O odor dos animais ferozes


escafandro,

O que se passou ontem no Parlamento revela muito sobre a incapacidade deste PS debater os assuntos. Quando questionado, ataca, procurando desviar as atenções. Não aceita críticas, venham elas de organismos independentes como o Conselho da Finanças Públicas, venham de deputados cujo mandato inclui precisamente o escrutínio da acção governativa. Nem nos piores momentos da estadia da Troika em Portugal, com a oposição nas ruas, Passos Coelho reagiu como Costa o tem feito.

Mas já vimos este filme. As passagens de Sócrates pela Assembleia seguiam o mesmo guião. E, na verdade, não surpreende que ele continue a ser aplicado: Costa, Galamba, César, Ferro, Nuno Santos foram apoiantes entusiásticos de Sócrates e, como ele, parecem outorgar-se o direito de ocupar um plano acima daquele onde se movimentam todos os outros – e de todas as regras. Enrobustecido pelas necessidades da gerinçonça mas, na verdade, intrínseco, o jacobinismo deste PS é gritante. Adicionem-se-lhe factores como a fragilidade das contas públicas, o «optimismo» comprado com medidas demagógicas, a complacência da União Europeia, e depressa o odor a 2009 se torna indisfarçável.

0 comentários em “O odor dos animais ferozes”

  1. “Não aceita críticas, venham elas de organismos independentes como o Conselho da Finanças Públicas”

    Parece é que não se aceita críticas ao “Conselho da Finanças Públicas”. Falharam estrondosamente todas as previsões desde que foram criados, o mínimo que se lhes pode pedir é que admitam isso em vez de invocar o divino. Imagine que o governo dizia que a dívida tinha aumentado devido a perseguições do sobrenatural, a risota que seria.

    Não me pareceu que o governo estivesse a gritar sozinho. Passos Coelho está a ganhar uma sensibilidade exacerbada à ironia, parece que a única resposta que conhece é a gritaria.

    1. O Conselho “falhou” as previsões (atente nas aspas) porque as fez com base em pressupostos estabelecidos pelo governo e que este – governo – ao ver o que deles resultaria, ao vê-lo graças a essas previsões, alterou radicalmente. Adeus investimento público (que consta era importantíssimo e os malvados do Passos é que o tinham arrasado), venham as cativações (eis o estado ainda pior pagador), arranje-se um perdão fiscal (beneficie-se o incumpridor, acarinhe-se ainda mais os que afirmam que a fuga ao fisco é em Portugal um acto de auto-defesa absolutamente legítimo; tudo visto, se calhar é…).

      Hoje os gerinconços guincham com o excelente défice (afinal não há vida para lá dele…), zurram arrogantes considerações quanto ao Conselho e ameaçam mafiosamente o salário de Teodora. Intrinsecamente desonestos, sabendo da proverbial estupidez do auditório votante, esquecem a perversão que fizeram das suas próprias promessas e escondem a irrepetibilidade, a manter-se o caminho, destes resultados.

      Você, Jo, gosta disto. Todos pagaremos. Você incluído.

      Costa

      1. Falta-lhe aí o aumento das receitas do turismo. Quanto a falhar previsões, o Conselho reavalia-as conforme as mudanças na politica económica – a não ser que trabalhem mal e só se reúnam para as jantaradas.

        Ó Costa essa sua explicação é deveras original. Nem a Teodora se lembrou de a usar. Ela disse-se surpreendida pelos excelentes resultados. Até disse que era milagre.

        Como vê o acompanhamento é permanente
        https://www.youtube.com/watch?v=Uj_jg9PIJQs

        Em entrevista à Renascença e ao Público, os jornalistas lembram que a economista considerava que atingir a meta de défice era uma questão de fé. Houve milagre? “Até certo ponto, houve”

      1. Só uns iluminados, portanto, detectam esse odor!
        Quando o Conselho de Finanças Públicas (CFP) defende que só com medidas extraordinária, irrepetíveis, este governo consegue atingir metas, pergunto se não foi o mesmo que o anterior governo de Passos fez?

        A economia não sendo uma ciência neutra, mas sim carregada de ideologia, pergunto-me como pode o CFP ser independente? Independente do quê? Deste governo? Se o é, há-de ser dependente de visões externas/agendas externas.

        Teodora Cardoso se tivesse vergonha, devia ter-se demitido. Erra reiteradamente nas previsões que faz/fez. Não há responsabilidades, quando se erra desta forma? Teodora Cardoso e o seu CFP fazem politica/são instrumento da politica sempre que se pronuncia acerca das medidas do governo

        1. Mas não devia ser mais fácil evitar as medidas extraordinárias e acertar previsões em tempos previsíveis? Os tempos do Passos eram de ajuste orçamental violento. Diga-me lá onde é que um ajuste após uma pré-bancarrota (e não esqueçamos que as negociações que lhe definiram os termos foram levadas a cabo pelo PS) não gerou recessão e dificuldades nas previsões?

          1. A questão da PAF e do reajustamento não se relaciona, a meu ver com a austeridade em si, mas com o modo como essa austeridade foi conduzida – contra uns, e poupando outros (contra os mais vulneráveis e os menos responsáveis pela crise). Porque fomos obrigados a privatizar empresa monopólios naturais – que davam lucro/geravam receita?

            Quanto à crise lusa ela é estrutural e enquanto não se fizer uma reforma do Estado não vamos a lado nenhum – reduzir autarquias/reduzir o poder local – para mim um dos “cancros” do sistema politico em Portugal. Um referendo para sabermos que Estado queremos. Que serviços públicos queremos? Devemos ter Forças Armadas? SNS gratuito? Educação? Amentar impostos em determinados sectores da economia para pagar esses serviços que queremos gratuitos…

            Enquanto a Justiça não funcionar, e continuar a ser instrumento do Poder, também não vamos a lado nenhum. Mas isto são problemas internacionais e não nacionais – surgem em todos os países plutocráticos (todos os países capitalistas).

    1. Tudo gente boa, essa camarilha laranja…
      Nós já sabemos, Luís. O que falhou foi o governo PAF não ter tido o tempo suficiente para mudar o país – ANA, CTT, REN, EDP….prejuízos paga-os o zé povinho. Os lucros são para os privados….

      Paulo Macedo
      Há 17 arguidos na Operação Labirinto. Tráfico de influência, corrupção activa e passiva e crimes de prevaricação são a acusações mais comuns entre os arguidos, que vão começar a ser julgados esta segunda-feira, no Campus da Justiça, em Lisboa

      Miguel Relvas
      O ex-ministro é um dos accionistas da Pivot, que está no processo em conjunto com a Aethel. A holding em causa comprou o banco Efisa, mas a operação ainda está à espera de autorização do BCE, segundo adianta o Público desta quinta-feira, 2 de Março. Miguel Relvas já tem 31,7% da parceira do último candidato ao Novo Banco

      Tudo gente empreendedora.

      1. “Einsturzend Neubauten” significa Miguel Abrantes em alemão? o paleio é igualzinho! e a ignorância também, já agora.

        1. Não. Significa dedos a mais.

          Quanto a ignorância, é ao Alexandre Polidedos que vou pedir esclarecimentos? A sua ignorância é atrevida.

          1. Se tem dedos a mais, vá chupando um de cada vez para se entreter, em vez de vir aqui debitar disparates, Abrantezinho de subúrbio.

        1. Não acredito na imparcialidade da justiça em Portugal. Quem defende Sócrates? Apenas digo, que andam por aí muitos outros Sócrates

  2. Concordo com o Luis Navas: já tresanda a 2011… Mas gosto do seu post. E ouvir os elogios de Ferro a Marcelo ainda tresanda mais… Uma vergonha. Este governo e seus apoiantes fazem lembrar aquela mãe babada que via, no desfile militar, o seu filho a marchar com passo errado e dizia: “Parece impossível!… Tanta gente a marchar e só o meu filho é que vai certinho!…”

  3. “Costa, Galamba, César, Ferro, Nuno Santos”. Ora nem mais. Se a famosa “desfaçatez” necessitasse de um retrato de grupo com o orc-chefe da assembleia e o resto dos Uruk Hai principais era com estes que se pintava.

    1. Sobre desfaçatez:

      Maria Luis Albuquerque 6000€ não me chega para nada!!

      https://www.youtube.com/watch?v=ilm7-C74bck

      “O Estado não vai ser chamado a pagar eventuais prejuízos do Novo Banco”
      https://www.youtube.com/watch?v=7HqEJvFpTiM

      AS MENTIRAS DE PASSOS COELHO
      https://www.youtube.com/watch?v=pjEIZKqqJdU

      Uma compilaçao de mentiras (Catroga a mandar Prender Passos Coelho ?)
      https://www.youtube.com/watch?v=Y_kNKYLk-fM

      V emborque o que quiser, mas tenha cuidado com a vesicula

  4. Também ouvi dizer, e estou a ler agora, qu´assembleia pegou fogo. Se isso ocorrer e não acontecer estalada creio que manteremos a normalidade. E deixe-me dizer-lhe que a questão das offshore é lana caprina. Não dou muita importância a isso.
    Vivemos uma época em que se pretende construir novas tábuas da lei; e estou em crer que a palavra offshore se for substituída pela palavra ao largo já ninguém reclamará tanto. Acredito que é o som da palavra que provoca arrepios. Se a usarmos em português tudo será normal.

  5. Embora eu intua os riscos que corremos, bolas, é difícil aceitar a sistemática e raivosa negação das evidências (no sentido etimológico do termo).
    E as evidências são a melhoria de muitos dos indicadores económicos e sociais relevantes.
    Então, vir defender com unhas e dentes a regulação e o regulador do BdP, por amor de deus!…
    Contraria mesmo outras evidências.
    Uma estratégia assim só pode ser contraproducente.
    João de Brito

    1. Não. Isso é como dizer que o motor de um carro que gasta 1 litro de óleo a cada 100 km está muito melhor do que estava apenas porque você acabou de lhe meter óleo. Não está e provavelmente você está a agravar a situação.

  6. Depois da Directora-Geral dos Impostos ter ido na última 3ª feira ao Parlamento dizer que 7800 milhões de euros dos famosos 10000 milhões que “voaram” para as offshores, deveriam ter sido controlados já no tempo deste governo, e não foram, que caíu um manto de silêncio sobre o assunto. Já agora registe-se o facto, digno da Venezuela chavista, que depois de todas as tvs terem passado as audições parlamentares dos dois últimos DGIs, todos os canais, incluindo o do Parlamento, ignoraram/censuraram a audição da actual DGI, se calhar porque já sabiam que o que ela lá ia dizer desmentia a retórica oficial que nos andaram a impingir durante duas semanas.
    Já agora, gostava que os adoradores da geringonça e crentes nas vacas que voam, nos explicassem porque razão a CGD, o banco publico sustentado com o dinheiro dos nossos impostos, tem uma sucursal offshore nas Ilhas Caimão.

    Está aqui: https://www.cgd.pt/English/Contacts/International-Network/Pages/Cayman-Islands.aspx

    1. “Depois da Directora-Geral dos Impostos ter ido na última 3ª feira ao Parlamento dizer que 7800 milhões de euros dos famosos 10000 milhões que “voaram” para as offshores, deveriam ter sido controlados já no tempo deste governo”

      Mas é claro que sim, Policarpo

      Mais de metade dos 10 mil milhões de euros de transferências para ‘offshores’ que não apareciam nas estatísticas entre 2011 e 2014 foram declarados pelo Banco Espírito Santo (BES), avança hoje O Jornal Económico

      As transferências foram declaradas pelo Novo Banco após a resolução do BES a 03 de agosto de 2014

      O XIX Governo Constitucional de Portugal (21 de junho de 2011[1] – 30 de outubro de 2015) foi formado com base nas eleições legislativas de 5 de junho de 2011, que o PSD ganhou com maioria relativa

    2. ” CGD, o banco publico sustentado com o dinheiro dos nossos impostos”

      E os outros, os privados, também não são sustentados directa/indirectamente pelos nossos impostos (BCE – dinheiro Divida Publica – Banca Privada – Estado Português)

  7. Só mesmo os animais da espécie conseguem destinguir as diferenças de odor entre os seus diferentes grupos. Diferentes alcateias lutam, entre si, pela dominação de (mais) território.
    Lobos, são lobos. Carneiros são carneiros.
    Na natureza os carneiros não escolhem, constitucionalmente, qual a alcateia que os atacará.

    1. Para si, e para o avozinho!
      Ó Diogo, hoje em dia quem não é contribuinte não é cidadão. Contribuinte e consumidor, eis o Cidadão moderno!

        1. Não gosto! Prefiro uma sociedade proba e baseada em valores – coragem, força, beleza de acção e forma.

          O consumismo de hoje baseia-se em preencher vazios que se aprofundam com coisas. Não conseguimos viver sem coisas. E as coisas tomaram conta de nós tornando-nos fracos, decadentes, cobardes. Ridiculamente infantis.

          1. Não apoio nenhuma politica que vise o estimulo ao consumo. Pelo contrário apoio politicas que visem o “desconsumo”. Consumamos, consumemo-nos.

          2. Mais que o consumo é a consumação, que está em deficit. O José é um homem com gosto, bem sei. Apreciadora de Arte. Há pouco tempo tive no Louvre, e era nauseante assistir aos energúmenos, que contemplavam um Canova pela lente de um telemóvel. É isto que se chama progresso? É isto que queremos?

            Falta nos programas de governo, mais que uma politica económica, uma politica de Espirito! E esta não é prioridade das democracias.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *