O País do trabalho sem direitos


Pedro Correia,

perfect-grilled-mackerel-1456790327.jpg

 

Férias no Algarve. São 18.30 quando chego a um dos meus restaurantes favoritos, sem marcação prévia. Em busca do peixe bem grelhado de que tanto gosto. 

Atende-me um empregado que bem conheço. Hoje [ontem] parece-me pouco satisfeito.

– Que se passa? – pergunto.

– Falta de folgas. Cansaço. Dias após dias sem folgar.

– Mas ontem [segunda-feira] estiveram fechados, aliás como é costume…

– Sim, mas foi o último dia. O patrão acaba de avisar-nos que durante os próximos dois meses não teremos folgas. Até 15 de Setembro estaremos sempre a funcionar.

– E vão ter alguma compensação financeira por isso?

– Nem mais um cêntimo. É pegar ou largar, disse ele.

– E ele nega-vos mesmo a folga semanal?

– Sim. Ainda tentámos que no desse meia folga, ao menos isso. Mas recusou.

 

Eis um quadro que se vai multiplicando por esse Algarve fora. Acumulam-se os clientes, acumula-se a receita, acumulam-se os lucros – e diminuem os direitos dos trabalhadores, a começar pelo mais básico: o direito ao descanso.

Até Deus, que é omnipotente, descansou ao sétimo dia. Estas entidades patronais, julgando-se num mundo em que são elas a ditar as leis, arrogam-se no direito de explorar até ao tutano quem lhes presta serviço. É o caso deste restaurante, que tem um número fixo de empregados: em vez de reforçar os quadros nos meses de maior afluência de público, adequando a oferta à procura com o recrutamento de trabalhadores temporários, estica ao máximo os recursos de que dispõe, insuficientes nesta quadra, negando-lhes contrapartidas remuneratórias ou as mais que justas folgas de compensação.

Às sete da tarde, as duas salas estão cheias e começa a formar-se fila à porta para jantar. Os empregados correm de mesa em mesa: já ao almoço ocorreu algo semelhante e terão pelo menos mais três horas seguidas neste ritmo frenético.

 

Não é difícil fazer uma estimativa perante tal afluência, multiplicando comensais diários por custo médio de refeição: a meio da semana, neste estabelecimento, já a despesa estará coberta. A partir daí, tudo é lucro. O problema é que estes patrões – que adoram intitular-se “empresários” – mostram pressa em matar a galinha dos ovos de ouro. São cada vez mais frequentes os casos de cozinheiros e empregados de mesa que, cansados de tanta exigência a tão baixo preço, procuram vias profissionais alternativas. 

Tenho um amigo, proprietário de três restaurantes em Lisboa sempre cheios, que se queixa disto mesmo:

– Eles deixam de aparecer, muitas vezes nem avisam. Temos de improvisar tudo, transferindo pessoal de um estabelecimento para outro às vezes em cima da hora de abertura.

– Porque é que vocês não lhes pagam mais? – indago.

– Eh pá, sabes, a vida está difícil para todos…

 

Segue-se o habitual rosário de queixumes da parte de quem prospera a olhos vistos mas só pretende dividir escassas migalhas desses dividendos. Em Lisboa como no Algarve.

Mesmo em férias, vou pensando: eis o País que não mora nas estatísticas nem na propaganda do “Portugal positivo”. O País do lucro máximo de alguns à custa dos direitos mínimos de muitos. O País onde é possível trabalhar dois meses sem sequer meio dia de folga diária, quase em regime de servidão feudal. O País do trabalho sem direitos a que partidos que tanto invocam a “classe trabalhadora”, como o BE e o PCP, fecham os olhos neste quarto ano contínuo de “geringonça”.

Foi para subsidiar patrões como estes que o Governo Costa/Centeno decretou logo no início uma das medidas mais demagógicas de que há memória em anos recentes: a redução da taxa do IVA na restauração. Os restaurantes não baixaram preços nem recrutaram gente: limitaram-se a ampliar as margens de lucro. Enquanto o Estado via diminuir quase 400 milhões de euros a receita fiscal neste sector, que logo tratou de compensar por outras vias, esmifrando os do costume – nós, os contribuintes – com a maior carga tributária de sempre: 35,4% do produto interno bruto.

 

Pela primeira vez, confesso, não apreciei o peixe grelhado que comi aqui.

160 comentários em “O País do trabalho sem direitos”

  1. Os restaurantes não baixaram preços nem recrutaram gente

    A descido do IVA foi há quatro anos. É possível (e, diria eu, muito provável) que ao longo desses quatro anos os restaurantes tenham recrutado gente. Podem não o estar a fazer agora, mas tê-lo-ão feito ao longo dos quatro anos.

    De resto, o Algarve no verão é um caso especial.

    1. Façam como eu.Direitinho a Espanha que nem um tiro.Vou para Benidorm com meia pensão durante uma semana,e ainda me sobra muito dinheiro.Quem diz Benidorm,poderá ser noutro sítio de Espanha.Em Portugal,fazer férias ao preço de Espanha,só se for no Barreiro e mesmo assim não sei…

  2. em vez de reforçar os quadros nos meses de maior afluência de público, adequando a oferta à procura com o recrutamento de trabalhadores temporários

    Isso não é fácil, pois o desemprego está em mínimos e é muito difícil contratar pessoal com um mínimo de especialização.

    Ainda neste fim de semana vi um restaurante popular em Lisboa, cujos clientes são todos portugueses, a funcionar com dois empregados nepaleses que, manifestamente, percebiam muito mal o português. Esse restaurante tinha há pouco tempo uma empregada brasileira que, claramente, já deve ter ido para melhor sítio.

    Um empregado de restaurante tem que ter um mínimo de experiência e conhecimento para ser competente. No Algarve no verão deve atualmente ser bem difícil encontrar trabalhadores suplementares assim.

  3. Pedro: uma grande parte do turismo em Portugal é baseado neste tipo de situações! A Hotelaria é das áreas mais stressantes, com mais horas trabalhadas e mais mal paga! É uma área fascinante que tem vindo a perder “glamour” e “qualidade” desde que se tornou um produto de massas…

    As apregoadas melhorias das condições de trabalho para estes profissionais não melhoraram com o “boom turístico”, algumas até pioraram… Não fossem cadeias multinacionais, que têm regras bem vincadas e ainda estava pior.

    A isto some os estagiários, quem em hotelaria são “vendidos” pelas escolas como se fossem escravos… No país das borlas, onde todos querem dinheiro mas ninguém quer pagar, imagine quão bom isso é!

    Os números vão cair… E quando tal começar, vamos ver o que isto dá, até porque em períodos de crise é a primeira indústria económica a cair!

    Depois, como em qualquer outra área, o Turismo é feito pelos mesmos e para os mesmos… A oferta de trabalho tem aumentado mas não vê vagas para directores ou quadros intermédios… Essas vagas decidem-se às mesas de muitas jantaradas onde o fulano “X” sugere fulano “Y” ao Director-Geral que muitas vezes comete um erro de casting que acaba mal…

    Mas quem é que quer saber disso? E quem é que quer saber dos festivais de Verão que não pagam policiamento e muitos dos colaboradores que lá estão?

    1. Calculo, meu caro: nos festivais de Verão (fenómeno que não acompanho, confesso) a desbunda deve ser ainda maior. Com o Governo – isto é, as autoridades oficiais que dele dependem – a fechar olhos, ouvidos e boca em relação a direitos incumpridos, a legalidade espezinhada, a contratos só para-inglês-ver.
      Depois vêm com a cantilena de que este é um “país de sucesso”. Esgrimem estatísticas e pavoneiam-se pela “Europa” a proclamar aquilo que por cá não existe excepto na propaganda governamental.

      1. https://www.google.com/amp/s/www.tsf.pt/economia/interior/amp/trabalhadores-portugueses-tem-mais-qualificacoes-que-patroes-9161860.html

        Inquérito mostra que mesmo sem o ensino secundário, a maioria diz não precisar de mais para realizar as tarefas que lhes são pedidas.

        https://www.google.com/amp/s/www.publico.pt/2016/04/13/sociedade/noticia/baixas-qualificacoes-sao-incentivadas-pelo-mercado-de-trabalho-existente-1728883/amp

      2. Basta pensar em quem são os promotores/produtores (não confundir com os patrocinadores) e pode começar a tirar conclusões.

  4. E o Estado vai ajudar restaurantes a comprar cinzeiros

    “No primeiro ano após a entrada em vigor da nova lei, não será aplicada qualquer penalização.”
    “Neste período de transição, as entidades poderão concorrer a financiamento para os cinzeiros, no âmbito do Fundo Ambiental”

    https://www.jornaldenegocios.pt/economia/ambiente/detalhe/restaurantes-vao-ter-financiamento-para-instalar-cinzeiros

    1. Meu caro, na prática, em muitas actividades profissionais, o salário mínimo já está sem efeito pois o prolongamento do chamado “horário de trabalho” prolonga-se de tal maneira – até às 60 ou 70 horas semanais, em muitos casos – que o valor do salário por cada hora efectiva de trabalho fica abaixo de qualquer tabela oficial em vigor.
      Que este quadro laboral concreto ocorra num momento em que há um “governo de esquerda”, apoiado por BE e PCP, devia ser irónico se desse vontade de rir. Mas não dá.

      1. Que este quadro laboral concreto ocorra num momento em que há um “governo de esquerda”, apoiado por BE e PCP

        O governo não tem grande coisa a ver com o funcionamento da Inspeção do Trabalho. Se a Inspeção do Trabalho não descobre e/ou não pune atropelos à lei laboral, isso não é, em princípio, culpa do governo.

        De resto, na Inspeção do Trabalho ocorre o mesmo problema que nas empresas por ela inspecionadas: falta de trabalhadores especializados que possam ser contratados. Em praticamente todos os setores de atividade económica, há cada vez maior dificuldade em encontrar pessoas capazes de preencher as vagas existentes (ou a criar).

        1. “O governo não tem grande coisa a ver com o funcionamento da Inspe[c]ção do Trabalho. Se a Inspe[c]ção do Trabalho não descobre e/ou não pune atropelos à lei laboral, isso não é, em princípio, culpa do governo.”

          Ai não? Desde logo não falemos de culpa, falemos (escrevamos) de responsabilidade. A menos que o Lavoura ache que o governo falha e falha dolosamente; isto é, sabendo que a sua conduta não serve os fins anunciados, e até os poderá ofender, e desejando mesmo esse efeito perverso ou pelo menos antevendo-o e aceitando-o, caso se produza de facto. Ora do que de si se pode por aqui ir lendo, o Lavoura não concebe que o actual governo falhe, muito menos que falhe com dolo e hipocrisia. É um seu dogma.

          De quem depende a Inspecção do Trabalho, directa ou indirectamente? E se não tem meios, humanos ou outros, suficientes, de quem depende a sua contratação?

          Devemos, bem sei, moderar a invocação das nossas experiências directas, porque são facilmente susceptíveis de ferir a desejável objectividade. Mas a mim acontece-me ser pago para integrar e chefiar uma equipa. Onde trabalha gente com qualificações bem diversas da minha e que nem sequer saberia eu, se necessário, substituir no exercício das suas funções. Mas uma coisa sei: tendo eu aceite essa minha posição, se essa equipa falhar, o derradeiro responsável – culposo ou não – sou eu. E é bom que possa demonstrar que fiz eu tudo o que podia, nas circunstâncias, para detectar e corrigir, se a não conseguir evitar, essa falha. Mais não seja porque a culpa não pode morrer solteira.

          “No privado”, pelo menos…

          Costa

          1. Não é culpa do governo???,e então de quem é???,querem ver que a culpa é do vizinho???…

        2. Este Lavoura é, sem sobra de dúvida, o maior tudólogo em portugal e arredores. F…se!!
          “O governo não tem grande coisa a ver com o funcionamento da Inspeção do Trabalho.”
          O Lavoura sabe o que é a Administração Pública!??

      2. Vão há procura dos enfermeiros,e dos médicos!!!…Mas não se esqueçam de os informar,que é para fazer 60 ou 70 horas semanais…

  5. São 18.30 quando chego a um dos meus restaurantes favoritos

    Repare-se que o restaurante já está aberto para o jantar às 18:30.

    Ao chegar para jantar tão cedo, o Pedro está a contribuir para uma forma suplementar de exploração laboral, que consiste em ter os empregados a trabalhar sem parar durante umas quatro horas em contínuo.

    1. Não é assim tão absurdo se existirem turnos… Existem restaurantes onde isso acontece… O que aqui não deve ser o caso.

    2. O excelso comentrista nunca ouviu falar de estabelecimentos abertos 18 horas, que servem desde brunches a late suppers? Nestes casos acha que têm empregados a trabalhar 18 horas por dia? Já ouviu falar em horários repatidos e turnos? Já parou para pensar que a ASAE anda em cima destas situações?

      1. O restaurante a que o Pedro se refere não será provavelmente um estabelecimento aberto 18 horas por dia. Provavelmente terá um horário bem menor (talvez de 10 ou 11 horas por dia). Duvido muito que um estabelecimento desses tenha horário por turnos, pois que não está aberto tempo suficiente para justificar dois turnos.

        Tenho primos meus que trabalham por turnos, em fábricas que estão em laboração 16 horas por dia – dois turnos de 8 horas cada. Coisa totalmente diferente de um restaurante que abre durante 4 horas para o almoço e 6 horas para o jantar; nesse restaurante com toda a probabilidade não haverá trabalho por turnos, mas sim trabalhadores que fazem 10 horas por dia.

      2. A própria Maria Dulce escreve num comentário mais abaixo que há horários de 10 a 12 horas por dia no setor da restauração, em casos concretos…

        1. Absultamente. Nos casos concretos que exemplifico, a horas são pagas de acordo com o ACT.
          A questão é que no fim de um mês extenuante, o escalão do IRS sobe e trabalhamos de borla.
          Isso não é culpa da entidade patronal. As horas extra deveriam ser taxadas de modo a benificiar que se esfola a trabalhar.

          1. o escalão do IRS sobe e trabalhamos de borla

            Nunca trabalhamos de borla! O escalão mais alto só se aplica para os rendimentos acima de um determinado valor. E mesmo nos escalões mais altos, o imposto nunca é maior que 45% (creio).

          2. ” 45% …como se fosse coisa de pouca monta ” Note que é só na fatia acima de …. (não me lembro mas é alta). Sem impostos não pode haver muitas coisas que queremos.

          3. As horas extra deveriam ser taxadas de modo a benificiar que se esfola a trabalhar.

            Por lei, as horas extra são pagas por um valor mais elevado. Ou seja, não é o imposto que é mais baixo, é aquilo que o patrão paga que é mais.

            Portanto, por lei, quem se esfola a trabalhar é beneficiado por isso. Aliás, é por esse motivo que muitos trabalhadores trabalham de bom grado horas extra, ou aos fins de semana: porque são pagos a dobrar.

            O problema está mesmo em a lei não ser cumprida em alguns restaurantes.

      3. Ó Maria Dulce, deixe-se disso! Um pouco mais de empatia para com os que, como a Maria Dulce, têm origens modestas (é frequente, e até engraçado, encontrar gente que tendo tido a sorte de dar o salto classista, gera sintomas de disfarce, e até de aversão, perante as classes populares de onde provêm- o designado sindrome de neofito).

        “Encontrar formas de escapar ou, pelo menos, ser bem-sucedido nas inspeções, é algo a que muitos empregadores portugueses se dedicam, sendo comum a estratégia de esconder funcionários quando os inspetores do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) ou da Autoridade para as Condições no Trabalho (ACT) estão nas instalações.

        No que diz respeito às possíveis consequências das inspeções, os participantes num dos grupos de entrevistas em Portugal concordaram que, apesar de os empregadores poderem ser multados quando uma situação de exploração laboral é detetada, a maior parte das vezes não há medidas consequentes contra os patrões, enquanto os empregados podem ser prejudicados”.

        https://www.google.com/amp/s/www.dn.pt/pais/interior/amp/agencia-europeia-denuncia-varios-casos-de-exploracao-laboral-em-portugal-9803074.html

        Mas qual cumprir a lei, qual carapuça!! Levanta a grimpa e é posta a andar (sobretudo em trabalhos que requerem pouca especialização -a maioria precário- e onde a oferta é, por isso, enorme, em Portugal).

        1. Eu trabalho desde os 18 anos. E cumpro escrupulosamente.
          Gerir cerca 120 pessoas/dia com 30% de incumprimento diário , não é fácil.
          Não é falta de empatia, é falta de paciência para quem impunemente faz o que faz, publica fotos das redes sociais e justifica as faltas legalmente(!!!).
          Gostave de o ver aqui, no palco, como dizia o outro, Pedro. É facil dar opiniões quando se está a do ” outro lado” , o lado em que os patrões são o demo.
          Eu tenho excelentes patrões. É certo que há quem não tenha , há quem explore os empregados, como é certo que há quem se aproveite de tudo mais um par de botas para explorar os colegas, porque no fundo, há que colmatar as faltas e em cima do joelho não se arranja substituição do pé para a mão. É que não sei se já ouviu falar nos direitos dos trabalhadores.
          Claro que os deveres são uma coisa completamente obscena

          1. Lá começam o fracos e oprimidos a imputar culpas…
            Ó Senhor Vorph, deixe-se disso ! Você sabe bem que os millenials não qualificados se acham capacitados demais para ter um trabalho ! Apenas procuram emprego!
            Eu sei do que falo e o Pedro ? Lida com isso todos os dias ?

          2. Sim, já não se sujeitam a tudo. E fazem muito bem.
            Para serem explorados vão para Londres ou Estocolmo ou Zurique ou Berlim.
            Ser explorado por compatriotas menos viajados, com menos leituras e menos habilitações literárias, como é de regra por cá, é uma dupla humilhação.

          3. Pedro, alguns vão para aí, trabalharem em restauração/turismo, até conseguirem arranjar, com uma melhor probabilidade, do que por cá, algo melhor, “dentro da área”, como se diz ( o trabalhador português é muito “apreciado” na Alemanha, Grã Bretanha, Luxemburgo….).

          4. Não se submetem a tudo, não, não se submetem a coisa alguma! Trabalham três meses e vai engrossar as fileiras do desemprego, que nós, os que trabalham e pagam impostos, sustentamos do nosso bolso. Os trabalhadores são cada vez mais velhos, porque para os novos não há compromisso. Como já disse, refiro-me a casos específicos e, como este há milhares.
            Casos há em que a entidade patronal do trabalhador X é denegrida e enxovalhada na praça pública, porque o X avançou com uma história de exploração completamente falsa tendo em vista a gorgeta ou ajudas em valores. Casos recentes. Primeiro faz-se a parangona e depois investiga-se. E no fim há que repor a verdade, que por muito explicada que seja, nunca deixa a empresa bem vista…

            Há imensa exploração neste país, especialmente no sul em época alta, isso é certo e sabido e não é de hoje. Em Alvor, há mais de 20 anos que me falam isto e há mais de 20 anos que continuam a deixar-se explorar.
            Há dois anos enviei uma carta para uma grande cadeia de hoteis depois de aumentarem vergonhosamente o preço da diária, porque os empregados me disseram que ganhavam o mesmo há 10 anos !!
            Responderam-me que os funcionários tinham sido aumentados tinham sido feitas novas contratações o que verifiquei ser verdadeiro no ano passado.

          5. “Trabalham três meses e vai engrossar as fileiras do desemprego, que nós, os que trabalham e pagam impostos, sustentamos do nosso bolso”

            Tudo uma cambada de analfabetos, pá. O pessoal não quer trabalhar, pá. Era pô-los em camionetas, pá. Já ninguém respeita ninguém, pá. É só desestabilização, filha da mãe, pá….

            Epá, mas ouve lá, pá?

            https://www.noticiasaominuto.com/economia/1283066/cerca-de-9-mil-milhoes-sairam-de-portugal-para-paraisos-fiscais-em-2018

            Epá, já estás tu a desconversar….é como te digo. A culpa é desta malta, que não quer fazer nenhum, pá. E depois anda aqui a malta a pagar impostos, pá….esta coisa do 25 de Abril, andava tudo tão porreirinho, pá….

          6. Pedro, nada do que aqui referi é mentira. Nada. Nada tenho contra quem como eu, trabalha de sol a sol, desde que cumpra, quanto mais não seja o horário de trabalho na integra.
            A realidade nem sempre é onde se comem os melhores bifes, infelizmente.
            Uma moeda tem duas faces e você só quer ver a que lhe dá jeito.
            Nem todo o patronato é explorador; há gente honesta e muito boa para os empregados, que paga a dia 27, paga tudo e mais um par de botas e dá prémios 3 x ano. E ainda há quem fale de barriga cheia…
            De qualquer modo nunca o tentei ridicularizar nas suas opiniões, apesar de não lhes reconhecer qualquer bom senso. São “coisas” que foi lendo por aí e nunca viveu directamente. Coisas do diz que disse, que nunca viveu na pele. Como o 25 de Abril , por exemplo. Só sabe o que ouviu dizer e o que leu. Viver para contar não é para todos.
            O preconceituoso e intolerante ao outro ponto de vista, é você, que não tendo argumentos que não links e estudos de cicrano e beltrano que valem o que valem em realidades diferentes, achincalha as pessoas.
            Não deixe que o seu extremismo lhe tolde a visão, pois acaba por tornar-se mais ridículo do que os que quer ridicularizar.

          7. Dulce só queria referir que os que vivem do RSI, ou outros subsidios sociais não são o problema (veja quantos RSI cabem em 10.000 milhões de €, ou quanto custa ao erário público as PPP ruinosas). Essa coisa do “o pessoal não quer trabalhar”, “vivem de subsidios”é jogada de Mestre, para que os peões se entretenham em tiradas inócuas de tabuleiro. Se queremos menos impostos preocupemo-nos sobretudo com a desregulação financeira, bem como a responsabilização, criminal, de politicos e banqueiros. Os links são bibliografia, provas de que não falo por alto. Quanto a outros temas, as opiniões dependem da experiência de cada um. Quanto ao 25 de Abril , sei o suficiente, por leituras e histórias ( o meu avô era Legionário)….não leve a mal. O texto era reinação…

          8. Não estou a falar do RSI. Refiro-me ao subsídio de desemprego.
            Seguramente não lhe passa pela cabeça a quantidade de pessoas que trabalham apenas o tempo necessário para poder pedir o desemprego.

          9. Em 2018, o valor de referência do RSI é de 186,68 euros.

            Quantos cabem nos:

            As ajudas públicas à banca nos últimos 12 anos somaram 23,8 mil milhões de euros, revela o relatório extraordinário do Banco de Portugal.

            Nas PPP a Unidade Nacional Contra a Corrupção considera que o Estado foi prejudicado em mais de 3,5 mil milhões de euros devido a alguns dos principais titulares de cargos políticos do Governo de Sócrates.

            Isso dos subsidios e o diabo a quatro, do pagar impostos, porque o pessoal é de baldas é, é, é….bem, a Dulce sabe como é.

            Pela minha experiência laboral quem dá mais valor ao trabalho dos outros é quem menos tem trabalho e dinheiro. O que é compreensível.

          10. Sabe que os funcionários com mais problemas financeiros, familiares, pessoais, etc, são os que menos trabalham? Vivem de vale em vale, de baixa em baixa, de atestado em atestado e são os que se estão positivamente nas tintas para os problemas que as suas faltas espontâneas e repentinas poderão causar aos colegas?

          11. Por acaso, não. Os funcionários com mais problemas financeiros são os da classe média, que ambicionam para os filhos uma vida melhor , através do ensino, mas que em virtude do roubo fiscal, tentam fazer a Circulatura do Quadrado com um orçamento minguado (então se forem do interior do país estão tramados). Quem é pobre vive de esquemas e regra geral ,tendo perdido a vergonha, como estratégia de sobrevivência, preocupa-se com quase nada. Vivem como passarinhos…

            Quanto às baixas médicas, fala do quê? O que sei é que as Juntas Médicas até aos “cancerosos” obrigam a darem o litro.

          12. Isto é tudo muito estranho, Pedro. A quem está verdadeiramente doente recusa-se a prorrogação da baixa ; aos que têm coisa nenhuma prolonga-se sine die.
            Amizades, família e compadrios. Nós sabemos que é assim. Mas a documentação é legal, está tudo justificado e é triste verificar que estas pessoas vivem à custa de todos nós e continuam legalmente no quadro da empresa , tirando o lugar a quem quer verdadeiramente trabalhar. Neste momento temos 7 pessoas nesta situação, 3 delas desde Outubro 2018, 4 desde Janeiro 2019.

          13. Conheço uns quantos “empresários”, que herdaram as empresas dos papás, adorando os hinos versando a preguiça lusa, ou as virtudes do trabalho. E outros, que tendo na garagem vários Porsches, se queixam sempre do valor pedido pelo trabalho dos outros.

            Até conheci o delfim, herdeiro, da Moviflor, lá para os lados de Sto Estevão que queimava tudo em motas, carros (sem exagero 50, no total) e viagens. Era só investimento.

            O link é a titulo ilustrativo, apenas. Já nem me lembro se era em Sto Estevão (já lá vão uns anos desde que saí de Lx). Mas era coisa parecida.

            https://www.imovirtual.com/anuncio/quinta-em-condominio-fechado-IDUvMd.html?utm_source=trovit&utm_medium=cpc&utm_source=trovit&utm_medium=cpc&utm_campaign=premium

          14. Já fui explorado. Com horários indefinidos e salário fixo. Depois deixei-me disso. Fiz-me Homem independente.

            Na Restauração, os que conheço (homens), querem é ser patrões e andarem por aí a pavonear-se, com o crédito pedido em nome “empresa” , num BM X-5, a “papar adolescentes”, enquanto a mulher aguenta, aguenta, o barco.

    3. Já cá faltavam as réplicas da filosofia argumentativa da Secretária de Estado: se as pessoas não fossem tão cedo para as filas para tirarem o CC, as filas não começariam tāo cedo! O mesmo com os restaurantes: se os clientes não fossem tantos e tantas vezes jantar fora (o que só prova que o povo anda endinheirado) já os empregados da restauração n trabalhariam tantas horas, muitas das quais, ninguem lhes paga. O patrão que culpa tem disso? Entendam-se os empregados e os clientes … ora!

      1. É sempre assim, Fátima. Para os propagandistas de turno, a “culpa” é dos utentes. Designadamente daqueles que, como nós, ainda vamos pagando os impostos que permitiram à dupla Costa/Centeno fazer a mais rasteira demagogia com esta descida do IVA só para a restauração em busca de uns tantos votos…
        Os resultados estão à vista. Preços mais caros, emprego cada vez mais precários no sector, direitos transformados em letra morta…
        Só não vê quem não quer.
        Com a bênção do Governo.

  6. Bem-vindo à realidade.
    Um restaurante que abre às 19, tem o pessoal a bulir duas ou três horas antes. E meter mais uma ou duas depois. É uma vida lixada.
    Os “patrões”, com excepção de meia dúzia, fazem a mesma vida que os empregados. Ganham mais, mas também não se reformam aos 40.

    1. Estes “patrões”, começando por aqueles que têm os restaurantes sempre a transbordar de clientes, passaram a pagar menos IVA do que outras actividades económicas.
      A troco de quê?

  7. Concordo, Pedro, que há muita exploração laboral, principalmente nesta chamada época alta.
    A restauração é um dos sectores onde os horários laborais são duros, com dias de 10 e 12 horas de trabalho (em casos concretos).
    Existe também muita gente que não quer trabalhar (e acredite que não são os que têm mais qualidade de vida). O pesadelo de qualquer entidade patronal são as baixas médicas, que são uma realidade lamentável no nosso país. Não tem pontuação para férias em Julho e Agosto? Não faz mal, pede-se baixa ao médico de família e praia com eles. E são muito. Ou as empresas são bem estruturadas ou vem tudo por aí abaixo.
    Repare que não estou a defender o patronato explorador. Estou apenas a tentar mostrar que 70% dos funcionários contratados por 1 ano cou renovação automática, com ordenado mínimo ( nos primeiros 6 meses) + alimentação+ subsídio fundo+ assiduidade+ produtividade, prefere trabalhar o mínimo necessário a poder ficar em casa e receber o subsídio de desemprego ou entrar com baixa médica ou pedir seguro por acidente de trabalho, ou…
    Referi-me acima a um caso concreto e tenho a certeza que existe exploração desenfreada por esse país fora, particularmente a sul, que quando do Brexit se vai ver a braços com os frutos amargos da sua sementeira.

    1. “Existe também muita gente que não quer trabalhar”

      Aumentem os salários oferecidos (lei da oferta/ procura)

      E não têm direito a não quererem trabalhar? Vivem de subsidios, diz? Sabe qual o valor do RSI? Porventura não chega aos 200€/ mensais.

      Baixas médicas? Quem as passa, não são os médicos? Investigue-se. Já faz lembrar a desculpa dos créditos bancários. A culpa é do contraente, os bancários, uns inocentes.

      E na maioria das vezes não é o salário. É a forma desumana com que são tratados os empregados ( no papel tudo certinho. Na prática, uma exploração pegada).

      1. No caso concreto com que exemplifiquei os meus comentários, no final do mês de outubro, todos os funcionários com mais de 1 ano de casa e de acordo com a assiduidade e pontualidade, ganham um mês extra de ordenado, que por vezes sabe a muito pouco devido à subida do escalão do IRS.

        1. “A restauração é um dos sectores onde os horários laborais são duros, com dias de 10 e 12 horas de trabalho (em casos concretos). “

          Se forem só 10 e 12 já não é mau. Existem situções em que é mais… Algumas oganizações (restauranção e afins) muito bonitas da nossa praça até obrigam os colaboradores a assinar três fichas – uma com um horário relativo a manhã e meia-tarde, a outra com meia-tarde e noite e a outra com noite e madrugada… Não pagam horas (e também não permitem descanso) e o empregado assina as três. Quando chega a ACT só uma é mostrada… Se não me mostrassem, também não acreditava…

          Estar nas redes sociais ao invés de trabalhar? Ui… Ui… O que há disso por aí .-)

      2. “”Existe também muita gente que não quer trabalhar””
        Isto só se aplica aos empregados. Do lado dos patrões toda a gente quer trabalhar. Não sei é explicar por que é que do lado dos empregados aparecem tantos calões e do outro lado, tanta gente interessada. É acaso ou haverá uma explicaçãoracional?

    2. “…ou pedir seguro por acidente de trabalho,” isso já não é á vontade do freguês, um empregado só vai para o seguro se o patrão o enviar.

      1. É verdade, mas como não ? Se se queixa de um mau jeito nas costas durante o serviço, seria quase ilegal não enviar para o seguro, apesar de todas as dúvidas e mais algumas. Seguro que, diga-se, não conseguindo apurar a intensidade das dores, prescreve quase sempre uma semana de repouso.
        Os que realmento necessitam de tratamento diluem-se no resto, os fregueses do costume. Falo apenas daquilo que sei.
        Que os médicosque passam baixas prolongadas indefinidamente deviam ser investigados ? Absolutamente.

  8. Isto não é novo. Quando eu trabalhava nos verões em restaurantes da costa alentejana (há 15-16 anos) também não tinha folgas – era trabalhar sem parar de 15 de Julho a 15 de Setembro. No resto do ano a maioria dos restaurantes fechava, salvo alguns fins-de-semana e outras épocas específicas (Natal, Páscoa). Lá está, recorrente não é sinónimo de correcto. Mas nas zonas turísticas isto é prática corrente.

    1. Mas este restaurante está aberto o ano inteiro, João. Como aliás vem sucedendo há vários anos no Algarve, genericamente: o turismo aqui deixou de ser um fenómeno sazonal. Em Maio, como pude verificar, já estas salas enchiam.

      1. Aí é chamar a ACT, se bem que isso nunca acaba bem para os trabalhadores. É um perfeito disparate, é o que é.

        (eu hoje também já não trabalharia no verão como trabalhava há quinze ou dezasseis anos, mas na altura fez todo o sentido, e nunca sequer pensei no facto de não ter folgas)

        1. Aos 16 anos nem pensamos nisso, João. Queremos é ganhar uns trocos. O meu primeiro “emprego” – hiper-precário, sem contrato, aos 16 anos – era assim: o patrão dava-me uns trocos em numerário, não havia recibo, nem descontos, nem segurança social, nem coisa alguma.
          Mas nessa altura o Governo era de “direita”. Jurássico e cavernícola, portanto. Agora, que reina a geringonça, devia haver mais direitos sociais. Penso eu de que.

  9. O Sr. Pedro Correia passa a vida a queixar-se, da Esquerda e da Direita, mas passa o tempo nos Algarves nos belos petiscos. E sem patrões, ás tantas…

    1. Passo o ano a trabalhar. Muito. Trabalho desde os 19 anos e o dinheiro que gasto em férias é meu, não é seu.

      Se você é funcionário público, trabalho muito mais que você. Trabalhar 35h semanais, só mesmo na função pública.

      Se você é funcionário público, parte do dinheiro que gastar é meu.
      Cada vez mais meu, aliás. A carga fiscal não cessa de aumentar.

      1. Caro Sr. Pedro Correia,

        Agora fique baralhado. É capaz de me explicar o significado da frase:

        “Se você é funcionário público, parte do dinheiro que gastar é meu.”?

        Quer dizer que sendo V. Ex. um dos patrões, o que paga ao empregado continua a ser seu?

        Ou acha que os funcionários públicos deveriam trabalhar de borla?

        1. Foi você que escreveu o comentário anterior, a censurar-me por eu estar de férias?

          A diferença entre nós é a seguinte: eu, pagando impostos, contribuo para o seu salário.
          Você em nada contribui para o meu.

          Não tem nada a ver, portanto, com a data, o local ou a duração das minhas férias.

          1. Não fui eu quem escreveu o comentário anterior a falar das suas férias. As suas férias não são da minha conta.

            Vamos lá esclarecer algumas coisas:

            Um funcionário público, seja quem for,( desde médicos, enfermeiros, polícias, varredores de rua, professores, canalizadores, cantoneiros, etc.), prestam um serviço , por conta do seu empregador, que é o Estado.

            Ora, parece-me normal que seja qual for o serviço prestado, tenha que ser remunerado (o tempo do trabalho não remunerado, já lá vai).

            Continuando…
            supostamente, parte desse serviço será em seu favor, directamente ou potencialmente. Por exemplo, deve ter andado na escola e, como tal, os contribuintes, na altura financiaram os seus estudos. Actualmente financia você os custos dos alunos actuais.

            Portanto, não me parece que seja lógico vir reclamar que contribui para o ordenado do funcionário público, da mesma maneira que você não anda a alardear, que parte do ordenado do canalizador que foi reparar a fuga de água, lá de casa, é seu.

            Tal como o canalizador, o funcionário público presta-lhe um serviço e você paga-lhe, naturalmente.

          2. Eu não venho reclamar. Venho anotar um facto: os salários dos trabalhadores da administração pública resultam do pagamento de impostos.
            Eu pago impostos, logo contribuo para os salários de quem exerce funções na administração pública.

            O contrário é que não ocorre.
            Você, sendo funcionário público, não contribui para o meu salário.
            A última coisa que deve preocupá-lo, portanto, é quando e onde e com quem eu passo férias.

          3. Já lhe disse e torno a dizer:

            NÃO FUI EU QUEM COMENTOU AS SUAS FÉRIAS.
            AS SUAS FÉRIAS NÃO ME DIZEM RESPEITO.

            Disse.

          4. Acredito. Era também só o que faltava.
            Acontece que o seu comentário, sendo anónimo, seguiu-se logo ao de outro anónimo, que decidiu enveredar por aí como se o assunto lhe dissesse respeito.

  10. Tudo muito certo. Mas transpira no post um certo ar de novidade, como se com o anterior governo não tivesse sido igual. Não foi a PAF que criou o banco de horas e mais um conjunto de alterações laborais trazidas pelo novo código do trabalho, aprovado em 2013, que se traduziram em pior condições para os trabalhadores. Nem o governo de Costa, nem a oposição de direita fizeram coisa que se visse na actual revisão do código do trabalho. A conivência é transversal.

  11. (faltou ali um ponto de interrogação; pode editar / manter só um dos comentários, se assim o entender)

    Tudo muito certo. Mas transpira no post um certo ar de novidade, como se com o anterior governo não tivesse sido igual. Não foi a PAF que criou o banco de horas e mais um conjunto de alterações laborais trazidas pelo novo código do trabalho, aprovado em 2013, que se traduziram em pior condições para os trabalhadores? Nem o governo de Costa, nem a oposição de direita fizeram coisa que se visse na actual revisão do código do trabalho. A conivência é transversal.

    1. Estamos em 2019, não estamos em 2013.
      Este Governo foi empossado em 2015. Há quase quatro anos. Dispôs de maioria no parlamento para fazer as alterações que entendeu e contou com o beneplácito quase total do Presidente da República.
      Justificar questões do presente com protagonistas do passado é um dos habituais truques retóricos destes debates.
      Não vale a pena ir por aí.

  12. Paulo Jorge
    Na Alemanha onde eu vivo e nos Países do Norte da Europa não é diferente, todas as horas extraordinárias fins de semana e feriados são págos extra a 25%, 50% e 100%. Horas de trabalho entre as 22:00 e as 06:00 da manhã tambem dão direito a um pagamento extraordinário. Horas e Dias de descanso estipulados nas leis têm de ser cumpridas. O empresário português mas tambem os governantes ainda não entenderam que os ordenados baixos são a origem do atraso do País. Trabalhadores mal pagos trabalham desmotivados e devagar e muitos empresários enganam o Estado porque não pagam todos os impostos que deviam pagar. Portugal é o País mais injusto e mais associal da Europa.

    1. Ora aí está. Era também aí que eu queria chegar.
      Os nossos “patrões” enchem a boca com a Europa mas são incapazes de adoptar os padrões europeus.
      Preferem “inspirar-se” noutros continentes.

        1. Criam empregos (estes de que falo, por exemplo), trabalham para as estatísticas e ajudam assim a ganhar votos aos governos de turno.
          Por isso se permitem actuar tantas vezes na mais escandalosa impunidade.

    2. Vivo e trabalho na Alemanha e o que é dito neste comentário não corresponde á verdade. Na Alemanha existe banco de horas tal como em Portugal. Para além disso tenho conhecimento aqui de diversas situações idênticas ás relatadas neste post. Aliás basta ver os noticiários na Alemanha para se chegar á conclusão que a realidade não é assim tão diferente. Quanto aos salários. Claro, ganha se mais na Alemanha que em Portugal da mesma forma que se ganha mais em Portugal que numa série de países. Nada disso está relacionado com o facto de o patrão ser melhor nuns países que noutros.

  13. Meu caro Pedro Correia, percebo bem o seu ponto de vista, mas costuma-se dizer que quem sabe da tenda é o tendeiro.
    UM FAMILIAR próximo teve um restaurante e tinha clientela . A escrita era mais exigente do que a CGDepósitos.. Além do seu emprego era bom orientador até ás tantas. Boa parte do seu salário era metido no restaurante.Só pode encerrá-lo sem dívidas ás ososnanças, Seg. Social e outros compromissos.
    Nesta sua opinião temos que ter em conta que meses bons são poucos.
    Até aquele restaurante Espanhol com reservas de meses faliu.
    Por aqui me fico.
    Cumps.

    1. Não sei que restaurante é esse. Mas restaurantes com semanas ou meses de reservas, tanto quanto sei, prosperam a olhos vistos.
      Cheios de “grã-finos”. Incluindo ministros e deputados.

  14. De Margarida Palma

    Pedro Correia, de pé alaudo o seu postal!

    Para evitar comentários deslocados,quero registar que não sou nem nunca fui proprietária de hotéis ou restaurantes,não trabalho nem alguma vez trabalhei em qualquer área de hotelaria, não tenho família profissionalmente ligada a essa área – mas sou cliente,e é quanto me basta para concordar com tudo o que disse.

    Bem haja!

  15. Prezado Pedro
    O que me admira e que ainda consiga comer nesse restaurante.
    Relativamente ao que argumenta culpar o Costa e manifestamente excessivo!!!!

    1. Meu caro, não terá lido bem o que eu escrevi. Aponto a culpa a estes patrões à moda antiga, que só pensam no lucro imediato e exploram até ao tutano os trabalhadores, a quem não reconhecem elementares direitos, em manifesta violação da lei.
      O governo Costa/Centeno é aqui chamado porque incentivou estes comportamentos ao fazer baixar o IVA para a restauração. Que só beneficiou esses tais. Essa medida nem incentivou a proliferação de empregos com qualidade nem fez baixar os preços dos restaurantes: só serviu para ampliar os lucros desses patrões que jamais serão empresários. E nós pagamos ainda mais impostos para que eles andem aliviados.

  16. Sempre me fascinou como boa parte dos empresários são mais sociais/aristocratas que capitalistas.
    Para eles parece não haver regras de oferta e procura, não se paga mais ao empregado porque o empregado tem uma posição social pre-definida…

    E claro depois queixam-se que faltam trabalhadores.

    lucklucky

  17. Não é por acaso que foram transferidos para offshores 3 mil milhões de euros nos últimos 3 anos, três vezes mais que o orçamento para a saúde. E também não e por acaso que em 2018 ficaram por pagar 12 milhões de Euros em salários um aumento de 67% face ao ano anterior. E não é por acaso que as vendas de automóveis de luxo aumentaram em Portugal.
    São factos numéricos.

      1. Se há coisa que já percebi há muito tempo é que os acontecimentos, como os que relatei nada têm a ver com quem governa. É assim, porque sim, não é manie, nem feitio, é o habitual hábito nacional no que toca ao cumprimento das leis e também o habitual laxismo em fazê-las cumprir.
        Não me leve a mal, mas nunca fui filiado em qualquer partido político nem espero vir a ser, limito.-me a observar.

        1. Faz muito bem. Eu também observo. E concluo que dois partidos que reclamam ser “dos trabalhadores” (o PCP e o BE) silenciam estas situações porque já fazem parte da solução governativa.
          Se estivessem na oposição andavam aos gritos na praça pública.

          1. Nada que um bom observador não veja e sinta quando outros estão no governo. Em suma só se manifestam para defender o que defendem e calam-se quando são os próprios a executar ou a permitir o que não defendem.
            Em português chama-se hipocrisia, nada que todos, mas mesmo todos, não façam no seu dia a dia.
            A sociedade está toda podre, mas, seguramente, não é só a classe política.
            Salve-se quem puder!

  18. Mas foi para o restaurante tão cedo, com fome, e só para comer estes dois peixitos tão raquíticos ?! Por isso é que o dono do restaurante não tem lucros…

  19. Boas, culpar o recente governo por aquilo qur vêm sendo uma norma há mais de 30 anos que vivo no Algarve não sei se é correto, julgar também o funcionário público não é correto. O Algarve sempre foi assim aproveitando tudo e todos para espremer o cliente, eu como muitos algarvios, costumamos dizer que o Algarve não é para os algarvios. Como funcionário público as 35h que trabalhamos, dependendo do caso, chegam e sobram para ficarmos sem força de vontade para fazer alguma coisa depois de sair do trabalho, infelizmente como o dinheiro que se ganha na função pública não dá para viver desafogado tenho que trabalhar mais 5 horas depois disso. Pôr tudo na mesma panela nunca fez um bom cozinhado. Os políticos (direita ou esquerda) fazem o seu jogo e o povo paga sempre com exceção dos patrões carregados de dinheiro que superam sempre isso, não misture política com o funcionalismo público que têm sofrido tal como os restantes ofícios.

    1. Funcionário público trabalha menos horas, ganha mais, faz mais greves, reforma-se mais cedo, tem mais e melhor assistência médica e sobretudo não enfrenta o drama do desemprego.
      É um privilegiado.

      1. Caro Sr. Pedro Correia,

        V. Ex.ª tem qualquer coisa contra os funcionários públicos…

        O que é que o faria feliz?

        Que os funcionários públicos trabalhassem mais horas que você?

        Que ganhassem menos?

        Que fizessem menos greves?

        Que se reformassem mais tarde?

        Que tivessem pior assistência médica?

        Que fossem todos para o desemprego?

        Ou, em contrapartida que você tivesse as mesmas benesses que considera que eles têm?

        Só para sua informação, sou funcionário público há 38 anos e não fiz um único dia de greve.

        1. Melhores salários.
          Menos horas de trabalho.
          Reformas com menos anos de serviço.
          Melhor assistência sanitária e hospitalar.
          Mais greves.
          Empregos garantidos para a vida.

          Há dois Portugais dentro de Portugal.
          Parabéns: você faz parte da parcela privilegiada. Aquela que nunca experimentou o drama do desemprego, por exemplo.

          1. A partir de uma determinada altura, alguém introduziu estas dicotomia do público e do privado, que não passa de um mito, criado para obter dividendos políticos.

            Entre outros, está o de que os trabalhadores do Estado ganham mais do que os do privado:

            Como é que fez as contas para chegar a essa conclusão?
            Comparou uma a uma, todas as categorias de trabalhadores, isto é, comparou os médicos do Estado com os médicos do sector privado?; comparou os polícias do Estado, com os polícias privados; comparou os professores do Estado com os professores do sector privado?

            Ou, em contrapartida, comparou os engenheiros do Estado, com os trabalhadores não especializados, do sector privado?

            Ou, porque o salário mínimo dos funcionários do Estado é superior ao do sector público, deduz-se que todos os salários no estado são superiores?

          2. Concluo que este governo introduziu dois poderosos factores de desigualdade entre trabalhadores.
            – Passou a haver em Portugal, pela primeira vez, dois salários mínimos. Um salário mínimo obrigatório (mais elevado) só para os trabalhadores da administração pública, outro para todos os restantes.
            – Passou a haver em Portugal, também pela primeira vez, dois horários oficiais de trabalho. Um horário obrigatório (mais reduzido) só para a generalidade dos trabalhadores da administração pública, outro para quase todos os restantes.

            Junte a isso o facto de não haver despedimentos na função pública. Os desempregados que existem vêm todos do sector privado.

            Já tem três factores de comparação.
            Podia continuar, mas não me apetece gastar mais linhas com o tema.

          3. ui, ui, ui, falar sobre os funcionários públicos? És um “facista”, “neoliberal”. Mesmo até “populista”, como agora se clama.

          4. A partir de uma determinada altura, alguém introduziu estas dicotomia do público e do privado, que não passa de um mito, criado para obter dividendos políticos.

            Entre outros, está o de que os trabalhadores do Estado ganham mais do que os do privado:

            Como é que fez as contas para chegar a essa conclusão?
            Comparou uma a uma, todas as categorias de trabalhadores, isto é, comparou os médicos do Estado com os médicos do sector privado?; comparou os polícias do Estado, com os polícias privados; comparou os professores do Estado com os professores do sector privado?

            Ou, em contrapartida, comparou os engenheiros do Estado, com os trabalhadores não especializados, do sector privado?

            Ou, porque o salário mínimo dos funcionários do Estado é superior ao do sector público, deduz-se que todos os salários no estado são superiores?

          5. Estado = 630 euros de salário mínimo
            Privados = 600 euros de salário mínimo

            Estado = 35 horas de semana laboral
            Privados = 40 horas de semana laboral (mínima)

            Todos os desempregados vêm do sector privado, nenhum do Estado.

            Quer mais “dicotomias” ou estas já bastam?

          6. Mas eu sou do Estado e não ganho nem metade do que está aqui tabelado e trabalho as 24h diárias. Não podemos julgar tudo pela mesma bitola.
            O Senhor aqui do blog devia ser mais cordata – a tratar de palermas as pessoas que aqui vêem por gosto e levam um balde de água fria. Deve ser jornalista para ter estas liberdades! Vê-se logo que tem também uma pena caprichosa ou coisa assim…
            E por aqueles peixes que nem robalos são, não valia a pena ser tão ríspido.E deve ter ficado cheio de fome, claro.
            E eu que gostava de vir aqui ver como vão as ondas…ora esta…

          7. Acredito que trabalhe 24 horas. Ao longo da semana.
            Felizmente enquanto houver gente a pagar impostos, como eu, a si não lhe faltará emprego. Trabalho é outra questão, muito diferente.

            P. S. – É natural, para si (e para o Armando Vara), que “peixe” seja sinónimo de robalo. Muitos de nós, no sector privado, temos de contentar-nos com cavalas. Por mim, não me importo nada.

      2. Acinselho a que veja a tabela salarial da função publica e que veja bem esses “bons ordenados”, que caso não saiba não sofrem aumentos há mais de 14 anos, melhores ordenados deve estar a falar dos cargos de chefia ainda assim para as responsabilidades muitas vezes é pouco, a ADSE não é um sistema de saúde perfeito e tão pouco é barato pois desconto perto de 50€ mensais para o ter, há seguros por esse valor mais completos…o funcionário público não é o “bicho papão” da sociedade existe como em qualquer outra profissão bons e maus. Quanto à segurança no trabalho, também está errado pois desde há uns 10 anos que o vínculo passou a ser por “tempo indeterminado” o que facilita o despedimento apesar de continuar a ser difícil não é impossível.

        1. Um funcionário público, na prática, só pode ser despedido se for provada justa causa. Não há “extinções de posto de trabalho” e outras tretas invocadas para despedir trabalhadores competentes, zelosos e cumpridores no sector privado.
          O Estado não decreta “falência” e “insolvência” como fazem tantos patrões da privada para abrirem outra chafarica com outro nome logo a seguir.
          Esta é a maior disparidade. Não reconhecer isto é negar o óbvio.

          Que os funcionários, em muitos casos, deviam ganhar mais? Sim. Por exemplo, no sector da saúde, onde tem ocorrido uma sangria dos melhores quadros – para a emigração (que continua a existir, cerca de 300 mil portugueses emigraram durante a vigência do actual Governo) ou para a privada. Mas sem perderem a noção do que isso custa para os restantes portugueses: é uma despesa que, de uma forma ou outra, acaba sempre por ser paga através de impostos.

  20. confesso que a denuncia, porque vinda do PC (Pedro Correia ) , me surpreendeu. Apesar de o imaginar populista, ou pior, se é que populista nao dá para quase tudo.

    Afinal, no fim do post, lá está a razao da denuncia. E a denuncia como que se esfuma…

    Mas vale, ainda assim vale, pois uns tantos companheiros do PC metem a cabeça debaixo da areia.

    No fundo a questao, também aqui, é esta : é possivel travar a pratica, a moda do trabalho escravo ?

      1. A ultima denuncia foi relativamente a um sinal de transito, plantado no meio do passeio, e que embateu no peao .

        A questao é mais que extremamente simples : alem de outros e mais crediveis que denunciam situaçoes tais ( como a que o PC refere ) , quantos leitores o PC consegue mobilizar para combater , mesmo !, a praga ?

  21. O Pedro Correia bateu todos os recordes da desonestidade intelectual:

    1) conclui que isto está mau numa legislatura com influência de BE e PCP, esquecendo que para aprovar legislação é preciso 50% fos deputados, mas estes partidos têm aprnas 15%.

    2) diz que o problema é não haverem direitos e javer excesso de desproteção (liberalização), mas esquece que as recentes alterações à lei laboral agravam este problema e foram aprovadas pelos patrões e UGT (uma farsa de “sindicato”) na chamada “Concertação Social” (que é uma anedota pois só negoceiam com representantes de menos de 5% dos trabalhadores), ou seja as condições de uma facholândia (aka economia “liberal”) que o Pedro Correia defende.

    4) essas alterações que agravam a precariedade foram aprovadas pelos TRÊS partidos de Direita (é esse o posicionamento nesta matéria): PS, PSD e CDS – e tiveram voto contra de toda a Esquerda.

    5) e esquece que este é o estado do país, não após 4 anitos de alguma influência de PCP e BE na governação de um PS da Terceira-Via NeoLiberal (que de Socialista, Trabalhista, ou mesmo Social-Democrata, não tem nada), mas sim após 44 anos de alternância corrupta e incompetente do trio da negociat… quer dizer, da governação: PS, PSD e CDS.

    6) Se PCP e BE estivessem mesmo na governação, aí sim haveria uma mudança para melhor, no sentido Nórdico: mais distribuição de riqueza nos salários, mais poder negocial dos trabalhadores, muitíssimo mais sinficalizados no sector privado, trabalhadores na administração (ex: Alemanha), etc.

    Não é por acaso que nas últimas eleições Europeias (para uma FARSA chamada “parlamento” Europeu, e para a Presidente da comissão que ganhou sem sequer ir a votos, uma autêntica ÚRSAla encomendada por Orbán…), houve várias embaixadas portuguesas em países nórdicos (ex: em Berlim) em que os 3 partidos mais votados foram: BE, Livre, e PAN. E com a Direita em migalhas. Sim, isto é mesmo verdade.

    Concluíndo, o problema de Portugal é que o Fascismo institucional foi derrubado, mas o sangue fascista continua a correr nas veias de muito idiota, e há ainda mais idiotas (que até são Democratas e boas pessoas) que se deixam enganar pelos Costas, Rios, e Cristas, que andam todas as semanas às escondidas a fazer maiorias negativas contra os trabalhadores, utentes, alunos, pensionistas, e consumidores (ex: fidelizações de 24 meses nas telecomunicações). Este é que é o problema!!!

    1. Típico argumentário da esquerda radical.

      Eu falo em situações concretas, eles respondem com a cartilha. Geralmente em decálogo – esta, vá lá, só tem seis pontos.

      Este chega logo à patada, acusando-me de “desonestidade intelectual”. Linhas abaixo, cataloga o PS de “partido de direita”.
      Honestíssima argumentação, não restam dúvidas.

      Outro exemplo de profunda e rigorosa “honestidade intelectual” surge nesta frase: «Se PCP e BE estivessem mesmo na governação, aí sim haveria uma mudança para melhor, no sentido nórdico.»
      Como se o modelo do BE não fosse o do Partido Socialista Unido da Venezuela, de Chávez e Maduro, ou o grego do agora derrotado Syriza, tantas vezes enaltecidos por dirigentes deste partido.
      Como se o modelo do PCP não fosse o comunismo vigente nos países governados pelos “partidos irmãos” em Cuba ou na Coreia do Norte. Partidos que nunca deixam de estar representados, cada ano, na Festa do Avante!

      Fiquei afinal a saber que o modelo de sociedade proposto pelos comunistas é… a Noruega.

      Viva a honestidade intelectual.

  22. Houve uma altura, recente, em que era costume saudar textos com um elogio: “serviço público”. É o caso destes.
    Não sendo eu jurista apenas posso presumir que haja uma legislação sobre horários de trabalho. Se é insuficiente para impedir esta rapina escandalosa que se dê trabalho aos deputados. Se é suficiente que se aplique.

    1. Pois, era precisamente aí que eu queria chegar.
      Mas é aí que não se chega. Em nome da lógica política.
      Se o Governo é “amigo dos trabalhadores”, todas os organismos que ele tutela funcionam ‘ipso facto’ de forma exemplar na defesa dos trabalhadores. Admitir o contrário seria lesar a majestade – isto é, presumir que afinal o Governo não é assim tão amistoso para quem trabalha.

      Uma inspecção do trabalho eficiente e competente poria fim imediato a situações como esta, a dos novos servos da gleba dos nossos dias.
      Mas não: pelo contrário, elas multiplicam-se. Porque, afinal, estes patrões (que não são empresários) levam a água ao moinho do Governo: estão irmanados com este no combate pelas boas estatísticas – aquelas que nos garantem que o desemprego está a diminuir e Portugal se aproxima de “níveis europeus”.

      Que prolifere o emprego precário, pessimamente pago e sem direitos, que aumentem práticas neo-esclavagistas – com trabalho sem folgas, sem horários, sem a remuneração realmente correspondente ao vínculo contratual – é o que os números mais vistosos destas estatísticas escondem.
      Esses já não interessam para efeitos de propaganda. Nem ao Governo nem aos patrões travestidos de empresários.

  23. Este é um assunto muito mal explicado. O IVA da restauração era de 23%. Nessa altura, entregavam quase 1/4 do que faziam às finanças. E houve restaurantes que não aguentaram, outros fizeram das tripas coração. Quando o IVA da comida desceu para 13%, foi um alivio mais do que justo, porque não estava fácil. Os lucros não eram enormes, como se pode calcular, com a descida voltou-se ao que seria mais normal, apesar de a descida ter sido na parte de alimentação, as bebidas continuaram nos 23%. Se os ordenados não foram descidos na altura, porque haveriam de ser aumentados quando se passou a respirar um pouco melhor? O aperto quem o sentiu foi o proprietário. Quanto às folgas, quem obriga funcionários a trabalhar sem elas, sem contrapartidas (e teriam que ser boas) merece ficar sem eles.

    1. Mal explicado, ainda hoje, é porque sendo a tributação um dos campos em que compete ao Estado zelar pela aplicação do princípio da igualdade entre os cidadãos, este Governo introduziu um fortíssimo factor de desigualdade reduzindo o IVA apenas a um determinado segmento comercial – no caso, os proprietários de cafés, restaurantes e equivalentes – sem sequer lhes exigir como condição a efectiva criação de novos postos de trabalho ou acções de formação ou investimentos no sector.
      Com isto, afinal, todos os contribuintes passaram a subsidiar os lucros desses comerciantes. Abençoados por um governo que apregoa a igualdade mas neste caso não a pratica.

  24. Com os partidos que continuamente à mais de quatro décadas temos elegido apenas conseguimos transformar este país num território paraíso para corruptos, ladrões e oportunistas, vejam o exemplo de deputados que usando a mentira saqueam o erário público em viagens, refeições, alojamentos, falsas presenças e até reuniões “quase” secretas para inventarem mais formas de sacar uns “cobres” aos contribuintes, com exemplos destes e de todos os crimes financeiros que esta “casta” de bandidos e suas clientelas fizeram na economia nacional em que os condenados a pagar foram os comuns cidadãos a falta de moral e dignidade tomou conta de toda a sociedade, vivendo nós hoje tempos em que tudo vale para arrecadar fortuna de qualquer forma…

  25. Há muita gente em Portugal com excelentes regalias e muitos direitos e muitas recompensas: trabalham é todos no mesmo sítio.

  26. E o Pedro em resposta a isso…? Dá a gorjeta por baixo da mesa? Não volta ao restaurante? Pede o livro de reclamações? Queixa-se às ACT? Ou simplesmente publica um texto vago, sem referências, em que se queixa dos patrões, do governo e da política?

    Ao patrão, se for como o pinta, não é um texto na internet que o vai sensibilizar. Não muda se não for a isso forçado. Se os clientes não reclamarem. Se lá voltarem. Se não for apanhado. Sendo a conduta ilegal (não é um problema de leis), o governo quando muito pode fiscalizar e punir. Resta saber com base em que queixas o faria.

    Se ninguém se queixar (quiçá com medo de perder o emprego), se ninguém deixar de ir ao dito restaurante (e de preferência recomendar que outros façam o mesmo), se ninguém mudar nada, está-se à espera que o problema se resolva como?

    De resto, a geringonça (que desprezo) “ofereceu” o IVA ao patrão e “aumentou” o ordenado (mínimo) de 590€ para 700€ (em 19%) ao funcionário. Benesses para todos.

    1. Já agora, corrijo o meu lapso em relação à evolução do salário mínimo, que passou de 505€ para 600€ “mensais.”

      Os valores do post anterior vêm de um documento que para aqui tenho que usa 12 meses por ano (não 14) para comparar vários países.

  27. Sabem quem tambem é prejudicado com as horas extras nao pagas ? Todos nos e o Estado ! Como ? é que quem nao recebe como deve ser o justo pagamento do seu trabalho , tambem nao desconta como deve ser para o IRS e a Segurança Social ! E o trabalhador nao consome o que devia e desejava consumir , portanto o Estado nao recebe o IVA que devia E depois o Estado tem de criar impostos encapotados e indiretos sobre bens essenciais como a eletricidade , o gaz , a agua , os combustiveis , as telecomunicações para poder arcar com as despesas “procuram vias profissionais alternativas” – podem fazer isso ou ir procurar mais justiça laboral noutro pais ! ….

  28. A hotelaria está numa miséria igual ou pior á da restauração.

    Trabalho num hotel em Lisboa. O cliente paga muito pela estadia mas o patrão a mim só paga o salário minimo nacional mais subsidio de refeição e nem mais um centimo.
    Não tenho beneficios nenhuns (nada de alimentação no local, seguro de saude, prémios, etc). Tenho muita responsabilidade e lido com dinheiro no dia-a-dia e se me enganar tenho de pagar do meu bolso. Tenho turnos e folgas rotativos, muitas vezes alterados em cima da hora, que dependem do humor do chefe.

    Conheço pessoas que trabalham em alojamento local e têm condições ainda piores. Muitas vezes nesses sitios só existe 1 funcionário por turno e ele acumula todas as funções (receção, limpeza, cozinha, compras, etc). É desgastante fisica e psicologicamente. E tudo pelo salário minimo. Mas é extremamente lucrativo para o patrão, especialmente com todos os beneficios fiscais.

  29. Também conheço um caso de diversos funcionários brasileiros que trabalham num café na Amadora que está sempre aberto domingos e feriados, inclusive no Natal e fim-do-ano e nunca folgam nestes dias. São mesmo explorados, coitados.

    1. É o que mais há por aí. De norte a sul, de leste a oeste.
      “Brandos costumes”, uma ova. Neo-esclavagismo, em muitos casos, a que as autoridades oficiais fazem vista grossa.

  30. Também eu e na mesma situação não apreciaria o peixinho grelhado.
    Por isso acompanho a sua indignação (é isso não é, uma indignação??).
    Só não entendo o seu parágrafo -“Mesmo em férias… terminando em “geringonça” (com aspas e até sem as aspas)- quando diz que “os de esquerda” fecham os olhos…
    Afinal não é (ou deveria ser) de todos os partidos a obrigação de condenarem o dito “trabalho de escravo/servidão feudal”?
    Ou considera que os ditos partidos de direita se estão a cag…, perdão, pouco lhes importa que os trabalhadores sejam “espremidos” até ao tutano desde que o peixinho grelhado chegue à mesa “a tempo e horas”?
    A situação que descreve (e que infelizmente não é única) não pode ser alinhavada com “os de esquerda”. No meu entender vai da esquerda à direita e todos eles, como bem sabe, respaldam-se nas leis que aprovam demitindo-se das situações reais. Estou delirando? Talvez! O Sol nestes últimos dias…
    Cumprimentos.

    1. Cita-me muito mal.
      Não escrevi essa expressão a que você põe aspas: “os de esquerda”.
      Não costuma fazer parte da minha terminologia, essa redução da política a pontos cardeais.

      1. Peço desculpa pelo lapso de apreciação do que quis sublinhar e que é concretamente:

        O País do trabalho sem direitos a que partidos que tanto invocam a “classe trabalhadora”, como o BE e o PCP, fecham os olhos neste quarto ano contínuo de “geringonça”.

        Entendi mal? Às vezes acontece-me mas é involuntariamente. É mais uma consequência da minha massa cinzenta estar cada vez mais escura (coisas da idade, quero dizer: da minha idade).
        Cumprimentos.

  31. Não percebo quando se fala de inspeção do trabalho nos restaurantes, aqui na zona de Cascais em 55 anos nunca nada , penso que a maioria dos restaurantes têm trabalhadores ilegais sem contrato, explorados até ao ponto de não aguentarem mais e quando isso acontece são mandados embora sem quaisquer direitos, é uma vergonha e uma exploração.

    1. Não posso estar mais de acordo com as suas palavras finais. Uma exploração vergonhosa – e sem inspecção, em termos práticos.

      Infelizmente, revisitando agora este meu texto do Verão passado, ocorre-me pensar como as coisas mudam tanto em tão pouco tempo. O problema maior, agora, já não é haver trabalho sem direitos: é não haver trabalho, de todo.

  32. Nos restaurantes a exploração é mesma à grande. E o elo mais fraco é o pessoal da copa. Sou o único copeiro do meu restaurante e é sempre mínimo de 10h por dia, nas 6ª e sábados piores chega a 12h dia. E só com uma folga semanal. Mas já falei com 2 colegas de restaurantes na mesma rua e é igual. O pessoal da copa é o mais explorado, temos o trabalho mais duro e sujo, lavamos loiça grossa e fina, … e no fim do dia sai o pessoal da sala e da cozinha e o copeiro ainda tem mais 1h pela frente, lavar panelões, grelhas, cozinha, casas de banho, lixos. Somos tratados como escravos e somos os mais desvalorizados, todos no restaurante se acham superiores a nós, ridículo mesmo porque sem um copeiro em condições um restaurante paraliza o serviço.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *