde que começou a crise? Investiram? Cá? Criaram emprego? Inovaram?
        Ou estamos ainda à espera da chuva dourada?

        Mas numa coisa dou-lhe razão, se a estupidez pagasse imposto.

        1. Camarada I Rodrigues

          “” Os investidores são os que nos emprestam o dinheiro” Sem ele não há salários nem pensões (no mínimo)… Formado um governo da ti Catarina/ Costa / Jerónimos…. Os investidores não os mandavam fod** , nós é que eramos fod***”
          mesmo que, em ultima instancia, saíssemos do euro!
          ….
          Investiram…. sim! Como explica o aumento das exportações
          O aumento do poder de compra/ imobiliário/ o índice de confiança?

          Comunista burro, não aprende mesmo!

          1. Então diga lá para onde vão os nossos impostos? São para pagar o quê? É que eles são pagar pensões, saúde e educação e não dívidas e quem as fez que as pague.

          2. Ah, sim, a prosperidade que estava mesmo aí a rebentar! Só é pena que o desemprego voltasse a aumentar logo em Agosto. Logo agora que estávamos todos tão melhor.
            Haja saco.

            Votei demasiadas vezes no PSD para agora me chamarem comunista. Talvez seja burro porque fiz isso por ser social democrata, e essa, a social democracia já abandonou o PSD há muito tempo, tirando alguns bravos resistentes. E passou a correr pelo PS ficando suspensa no vácuo até estas eleições.

          3. l. rodrigues em vez de dizer asneiras sobre Social Democracia que tal comparar o PSD de hoje com o dos anos 80?

            Qual fez mais transferências sociais – assaltar o bolso de quem cria, inventa e produz? O dos anos 80 ou o de hoje?

            Faça-o em % do PIB.

        2. Os mais ricos de Portugal faliram e estão em prisão domiciliária.

          Internacionalizaram (a PT, a Cimpor, os bancos) e foram comidos (por brasileiros e angolanos).

          Tudo estratégico e negociado com os políticos vigentes.

          1. Vigentes? Você sabe o que quer dizer vigente?
            O Nuno sabe por que é que chegamos à bancarrota? Eu digo-lhe: essencialmente, foi por culpa dos governos do PS. Quer queira, quer não.

  3. Aquele sorriso enigmático de Costa deixa toda a gente de sorriso amarelo.

    Não é Costa que recebe Catarina, é Catarina que recebe o Costa.

  4. “Ao mostrar indignação por algo que também pratica, toda a revolta é logo transformada em dissimulação e hipocrisia.”

  5. os capitais a fugirem, os bancos a colapsar, e o país em caos total

    É bem sabido que o capitalismo é, em última instância, incompatível com a democracia, precisamente por isto: se o povo vota de forma “errada”, os capitalistas podem levar o capital para fora do país, arruinando-o e sabotando o voto do povo.

    Foi aliás isto mesmo que aconteceu ainda recentemente na Grécia: a perspetiva primeiro, e mais tarde a realidade, de uma vitória do Syriza levaram a uma monstruosa fuga de capitais, que sabotou essa vitória.

    1. Ainda não entrou nessa cabeça mas acabou de escrever que a Democracia é incompatível com as pessoas…

      …e uma data de pessoas de Esquerda têm dito que iam sair de Portugal por causa do voto…são afinal uns malvados capitalistas!!!

  6. Mas aqui não há incerteza nenhuma!
    PS e PCP partilham as mesmas ideias sobre a segurança social, a saúde pública e o ensino público de qualidade. Para esses objectivos é preciso, para falar curto e grosso, dinheiro. Um defende a obediência aos pressupostos de estarmos no Euro o outro defende a saída do Euro. Não há incertezas nenhumas. Temos todos a certeza de que nunca se poderão entender dentro deste quadro.

    1. “…ensino público de qualidade.”

      Haha! estas frases de propaganda populista chocam…

      Um ensino público de qualidade mandava metade dos dos alunos fora ou discriminava os bons dos maus.

  7. A única incerteza é saber qual será a percentagem da maioria absoluta do PAF nas próximas eleições. O PS devia contar com essa incerteza.

  8. Quem acha (e trata no seu discurso) que os mercados são um mero e irrequieto espectador que nada conta para o que se passa aqui é manifestamente ignorante e preguiçoso. É preguiçoso porque prefere culpar a perceber. É ignorante porque recusa-se a dar a importância que eles de facto têm – acham que estão sozinhos no mundo, acham que ainda vivemos na idade média, declara-se e tá feito “acabou a austeridade”, “queremos a soberania de volta”, no entanto logo a seguir exige-se compreensão e negociação da outra parte… Curioso não é?

    São os “mercados” que mal ou bem vão gerando o dinheiro para as promessas eleitorais e das grandes ideias de assistência social e do partido do Estado, das obras faraónicas e outras bengalas socialistas (e não só). Tudo isto num país que maltrata os contribuintes, se persegue a riqueza e o negócio, que tem uma sistemática e enraizada fuga aos impostos. Estes deveria ter mais consideração por quem ainda nos empresa dinheiro. Os mercados não são apenas os “especuladores” ou “agiotas”, são bons barómetros para perceber o nível de barafunda que se vai passando nos países.

    Basicamente estas pessoas têm pressa, chove torrencialmente e dizem “que se lixe a chuva e os avisos da GNR, vou a fundo porque tenho urgência em chegar”, talvez não cheguem assim tão longe.

    1. “São os “mercados” que mal ou bem vão gerando o dinheiro para as promessas eleitorais”

      – caramba! Isto é doutrina do mais alto gabarito e eu a pensar que seriam os impostos sobre o trabalho, lucro, propriedade e consumo! Sinta-se devidamente parabenizado por tão apresentar tão sofisticado argumento.

      1. Nos últimos 40 anos Portugal nunca quis ter défice zero.
        Logo sem os mercados não há o défice de que tanto gosta.
        Nem o Pirtugal de que tanto gosta.

        Por exemplo foram os mercados que pagaram 25% do último orçamento do Governo Sócrates. Coisa que provavelmente é incapaz de compreender.

    2. Os mercados não são medidas do grau de barafunda que vai nos países.

      Desde 2008 têm sido a principal causa da barafunda que grassa nos países.

      Dizer que tenho que condicionar a minha escolha de políticas às ordens dos Madoffs e Ricardos Salgados que ainda não foram apanhados é assustador.

      Se deixássemos de endeusar quem nem os seus bancos sabe governar talvez fizéssemos melhor.

      1. Os países foram vender dívida aos mercados prometendo pagar x no dia y e a culpa é dos mercados…

        Se o produto que compras na loja não cumprir o prometido a culpa é tua?

        1. Uma parte substancial da dívida que os bancos compraram era de empresas onde eles próprios tinham interesses. Seguidamente disseram que eram muito grandes para cair, receberam ajudas públicas e nunca devolveram o dinheiro que perderam, ou responderam por ele. Quem julga que vai pagar a falência do GES? Pensa que isso só acontece cá?

          Quando ajudaram a Grécia a falsificar as contas não o fizeram a pensar na Grécia.

          Se for à feira de Carcavelos comprar um Rolex e descobrir que o Rolex é falso a culpa (também é minha). Não posso pedir ao Estado que me reembolse.

      2. “Os mercados não são medidas do grau de barafunda que vai nos países.
        Desde 2008 têm sido a principal causa da barafunda que grassa nos países.”

        Culpar culpar culpar, por isso é que uns cairam e outros seguiram o seu caminho, curiosamente, com sobressaltos ou não, adivinhe lá quais é que tiveram mais dificuldades… sim, aqueles que não gostam da realidade, que boa ou má é a que temos.

        “Dizer que tenho que condicionar a minha escolha de políticas às ordens dos Madoffs e Ricardos Salgados que ainda não foram apanhados é assustador.”

        Sim, tal como qualquer cidadão que anda ai a roubar carteiras, “malditos cidadãos”, onde tem o seu dinheiro, no colchão? E as empresas, hmmm secalhar têm um colchão XXXXXXLLLLL, e os Estados? O convívio nem sempre é saudável, mas num mundo de interesses, há sempre problemas de tempos a tempos com as partes – mas acho curioso pegar no exemplo de dois tipos presos num mundo de biliões de pessoas, onde o dinheiro circula por todo o lado.

        “Se deixássemos de endeusar quem nem os seus bancos sabe governar talvez fizéssemos melhor.”

        Ninguém aqui endeusa ninguém, o problema é tentar-se arranjar uns deuses e culpar os ditos por falhas próprias. Ingenuidade.

  9. O Luís vem dizer que para contrariar o princípio da incerteza temos as agências de rating e os mercados.
    É caso para dizer: Valha-nos Deus, se nós não formos capazes.

  10. Enquadrando o dilema do ex-alcaide & confrades:

    “Choosing what I want to do (…) is like trying to watch a YouTube video.
    When I’m halfway through the video, I glance over at the sidebar and see they’re recommending something else that seems more interesting.”

  11. O problema colocou-se na deficiente transição da economia caçadora-recolectora para a economia de produção. Quando se começou a gerar excedentes é que foi uma porra: o que fazer com eles?!?!
    O povo era agora infinitamente mais feliz se tivesse de sair com os putos às costas para ir caçar conservas e colher Chocapics para o brunch do que ter de ir ao (super)mercado…. dar dinheiro a esses… a esses… pfff, CAPITALISTAS!
    Bem, vou caçar o almoço. Até já.

  12. Qual a certeza que nos dá a direita? Austeridade, austeridade, austeridade, aumento da dívida, aumento da dívida, aumento da dívida. É isto que os mercados querem e é isto que a direita faz, assustar e meter medo, não fazem nada de construtivo, mas tudo fazem em busca do poder. Isto não é fazer política, isto é destruir, aquilo a que todos chamamos de política e democracia.

    1. Mas desde quando você não quer o aumento da dívida?
      Alguma vez você (ou alguém) protestou contra existência de défice?

      Você num belo exemplo de dissonância cognitiva até acabou de escrever que quer ainda mais endividamento ao dizer que o Estado deve gastar mais.

      Não sabe o que diz?

      PS:Tudo o resto igual sem o duplicar da dívida feita por Sócrates hoje já não estaríamos a aumentar a dívida.

  13. Calha bem: o Princípio da Incerteza tem precisamente a ver com a falsidade dos resultados, coisa em que a massa funesta do PS parece estar apostada.

    Apesar de passar mostrar absoluta ignorância sobre as preocupações científicas de Heisenberg ao utilizar este exemplo, Helena Roseta é bem o exemplo dele: de como encerrados na nossa arrogância petulante e estúpida não conseguimos compreender a realidade.

  14. Não foi esta senhora que convocou uma manifestação por SMS para derrubar Pedro Santana Lopes?? Isto porque ele não tinha sido eleito?
    E agora???? António Costa foi eleito????

    Não há palavras para descrever tamanha falta de carácter, vergonha e honra.

  15. Aplicada ao mundo real, excesso de incerteza tem normalmente resultado certo – e muito pouco positivo.

    (Meio a sério, meio a brincar, vejam-se os efeitos conseguidos pela acção de outro “Heisenberg”, inspirado no original: o alter ego do protagonista da série Breaking Bad. A incerteza dá óptima televisão mas – spoiler alert – não acaba bem.)

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