Alberto João Jardim vence, ainda com maioria absoluta de mandatos mas já sem maioria absoluta no voto popular. Perde oito deputados, recua 16 pontos percentuais. Ao contrário do que pretendia, o Governo de Lisboa não levou sova alguma dos eleitores da Madeira. Pelo contrário, Pedro Passos Coelho viu reforçado o seu capital politico ao ter sido o primeiro chefe do Governo português a enfrentar directamente o senhor do Funchal. Com firmeza e sem rodeios.
Hoje ainda, Jardim pode fazer estalar algum fogo de artifício. Mas prepara-se já amanhã para o inevitável choque com a realidade. De alguma forma, o pós-jardinismo já começou.

Permita-me discordar 🙂 Achei que Pedro Passos Coelho não enfrentou Jardim com firmeza, mas que se limitou a cumprir os mínimos. Foi obrigado a enfrentá-lo publicamente porque os eleitores do Continente ainda são mais do que os da Madeira (e porque a situação é demasiado óbvia e grave), mas ainda assim o máximo que fez foi dizer que não iria participar na Campanha e fechou-se em copas, enquanto Jardim passou a criticá-lo abertamente, com a sua habitual verborreia. Imagine-se que o líder do Governo Regional era de outro partido, os comentários constantes que não ouviríamos de Passos Coelho acerca deste buraco e da arrogância que ainda por cima o presidente do Governo Regional ostenta a toda a hora…
De resto, esperou-se mesmo até ao dia seguinte ao das eleições para começar a falar do que terá de ser feito na Madeira, do que irá mudar. É que nem uma fuga de informação, nem uma declaração a adiantar propostas das medidas que poderão ser tomadas em conjunto com o Governo Regional… Quando veio a troika, não faltaram adiantamentos… 😉
Sara, julgo que a questão da filiação partidária foi irrelevante para a posição assumida por Pedro Passos Coelho – uma posição que o eleitorado madeirense entendeu, como os resultados deixam antever. Repara: o facto é que, apesar de Alberto João Jardim também ser do PSD, isso não evitou que o primeiro-ministro criticasse a gestão danosa e a ocultação de relevantes dados de natureza orçamental na Madeira, algo que nunca nenhum outro primeiro-ministro fizera antes. Incluindo os socialistas, como António Guterres (que perdoou por duas vezes a dívida madeirense, reduzindo-a a zero) e José Sócrates (que presenteou Jardim com nova remessa financeira, a pretexto da catástrofe de Fevereiro de 2010, numa altura em que a região autónoma, segundo os relatórios do Tribunal de Contas, já revelava níveis de endividamento galopantes e preocupantes).
A política é sempre feita de comparações. Comparado com todos os antecessores, sem excepção, PPC foi o chefe do Governo que se expressou com maior clareza e frontalidade relativamente a Jardim.
Pedro, não havia outra hipótese. Numa altura em que nos cortam tudo, em que o nosso nível de vida desce, em que nos tiram o subsídio de Natal (até a quem, como no meu caso, nunca o recebeu), não havia manobra para fazer o que fizeram líderes anteriores. Os tempos são outros.
A filiação partidária está sempre presente, em todas as decisões tomadas e palavras proferidas destes políticos profissionais (acho que Jardim acaba por ser uma excepção). Está tudo estudado. Ousasse Passos Coelho ignorar o que se passa na Madeira e o país caía-lhe em cima. Acho que Passos Coelho foi inteligente em todo o processo. Como disse, limitou-se a desaparecer. Fosse Jardim um socialista e não preciso dizer-lhe que o papel de Passos Coelho seria, a meu ver, muito mais claro, duro e frontal.
PPC para confrontar directamente AJJ, só se lhe tivesse retirado a confiança política, coisa que não fez, este post é demagógico.
Dizer que o pós-jardinismo já começou é “demagógico” porquê? E a propósito de demagogia, anónimo: você por acaso não escreve umas coisas no Jornal da Madeira?
Sara, voltei a ouvir esta manhã Pedro Passos Coelho pronunciar-se sobre a Madeira e falou novamente em termos inequivocamente frontais, retirando qualquer possível margem de manobra a Jardim para as suas habituais piruetas. Como nenhum outro primeiro-ministro alguma vez falou antes dele.
Os tempos são duros e a linguagem política tem de endurecer na mesma proporção – é um facto. Mas isso não facilita a vida de nenhum governante, só a dificulta. A verdade é que Jardim não tem hoje a menor dúvida de que o tempo em que podia gastar aquilo que tinha e o que não tinha terminou de vez.
Notícias menos más da Madeira. E espero que se confirme o teu vaticínio – gostava de poder ir um dia à Madeira – onde nunca fui -, mas sem Jardim.
Nem sabes o que perdes, Joaquim. Madeira e Porto Santo são ilhas deslumbrantes. Vale a pena lá ir, governe quem governar.
apesar de não apreciar muito Passos Coelho, a resposta que hoje deu a Jardim foi extremamente acertada. Diz Passos, que se a madeira pediu ajuda agora terá de estar à altura desse pedido.