Durante uma guerra, a economia sofre, naturalmente, alterações profundas. As importações ficam condicionadas, os recursos são realocados para a indústria bélica e a prioridade passa a ser a disponibilidade de bens e serviços para as forças militares. Em Inglaterra, por exemplo, durante a 2ª Guerra Mundial foi activado um esquema de racionamento de bens essenciais (alimentos, combustíveis, roupas, etc.). O racionamento, na verdade, para além de corresponder a uma necessidade inerente ao esforço de guerra, tinha também como consequência um certo sentimento de igualdade perante os sacrifícios que, se não fosse observada, tornaria a situação insuportável.

Já por aqui se vê que a história contém vários ensinamentos sobre a gestão em tempos de crise e que, apesar disso, não aprendemos nada. O certo é que determinados comportamentos passaram a ser incentivados por campanhas públicas de propaganda: a partilha de veículos, a reutilização de materiais ou a frugalidade dos hábitos eram não só uma necessidade, como o novo normal (creio que a expressão não se utilizava por esses tempos), sendo qualquer comportamento desvidado desse padrão entendido como uma espécie de traição. A utilização individual de um automóvel fazia automaticamente crescer um incómodo bigodinho à Hitler no solitário e nada solidário condutor. Da mesma forma, meios alternativos de propulsão eram valorizados. Na falta de um Sócrates que promovesse a utilização de carros eléctricos, tornaram-se populares, em determinadas zonas, os veículos a gás obtido, normalmente, a partir da combustão de lenha ou carvão. Já então, o objectivo era favorecer os amigos, sendo que estes eram entendidos por essa altura como abrangendo toda a população.
Já se sabe, entretanto, que a necessidade aguça o engenho. E que as crianças são as primeiras a dar a volta às circunstâncias. Nada de essencial lhes faltava, até porque tinham um cartão de racionamento próprio. Não tinham acesso, todavia, a certas guloseimas (o açúcar também estava racionado). Na falta destas, o seu lugar era ocupado por saudáveis cenouras.
E, se é certo que em tempo de guerra não se limpam armas, não é menos verdade que há certas características femininas que nunca mudam. Assim, se a escassez de nylon e outros materiais impedia o normal abastecimento de meias e collants, um novo negócio floresceu: o da pintura dos femininos tornozelos e pernas.
* com agradecimento e pedido de desculpas antecipados à Ana Vidal pela usurpação do título.
O título foi bem roubado, Rui. Não há como uma guerra para surgirem reinvenções do mundo, infelizmente nem todas desejáveis. Mas estas de que falas são das boas. 🙂
Vivia-se, então, uma economia de guerra, mas agora vivemos uma guerra de economias. Contudo, o sentido que imprime a seu texto, assim o queiram ver, adapta-se perfeitamente à circunstância que se vive.
Muito interessante o seu post.
É curioso aqui aqui na Alemanha se mantém e são incentivados esses hábitos de uso racional de recursos. A partilha de carros é muitíssimo comum, mesmo entre a chamada classe média alta, a roupa que deixa de servir dá-se ou vende-se em lojas em segunda mão, os móveis que não se querem oferecem-se, vai-se ao mercado ou supermercado com um cestinho próprio, etc, etc.
Entretanto o desastre da Educação e Cultura Esquerdista continua no UK:
http://www.telegraph.co.uk/finance/jobs/9 638334/Williams-F1-struggling-to-find-re cruits-with-maths-skills.html
Quando passei pela tropa há imenso tempo reparei no enorme cuidado que os oficiais punham em lixar toda a gente por igual quando da execução dos diversos exercícios da recruta. Nunca achei que o serviço militar fosse tão essencial na formação de uma pessoa como alguns o pintavam nesses tempos idos, mas constato agora que se calhar essa formação específica (muito cuidado para lixar todos por igual) fez falta aos elementos do governo actual.
Porquê lixar todos por igual quando as culpas são só de alguns?