
No seu Die Welt von gestern (O mundo de ontem), Stefan Zweig recordava-se de quão maravilhoso era o Império Austro-Húngaro em que tinha nascido, cuja monarquia durava há mil anos e dava uma enorme sensação de segurança a todos os seus habitantes. Mas esse Império não resistiu ao curso da História, tendo sido desfeito em inúmeros estados nacionais que deixaram a antiga Áustria reduzida a um pequeno país. A Europa de 1919 passava a ser outra, criada em Versalhes, e mesmo essa duraria apenas 20 anos, não resistindo a Hitler. A vitória aliada levou à criação de outra Europa em Ialta, no fundo uma Europa dividida pela cortina de ferro, que até partia um país em dois (a Alemanha), tendo estabelecido ainda uma soberania limitada em todo o leste europeu.
A Europa de Ialta dava segurança a muita gente, que sempre avisou dos riscos de mexer nas suas fronteiras. Miterrand até dizia que gostava tanto da Alemanha que preferia ter duas. Os alemães é que pelos vistos não gostavam da situação, preferindo a reunificação do seu país. A queda do Muro de Berlim significou o enterro de Ialta, sendo a Alemanha reunificada logo no ano seguinte. Em 1991 seguir-se-iam as independências da Croácia e da Eslovénia, fartas de pertencer a um país dominado pelos sérvios, e o próprio colapso da União Soviética. O facto de existirem minorias sérvias e russas nos novos Estados não impediu naturalmente essa independência. E o mesmo sucedeu em 2008 com o Kosovo em relação à Sérvia. Nessa altura Ialta há muito que estava morta e enterrada.
A realidade impõe-se sempre sobre as fronteiras artificiais. Não faz sentido dividir uma nação em dois países (como no caso da Alemanha) e muito menos faz sentido obrigar um povo diferente a fazer parte de outra nação. O caso do Kosovo é óbvio: era um território sérvio mas hoje tem uma população onde os sérvios são apenas 4% e os albaneses 92%. Da mesma forma, a Catalunha sempre foi uma nação com uma língua e uma cultura própria. Se a Croácia é hoje independente, e nunca o foi na sua história, há algum motivo para que a Catalunha não o seja também?
Não vale a pena ter saudades de Ialta, como também não valeu a pena chorar pelo velho Império Austro-Húngaro. Como escreveu Renan “a existência de uma nação é, perdoem-me esta metáfora, um plebiscito de todos os dias, como a existência de um indivíduo é uma afirmação perpétua de vida“. Para a Espanha chegou a altura de permitir o plebiscito no dia 1 de Outubro. Se o ganha ou perde, compete aos catalães decidir.

era só o que faltava os Catalães Independentistas decidirem!!! tavamos bem estavamos…
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http://www.youtube.com/watch?v=7_PD3aCR12Q&t=1558s
“primaveras arabes” na Peninsula Ibérica!!! nããã…a forças armadas do Reino Católico de Espanha devem tomar posições nas ruas da Catalunha!!
Kosovo,
O Kosovo fez parte da pátria sérvia medieval integrada na província de Raska. A conquista e ocupação da zona pelo império otomano incorporou o Kosovo.
Durante a 2ª Guerra Mundial, primeiro os italianos e depois os germânicos, ocuparam a Albânia e o Kosovo (Grande Albânia) e albaneses leais ao eixo, massacraram cerca de 30000 sérvios e outros 100000 abandonaram o Kosovo.
Tito incorporou o Kosovo na Federação jugoslava e concedeu-lhe, posteriormente, autonomia e vários direitos à população albanesa kosovar (linguísticos, educacionais,…).
Foi Tito que abriu a fronteira jugoslava/albanesa no Kosovo e que permitiu a fuga de milhares de albaneses do regime de Hosha,para a Jugoslávia. O Kosovo era a região mais pobre da Jugoslávia, mas bem mais rica que a Albânia estalinista. Milhares de albaneses estabeleceram-se no Kosovo, no norte da Macedónia jugoslava, no Montenegro e na Sérvia (região de Novi Pazar).
Duas gerações chegaram para se assistir a uma alteração populacional no Kosovo. A população sérvia tinha uma média de 2 filhos; os albaneses, 10. Perante a mudança de vida e a situação de receio e ameaças, os sérvios começaram a abandonar o Kosovo. Assistiu-se a uma alteração de uma maioria por outra. A maioria dos dirigentes kosovares independentistas nasceram na Jugoslávia, mas são descendentes (pais/avós) de albaneses refugiados, como é exemplo o falecido Rugova.
Sim, a questão é essa mesma que aponta no final de seu texto. Acontece que há quem pense por esta Europa que matérias importantes não devam ser referendadas.
Um Estado de Direito só o é se esses mesmos direitos constituídos estiverem de acordo com o pensar, o agir e o sentir de um povo. Quando fiz a distinção entre as democracias orgânicas, que povoam o imaginário dos políticos, incluindo os da esquerda, e a evolução que esta deve sofrer para alcançar os objectivos de um Estado Comunitário de Direito, pensava exactamente nas clivagens sociais que tal democracia tem vindo a salientar em quase todo o mundo que a aplica, em particular na Europa.
A lei nestas circunstâncias não passa de um subterfúgio para encobrir os verdadeiros propósitos, que é amarrar um povo, ou a sua maioria, a estereótipos ideológicos definidos por uns quantos.
Não se pode falar em unidade e coesão quando a própria lei força a desunião.
Este caminho já tinha sido percorrido, com diferentes variantes, pelos ditadores de outrora, mas tudo ruiu.
A ordem natural ocorre por si mesma, e as leis são como estrelas cadentes.
Acontece também que hoje assiste-se a um esforço titânico em transformar os Estados numa espécie de tutores de consciências. E todos nós sabemos que perante tanta incompetência e ignorância a depressão vem aí. Os períodos de recessão e retrocesso ocasionam depressões exactamente por se pensar que os aspectos ideológicos são avanços civilizacionais. É mentira.
A purga levada a efeito por Estaline, Pol Pot, Hitler… (sem esquecer o Macartismo) fundamentavam a aplicação da lei em matérias que a lei natural já as contrariava e que mais tarde vieram a apelidar-se de “direitos constitucionais”; e em muitos casos contrariando esses mesmos direitos já vertidos nas constituições, como foi o caso das leis aplicadas no período da caça às bruxas nos EUA.
A grande e extraordinária evolução pacífica, com mártires feitos por isto mesmo, que a história conheceu levou por nome cristianismo. É este fenómeno que conduz o Homem ao encontro de si mesmo, levando-o a encontrar em si a tal lei natural: “ama o teu próximo como a ti mesmo”.
Significa este segundo mandamento mais importante que a realidade actual centra-se no facto de as pessoas não gostarem de si mesmas, porque desconhecem que para se amar o próximo como a nós mesmos é necessário primeiro conhecer o Amor. Por isto mesmo se afirma: “Deus Caritas Est”.
” Não faz sentido dividir uma nação em dois países (como no caso da Alemanha)”. Portanto a Alemanha, no seu entender, deve estar unida e a Espanha desunida. A Alemanha é uma união de vários países. Uma construção do século XIX. A união ibérica é muito mais antiga que a Alemanha ou que a Itália. O nacionalismo é uma doença. Um disparate. Uma patetice a babar-se de romantismo serôdio. Um egoísmo tremendo. No caso da Catalunha vem disfarçado com um profundo sentimento xenófobo travestido de esquerdista.
Não interessa a antiguidade da união. Interessa o facto de os povos a pretenderem manter hoje. Na Alemanha os povos alemães querem estar unidos enquanto que na Espanha pelo menos na Catalunha há muitos que pretendem ficar de fora. E para isso as decisões tomam-se pelo voto. Também na Alemanha foi decidido em referendo que parte do Schleswig-Holstein ficava alemã e que parte voltava à Dinamarca, assim como o Sarre decidiu se queria permanecer alemão ou passar à França. Não há que ter medo do voto.
Diz bem, não há que ter medo do voto. Mas a forma como o governo da Catalunha conduz intimida os que pensam de forma contrária, porque para haver referendo tem de haver liberdade para todos exporem as suas opiniões e argumentos. Viu-se o que se passou recentemente quando alguém deu vivas ao rei. Não há nada mais antidemocrático que eleições onde os interessados estão intimidados. E, já agora, as constituições referendadas merecem ser cumpridas. A democracia também é, so pode ser, a defesa das minorias e não a ditadura das maiorias. Por isso o problema da independência da Escócia após o brexit teve argumentos que legitimam aquela vontade, porque não foram tidos em conta a vontade de minorias naquele estúpido referendo.
Se o Kosovo, o coração da Sérvia, pôde ser independente, também El Raval um dia poderá reivindicar a sua independência da Catalunha. Esta gente é doida. E dizem-se de esquerda.
O Kosovo já há muito tempo que era uma região autónoma na Jugoslávia sendo a integração na Sérvia meramente formal. Foi o coração da Sérvia em termos históricos, mas há muito que a esmagadora maioria da sua população é albanesa. A Rússia também começou em Kiev, cidade que hoje é a capital da Ucrânia. A história não é imutável e as populações mudam.
Por isso nacionalismos com bases étnicas e culturais e territoriais na Catalunha é um absurdo. Qual é a base da nação catalã hoje em dia?
Já agora, permita que acrescente um artigo de 2013 que dá uma outra perspectiva do mundo. Numa época em que se fala tanto de direitos e avanços civilizacionais, há uma situação que se repete na história e andam todos calados.
http://www.frontpagemag.com/fpm/187008/f orgotten-genocide-why-it-matters-today-r aymond-ibrahim?