
Acima de tudo, muito mais do que paixão o futebol – nisso entenda-se o quotidiano Sporting e, ocasional e secundariamente, a selecção nacional – é-me um placebo. Ou seja, aos desaires trato com um lesto e dialogante monólogo interior feito de viscosos palavrões e vigorosas invectivas às Entidades desavindas, ou mesmo através de resmungos partilhados com a escassa vizinhança, e logo me dedico a outras temáticas, decerto que não mais relevantes. E nos triunfos significativos – não tão habituais assim, dada a minha amada “condição” sportinguista – emerge-me um frenesim exultante que recobre, dissolve até, todas as agruras e desconchavos da (minha) vida, reacção alquímica que leva, felizmente, alguns dias a fenecer.
A vitória londrina de ontem, com o Sporting a arrumar o este ano fortíssimo Arsenal – meu clube inglês desde petiz -, e após um primeiro jogo em que havia sido basto prejudicado por uma arbitragem reverente ao poder mediático, foi um desses momentos de felicidade (a qual nunca é espúria, seja lá qual for a sua causa) para mais tarde recordar – e a fazer-me lembrar uma outra vitória épica, quando há uma década se eliminou o Manchester City, jogo que vi em Maputo entre queridos amigos sportinguistas, alguns dos quais já cá não estão, numa noite terminada, alguns de nós numa euforia já algo inebriada, a pagar luxuosas rodadas generalizadas nos restaurantes da Julius Nyerere e a ofertar rosas a todas as mulheres – para gaúdio de um noctívago vendedor ambulante… Despesa que quase teria custeado a minha ida a Manchester….
Mas sigo diferente agora, nesta década que passou. Vi o jogo em ambiente rural, solitário sportinguista diante da tv. E mesmo, por acasos telefónicos, solitário espectador na parte final do jogo. Enfraquecido geronte, percebi-me – e de forma mais ríspida do que quando adormeço no sofá diante de um qualquer Sporting-Arouca. Pois perto do final não mais me apeteceu ver o jogo, entre o militante pessimismo (“vamos levar um golo mesmo no fim, é sempre a mesma coisa…”) e um difuso desconforto, um emergente metabolismo que temi prejudicial. E assim, cinco minutos antes do temido/ansiado “apito final”, levantei-me e fui dar uma volta, cristãmente temeroso de que “não vá o Diabo tecê-las”. Depois, relógio consultado, regressei pronto a tomar conhecimento da derrota para, afinal!, ser recebido por um sorridente “então pá, onde é que foste?“/”vão a penaltis!“. Aos quais, pois teve de ser, assisti, metafisicamente ombreando com todo o “Universo Sporting”, assim podendo exultar, demencial até, no final glorioso – não é toda a glória espúria, vã e passageira? Tudo proporcionado por um conjunto de “heróis” (grande jogatana) e por um maravilhoso Pote de Ouro, pois grande golo… A promover(-me) um sorriso para alguns dias.
(Leio que o confrade bloguístico José da Xã passou por mal-estar semelhante, no seu caso tendo-se ausentado dos penalties. Um abraço leonino, e que tenhamos mais sustos destes…)

o Arsenal parecia dirigido pelo actual almirante da batalha naval.
aquele golo fica na memória. em marcha atrás até o guarda redes caiu de cu
aquele golo fica na memória. em marcha atrás até o guarda redes caiu de cu
Concordo. Aquele guarda-redes fez péssima figura, tanto no golo como depois nos penalties.
Eu o que achei de um humor negro, preto mesmo, foi aquela frase nas camisolas dos jogadores do Arsenal, “Visit Rwanda”. Estão a gozar com os imigrantes ilegais que atravessam o canal da Mancha!
Fotografia genial a testemunhar golo expectacular.
Há futebolistas, profissionais, com mais jeito para jogar que outros, e os colegas sabem isso.
Os colegas e quem já foi jogador, quem nunca jogou a sério e por muito que seja entendido em futebol não saberá dizer se o golo do Pote foi ou não um “chouriço”, o do Pote e outros semelhantes já marcados noutros jogos.
Tudo tem de ser visto em relação à qualidade técnico do jogador, o jeito que ele tem nos pés como se fossem as mãos. Um jogador de futebol domina a bola com os pés como um jogador de ténis com a raqueta, e assim como este coloca a bola por cima do outro jogador, o futebolista faz o mesmo com os pés.
O Pote viu o avanço do guarda redes e chutou a bola com intenção como se fosse atirada com as mãos. Só quem joga ou jogou futebol sabe avaliar a perfeição do chuto, que até podia ter saído mal, como qualquer outro chuto durante o jogo.
O resto é a paixão clubista que fica sublimada com o golo e a vitória frente a ingleses.
Tenho a certeza que até o Cristiano ficou incrédulo

com este extraordinário golo.
Pedro Gonçalves recebe um ressalto vindo de uma jogada de Paulinho que até sofreu falta; o árbitro , e muito bem, deu a lei da vantagem. Cá, com pinheiros e pasteleiros, o lance teria terminado aí. E o mundo não teria visto a obra de arte de Pedro Gonçalves, Pote para os amigos.
No jogo da Liga da semana passada, Nuno Santos produziu outra obra de arte: Letra mágica.
São jogadores do Sporting, pois! E a CS lampiónica continua a falar dos Ramos, Toino e Félix.
SL