Hesito sempre que escrevo um texto sobre Portugal e os portugueses. Estando ciente de que Portugal e os portugueses são muitas coisas, há momentos (aqueles em que se mencionam estatísticas, por exemplo) em que ou se escreve como se perante uma entidade homogénea (e não, vá lá, com tendências aparentemente homogéneas) ou não se escreve. E é nesses momentos que surge o problema do plural majestático. «Não podemos fazer isto», «devíamos fazer aquilo», «somos assim ou assado» transmite a ideia de que me arrogo o direito de falar por todos. Mas escrever «Portugal é isto» ou «os portugueses fazem aquilo» causa-me outro problema. Por muito que frequentemente me sinta deslocado, sou português. E se o plural majestático pode indiciar presunção, as outras formas parecem-me ainda piores. É como se procurasse saltar fora do barco. Evitar dizer «nós» equivale a dizer «vocês».
O plural majestático
escafandro,

Eu o que acho graça é quando ouço comentadores de futebol a falar de um jogo da seleção nacional dizendo coisas como “jogamos bem”, “fomos muito pressionantes” e assim por diante, como se eles, comentadores, fossem jogadores.
Está bem. Findo este introito, o que é que o José António pretendia dizer sobre os portugueses?
Isto não é um intróito. É um epílogo. Ou talvez seja mais correcto classificá-lo como um apêndice aos muitos textos em que já usei «nós».
Eu achei muito mal foi o Costa ter-se referido ao pateta Alegre como “o meu amigo Manuel Alegre” e não como “o meu camarada Manuel Alegre”. Para isso (não usar o termo camarada ) já lá havia o Tozé.