O Público decidiu finalmente mudar o conceito do jornalismo digital que apresentava. A partir de agora é possível ler 20 artigos grátis por mês e a partir desse momento será necessário pagar por mais. A vantagem é que deixam de existir os artigos asterico, aqueles que estavam reservados aos assinantes da edição impressa.
Dando de barato que na maior parte do casos estas limitações são contornáveis à custa do uso de IP’s diferentes (posso triplicar ou quadriplicar os artigos lendo do trabalho e de casa ou usando dispositivos móveis), a minha grande questão está direccionada à qualidade. Quando saí do país assinei a versão digital do Público durante uns 3 ou 4 anos. Deixei de o fazer quando vi que qualidade do jornal e dos artigos tinha caído a pique (para não falar nos artigos de opinião, que estão ainda piores). Além disso, apesar de eu pagar pelos conteúdos, continuava a ter que usar um site com carradas de anúncios que me sobrecarregavam o browser.
Não sei sinceramente qual o caminho que Público trilhará. Se opta pelo aumento de qualidade ou se vai simplesmente manter-se como está apenas cobrando de forma diferente. No primeiro caso poderei considerar gastar os tais 100 euros por ano de assinatura. No segundo, a única coisa que o Público conseguirá é afastar mais um leitor, mesmo que não pagante.
Digital ou em papel, a encruzilhada dos jornais terá sempre uma referência constante: a qualidade. Se esta não existir, ninguém gastará dinheiro.

O Público vai no bom sentido e não é o único. Estou perfeitamente de acordo. Há que caminhar neste sentido, sob pena de os jornais – que estão mergulhados na crise actual em grande parte por culpa própria, devido ao deslumbramento pacóvio perante a Rede – desaparecerem de vez. E não falo apenas de Portugal ou nem essencialmente de Portugal, onde o Correio da Manhã atingiu uma antes impensável quota de mercado de 54% da imprensa diária generalista.
Tenciono escrever também sobre este tema um dia destes.
O Público está a seguir algo que seria lógico (o Financial Times e a Economist seguem modelos semelhantes, por exemplo), mas a prova está na qualidade. O preço em comparação com o do jornal em papel é menor, mas a qualidade tem que compensar qualquer custo. Convém lembrar que os custos unitários de cada edição digital são essencialmente zero, pelo que o jornal não pode manter a falta de qualidade do site (crítica também ao Diário de Notícias).
Algo que deveria certamente fazer seria colocar mais um patamar intermédio. Por exemplo, 10 notícias grátis por semana para utilizadores registados ou algo do género. O FT já faz isso. Isso obrigaria ao registo e aumentaria a possibilidade de fidelização.
Uma mudança inevitável, já seguida por outros jornais, entre eles, aqueles de referência internacional.
Afinal, “there is no such thing as a free lunch”. E a publicidade não paga tudo.
Claro que, depois de por acidente esta manhã ter ouvido durante alguns minutos a directora do dito jornal num daqueles fora televisivos, face ao derramar de disparates, penso que nem assim o jornal se safará…
O problema não é se o almoço é pago ou não, é se vale o preço. E o Público digital não vale os 100 euros por mês. Pelo menos como está.