Uma das coisas claras que distinguiu António Costa de António José Seguro foi ter apoiado a reforma do mapa judiciário de Paula Teixeira da Cruz, uma das coisas mais desastrosas que se fez no sistema judicial. Nada que seja de estranhar pois António Costa como Ministro da Justiça também tem no seu currículo reformas absolutamente desastrosas, como a obrigação de os mandatários se notificarem uns aos outros, ou a preparação da reforma da acção executiva, depois executada por Celeste Cardona, que transformou o país num paraíso para os devedores. Não é por isso de admirar que logo que se apanhou secretário-geral do PS, António Costa tenha imediatamente abandonado a proposta de António José Seguro de reabertura dos tribunais.
Confrontado com o desastre que isto está a ser, António Costa propõe agora um novo olhar sobre o mapa judiciário que permita que “em todas as sedes dos concelhos se realizerm os julgamentos que digam respeito às gentes desses concelhos“. Uma vez que o actual mapa judiciário deixou de referir a comarca ao concelho para esta passar a ter antes como referência o distrito, não vejo como se consegue que os tribunais voltem a funcionar ao nível do concelho sem uma alteração radical desta reforma. António Costa está convencido que consegue isto apenas com um novo olhar? Deve ter o mesmo efeito do que quando prometeu terminar com a austeridade com uma simples leitura inteligente do tratado orçamental.
Duvido por isso que António Costa chegue a algum lado com este “novo olhar”. É que os eleitores não são cegos.

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É um pouco intrigante — um nadinha, quase nem se nota — que em Lisboa, por acção de Costa, o nº de freguesias se tenha reduzido de 53 para 24, mas que ele ache porreiro que continue a haver 308 concelhos, cada um com o seu pavilhão multiusos e a sua colecção de rotundas.
Já disse e repito Costa pode ser desastrado, mas é honrado. Eu prefiro votar num tipo desastrado e honrado a um governo que se justifica com faltas de memória e tudo o mais e não baixa a dívida, engana o défice rouba aos pobres para dar ao ricos, assalta a classe média e subsidia fiscalmente ampliações de actividade a que dá o nome de investimentos. E depois diz que o investimento cresceu só porque se fez uma estufa de pintura, que até é necessária para a actividade e rentabiliza o negócio, que se adquiriu uma quinadeira ou outros equipamentos que aumentam a produção porque se tem encomendas e etc. e tal. Mas deixa-se quem precisa SEM PÃO.