O novo mapa cor-de-rosa.


Luís Menezes Leitão,

 

Como bem se salienta aqui, esta nova proposta de mapa do território marítimo faz lembrar a obsessão do Estado Novo com a extensão do enorme império colonial português. É normal em épocas de crise Portugal ficar obcecado com sonhos de grandeza, perdendo qualquer ligação com a realidade geopolítica, como foi o caso da aventura do mapa cor-de-rosa no séc. XIX, que nos custou a humilhação do ultimato inglês.

 

Hoje, no entanto, a ambição ainda é mais irreal, resultante nesta proposta de extensão da plataforma continental a um enorme território oceânico onde não existe qualquer plataforma continental. Que eu saiba, os Açores ficam no meio do Oceano e são de formação vulcânica, pelo que, a falar de continente, só pode ser o continente perdido da Atlântida. E onde não há plataforma continental, não há qualquer utilidade na extensão territorial, uma vez que o aproveitamento económico dos fundos oceânicos é praticamente impossível. Portugal quer construir assim um novo império marítimo, reinando como Neptuno sobre os abismos oceânicos. É por isso que o Governo proclama entusiasmado que Portugal é Mar. Na verdade, todos os dias se afunda.

14 comentários em “O novo mapa cor-de-rosa.”

  1. Caro LMN,

    Isto é como nas partilhas. Não sei se vale muito ou vale pouco, mas pelo menos é nosso (e, neste caso, nem sequer acarreta custos de manutenção).

      1. Desde que estejam “à distribuição”, por mim tudo bem! Neste caso da plataforma continental o que está em causa não foi termos decidido, do meio do nada, reclamar aquela área. Foi sim aberto um processo internacional para TODOS os países fazerem isso. Posto de outra forma: a opção é entre aquilo ser nosso e outras partes de outros países ou aquilo ser de todos e outras partes de outros países.

        http://www.enterrasolutions.com/media/images/2009/08/6a00d8341c4ebd53ef0120a52448fc970c-pi.gif

      1. Não se sabe. A exploração dos fundos marinhos com muitos quilómetros de profundidade só agora começa a ser possível.
        Ao largo do Algarve há, com grande probabilidade, algum gás natural. A questão é saber se é de exploração viável.
        Como bem diz Carlos Duarte, agora ficamos com o mar; mais tarde, na medida do possível, iremos vendo se nele há alguma coisa de útil.

  2. a vacuidade dos temas “bem” dos politicos que poluem o pensamento ineficiente e gratuito de algumas luminarias politicas é aqui bem apontado.
    Como a treta do empreendedorismo,com declaraçoes e cursos a”pintar” a manta da demagogia para jovem ver.

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