
Não deixa de me provocar um sorriso, isto do jornal “Expresso” (imprensa dita “de referência”) e do banco público Caixa Geral de Depósitos, patrocinarem um prémio – dito como destinado a personalidades de grande relevo artístico, cultural ou científico – atribuível a um tipo que não só clama pela necessidade de mais exorcistas como protege pedófilos.
Isto, em termos empresariais, seria uma catástrofe. Se não fosse em Portugal.

É por opções deste tipo que se advinha a podridão moral e cívica que grassa pelas “elites” deste país. Afinal a Igreja continua a ter corredores demasiado sombrios. PQP.
Parabéns ao jpt pela coragem em publicar este post.
Antes de mais, concordo com o seu “post”. Pessoalmente achei, então, que Manuel Clemente nunca deveria aceitar o prémio. E não fui o único. Foi uma maneira de o calarem. Mas, agora, o que se está a fazer, à volta da questão da pedofilia, também não é propriamente honesto. Não se julgam ou condenam actos do passado – mesmo que injustificáveis e moralmente reprováveis – com leis do presente. Há mais preocupação em atacar o Patriarca do que em defender a vítima abusada. Por outro lado, pergunto, como quem não percebe nada das coisas. Se é verdade que a vítima pediu para não se divulgar o caso, em nome de que direitos, e de quem, se tem feito todo este alarido?… Eu gostaria de ver tanta gente “arrepiada” a atirar a primeira pedra… E porque não o fazem com outras pessoas que, todos sabem, estão mais envolvidas nesta porcaria toda que o Patriarca de Lisboa?… E porque não denunciam outras situações que porventura também afectam pessoas da Igreja? Porque pertencem ao “grupo”?… E qual é a próxima instituição ou classe que ousa criar uma Comissão técnica para acolher denúncias contra ela?… Este alarido da Comunicação Social cheira-me mesmo a discurso encomendado para afastar os olhares de algo bem pior.
Como alguns leitores do DO sabem eu tenho uma difícil relação com uma parte substancial do comentariado deste blog. Mas neste caso trata-se de uma coisa diferente, é mesmo espanto. Abjecção. Nojo. Vontade de esmurrar o filhodamãe que comenta. Pontapeá-lo quando caído no chão. Crucificá-lo, ainda em vida. Queimá-lo, sobre lenha molhada. Etc.
Então é o pobre do bispo que não deveria aceitar o prémio, pois este era para o calar? Calar-lhe o quê, o apelo às vocações de exorcistas? É a igreja católica convocada ao silêncio, a isso induzida neste país? Que nojo de homem, de falsário que é, o que aqui comenta… Refutar neste caso o que será um anacronismo, a avaliação dos actos alheios oretéritos através das leis actuais? Uma coisa é condenar as derivas libidinosas de Tibério Graco lá por Capri assente na moral e legislação actuais. Outra coisa é analisar o comportamento do actual cardeal de Lisboa diante de questões actuais, que são crime, sua forma de as elidir e de preservar as funções de criminosos pedófilos. Não há qualquer anacronismo nisto. Tal como não há qualquer anacronismo em apontar duas empresas, uma pública e outra privada, que consagraram quem faz esta imunda cobertura a um crime deste teor. E que diante destas revelações nem tugem nem mugem…
E você ainda aqui vem invectivar os “outros”, que atentam numa imundície destas no actual cardeal. Francamente, e mesmo que face ao que você escreve não se lhe possa pedir pudor, tenha o mínimo de decência e evite botar sobre o assunto.
“Não se julgam ou condenam actos do passado – mesmo que injustificáveis e moralmente reprováveis – com leis do presente.”
Não percebo. Já era gravemente imoral o que aconteceu para a Igreja desde que existe Igreja…nem é preciso meter as leis do Estado ao barulho.