O ópio do povo


Pedro Correia,

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Futebol e mais futebol e mais futebol e mais futebol. Em todos os canais, começando pela televisão pública. Serões inteiros dedicados à bola, internacional ou doméstica. Serões cujo conteúdo é retransmitido madrugada adiante nos sonolentos canais que garantem ter noticiário “24 horas”. Na manhã seguinte, mais futebol. E à hora do almoço. E durante a tarde.

Nunca o escrutínio governativo andou tão arredado das pantalhas cá do burgo.

António Costa, com 40 anos de experiência política, sabe muito bem que este ópio do povo é o maior aliado de um Executivo em dificuldades. Imagino-o até a recomendar ao desaparecido ministro da Educação, que enfrenta uma contestação sem precedentes dos professores nesta legislatura: «Tiago, vai à Rússia e mostra-te lá com os jogadores da selecção.»

E ele foi. Como se dizia antigamente, e bem podia voltar a dizer-se agora, «o futebol é qu’induca, a bola é qu’instrói.»

38 comentários em “O ópio do povo”

  1. a recomendar ao desaparecido ministro da Educação, que enfrenta uma contestação sem precedentes dos professores nesta legislatura: «Tiago, vai à Rússia e mostra-te lá com os jogadores da selecção

    Então Tiago está “desaparecido” ou está a mostrar-se? Ou uma coisa ou a outra!

      1. ..não tenho a certeza se “desaparecido” é suficientemente ‘comprehensive’..

        É que o que há é alguém que, politicamente, é praticamente um zero, ou como outra ‘eminência’ do pagode hodierno referiu como enxovalho de superficie a correligionário de partido, a dar para o “poucochinho”….
        Na verdade, tal enfezada condição não é “património” deste pobre diabo – no ‘Bouquet’ de geringonço “governo” onde ele aparece emparreirado, não está sozinho na irrelevância de substantivo politico contributo e aturado trabalho de servir a população que, ainda que não os tenha eleito, teve e tem de os ir gramando em nome de “parlamentares” enxertos para safar uma serie de deserdados das bancarrotas de 2011 – recordo poucos governos onde tanto ministro se remete a a tão conspícuo e reiterado recolhimento de acção politica. Com o sr. (ou sera Doutor?) Tiago, talvez uma distinção exista em relação aos colegas de conselho de ministros – os outros, mal ou bem, já deram algumas provas que existiam politicamente e/ou profissionalmente, antes de se deixarem amestrar pelo circo geringonço e pelas habilidades do Dr. Costa. Com o sr. (Doutor?) Tiago, ao contrario, por mais generosidade que se ponha na demanda, suspeito que ao nos aprochegarmos da sua cabeça de ministro, conseguimos, como naquelas conchas já desmioladas, ouvir umas ondas do mar…

        Jorg

  2. Mas sucede, recordando frase célebre (de memória, perdoe-se eventual erro de forma) que “é disto que o meu povo gosta!”. O poder actual mais não faz do que seguir essa sólida tradição de usar a seu favor esse sabiamente cultivado embrutecimento do povinho.

    Povinho que gosta disso: dessa dieta de bola com bola e de ser embrutecido. De modo que estamos perante uma espécie de tempestade perfeita. Mas é melhor ficar por aqui: estou a questionar o bom povo português e isso, por estes dias, suscita atentos e severos reparos de alguma polícia de virtude que faz rondas por aqui.

    Costa

    1. Extraordinário é vermos um ministro da Educação, em plena greve de professores, mostrar-se a milhares de kms de distância, junto dos jogadores de futebol. Como se os tutelasse. Ou como se não houvesse assuntos importantes para resolver em Lisboa.

      1. Sem dúvida. Mas, perdida a vergonha, e a vergonha está há muito perdida (se a houve), é apenas mais um pragmático procedimento de gestão da actividade “governativa” e da maçadora exposição dos senhores governantes aos tédios da realidade.

        Seja a Rússia, seja uma praia espanhola, sejam os professores, os fogos ou o que e onde seja. O mundo é grande e haverá sempre pretexto. A bem da Nação (perdão, do superior interesse nacional), sempre.

        De uma coisa não há como fugir (e lamento se isto parece argumentário simplista ou populista): como anda serena e dócil, perante estas coisas, a comunicação social. Fosse outra a cor política de turno no poder…

        Costa

  3. Gazprom paga viagem a Brandão Rodrigues.

    Segundo fontes jornalísticas a gigante petrolífera pagou a viagem a Brandão Rodrigues e familiares (um papagaio chamado Jacó e uma Tartaruga Americana, chamada Nita) para assistirem ao jogo da Selecção Lusa e a um Bailado da famosa Companhia Bolshoi, sob a temática : Dança Putiniana

    Mais detalhes abra o link:

    www. Newsdomundoearredores. Com

  4. Sem dúvida. É que o mágico para ter sucesso na sua aldrabice precisa de distrair o olhar da assistência para o sítio errado.

    Depois do destruidor terramoto, em Lisboa, o Marquês ordenou o proverbial “tratar dos vivos e enterrar os mortos”.
    Com o crescentemente destruidor terramoto a nível nacional que é a Dívida Soberana, o geringonçado fanatismo dos aprendizes de mágico resolve “tratar, louvando, os seus mortos e ignorar os outros, os ainda vivos” nos corredores dos hospitais.

    Entretanto como o futebol estava a dar o que tinha a dar, agora é tempo de criar uma nova distração: endeusar (!) os seus.

  5. Virtudes da escola pública de inspiração marxista: criar criaturas que só reproduzem os sound-bytes jornalísticos sem o mínimo de espírito crítico. É fácil estruturar o programa utilizando a propensão dos idiotas para a reprodução de chavões (metástases) e transformar isso na validação do texto e não do conteúdo (cf. também os anónimos aqui que vêm do esquerda.net e que utilizam a mesma estratégia primitiva).

    Mas a metástase da moda — que teve origem num ignorante que é comentador desportivo das corridas de bicicletas — é “o dia de hoje” e “o dia de ontem”. O que vale é que quando começarem os incêndios deixam “o dia de hoje” e passam a contar “três meios aéreos”. O jargão que ocupa 99% dos textos jornalísticos vem demonstrando a incapacidade para a crítica do seu próprio texto por cerca de 99% dos jornalistas. Isto no dia de hoje. No dia de amanhã não sabemos — poderão muito bem ser mais.

    1. O V agora é adepto da Desconstrução Derridiana/Teoria Critica da Escola Filosófica Alemã?

      A desconstrução de conceitos jornalísticos marxistas…o Luck ganhou um aliado de peso

      1. Bem, não há como negar que 1. o luck tem alguma razão dado que 2. sendo fraca e parcial a semântica jornalística é o próprio jornalismo que está a operar a primeira desconstrução da realidade

      2. Toma lá algumas palavras que os jornalismo Marxista usa para construir a narrativa:

        Activistas – chama-se a alguém de esquerda faz violência
        Extremistas – chama-se a alguém de direita faz ou não faz violência.

        Exilados – refugiados de ditadores que o Jornalismo Marxistas não defende.
        Dissidentes – refugiados de ditadores que o Jornalismo Marxistas defende.

        Líderes – Ditadores que o Jornalismo Marxista defende
        ” o líder Cubano”
        Ditadores – Ditadores que o Jornalismo Marxista não defende.
        ” o ditador Chileno”

        Populista – chama-se a coisas ou pessoas que o povo gosta e o Jornalismo não gosta que o povo goste.
        Democrático – chama-se a coisas e pessoas que o povo gosta e o Jornalismo gosta que o povo goste.

        Protestos – Ataques que o jornalismo apoia
        Ataques – Ataques que o jornalismo não apoia

        Morreram(voz passiva) – pessoas mortas em ataques mas que não interessa aos jornalismo Marxista designar quem atacou ” israelitas morrem em explosão”
        Foram Mortos(voz activa) – pessoas mortas em ataques mas que interessa ao jornalismo Marxista designar quem matou. “Ataque israelita mata palestinanos “

        Indignação – caracterização dos protestos quando o Governo não é apoiado pelo jornalismo Marxista
        Raiva/extremistas – caracterização dos protestos quando o Governo é apoiado pelo jornalismo Marxista

        Coerente- uma pessoa de esquerda é coerente
        Inflexível – uma pessoa de direita é inflexível

        Gastos – se o jornalista não gosta
        Investimento – se o jornalista gosta

        Apaixonada – uma pessoa de esquerda é apaixonada
        Controversa/polémica – uma pessoa de direita é controversa e polémica

        Denuncia – se a esquerda critica algo
        Aproveitamento e Incitamento – se a direita critica algo.

        Oposição Firme- A esquerda faz oposição firme
        Obstrução- A direita faz obstrução

        Convicções e Princípios- A Esquerda tem convicções e princípios.
        Ideologia -já a Direita é ideológica.

        1. Luck o que não falta, na C.S de cá, é chamarem ao BE, extrema esquerda. E à coligação, o termo depreciativo, Geringonça.

          1. Nah.

            Já não se diz Extrema Esquerda, diz-se “partidos à esquerda do PS”.

            É preciso preservar a palavra extrema/extremista.

        2. Acho que te entendo. O bom gosto provem do gosto marxista.
          Channel nº5, é perfume marxista e o Patchouli um perfume que o gosto marxista não aprova?

      1. No futebol pelo menos os ídolos são reais, na religião nem sempre se pode dizer o mesmo. Bem, há clubes cuja mascote é um dragão…

  6. Excertos recuperados de um escrito de 17.04.2012
    A amplitude das consequências futuras de um modelo educativo, reclama e merece um debate competente, sério e transparente para além das contabilidades caseiras partidárias.
    Enquanto enviesadamente se entender que em cada legislatura, um governo, qualquer governo, pode tudo baralhar e dar de novo, não se ataca a raiz do problema, e principalmente os mais jovens são indecorosamente sujeitos ao papel de cobaias.
    O sistema educativo terá que ser visto como uma questão de regime, bem afinado para poder durar décadas sem sobressaltos.
    No que respeita a critérios justos para comparticipação do orçamento do País que todos somos, uma regra simples e bem calibrada basta.
    Abertura nos privados para acesso universal a todas as camadas sociais sem encargos adicionais para famílias abaixo de um determinado rendimento.
    Em doses excessivas o Estado mata.
    Nota: acrescento agora somente por simples analogia perguntando o que é a ADSE e porque não dá acesso a todos.
    E ainda questionar se faz sentido subsidiar os partidos políticos (serão privados?) e querer negar essa participação do Estado no sistema global de ensino.

  7. Curiosamente já tinha referido ao meu piqueno da mãozinha fechada, que o Mundial não foi o que Portugal sonhava, mas foi uma dádiva para o actual sub-Prime.
    Já agora , a minha bisavó dizia que o fado é qu’induca e a bola é qu’instrói.
    Que o diga o M E, que abalou bem instruído.

  8. > voltar a dizer-se agora, «o futebol é qu’induca, a bola é qu’instrói.»

    Por acaso essa é uma frase original.

    O que se dizia dantes era “o futebol é qu’induca, o fado é qu’instrói.”

    Mas isso são só lágrimas na chuva, siga.

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