
Passos Coelho fez um bom discurso de abertura na rejeição da moção de censura do PCP. Tinha aliás escolhido um óptimo sound-byte: “A moção de censura é contra o mundo e a realidade“. O problema é que enquanto durava esse debate, o mundo e a realidade impuseram-se. Quanto ao mundo, o Chipre pediu ajuda externa, o Ministro grego das Finanças fugiu a sete pés quando viu o que o esperava, e Angela Merkel rejeitou pela enésima vez as eurobonds. Quanto à realidade, o Governo é que acabou por fugir a ela, quando não revelou as medidas de austeridade que toda a gente já percebeu que vão ser imprescindíveis. A moção de censura do PCP era um exercício diletante, que acabou por ser facilmente ultrapassado pelos partidos da maioria. Mas há um novo dado político resultante do dia de hoje: Pedro Silva Pereira demonstrou estar muitos graus acima de Seguro e protagonizou uma espécie de regresso antecipado do socratismo ao PS. Se, como se afirmou, o que o PCP pretendia com a moção de censura era atacar a actual liderança do PS, acho que o resultado acabou por lhe servir de feição.

Por uma questão de higiene mental não ouvi o discurso do Silva Pereira, mas confesso que tive a tenue esperança de que ele aproveitasse esta oportunidade, para fazer “mea-culpa” pelas malfeitorias que os governos de ele era nº2 fizeram a este país. Mas não, ainda não foi desta, e desconfio que podemos esperar sentados.
Provavelmente as receitas fiscais ficarão àquem do esperado, e as despesas sociais, pelas razões obvias tambem serão mais elevadas do que o previsto, com os reflexos que terão no defice deste ano. Mas existem mecanismos que permitirão atingir os 4,5% sem recorrer a mais austeridade, e espero bem que o ministro das finanças se saiba socorrer deles.
Há quem diga que Portugal é um país de masoquistas, e nestas alturas apetece-me pensar que sim, tantas são as pessoas que só para poderem dizer que o governo fracassou, o tão português “eu não disse?”, parecem preferir que venham aí mais medidas de austeridade.
Eu por mim, e as preferencias partidarias não têm nada a ver com isto, todos os dias torço para que o governo tenha exito, porque nas circunstancias em que vivemos, o exito do governo é o exito do país. Mas se calhar sou eu que estou enganado!
Por outro lado, acho que o Seguro nos faz muita falta, é um bom Seguro!
Eu também torci para que o Governo tivesse êxito, mas tive a certeza que tal não iria acontecer quando ouvi o primeiro discurso de Vítor Gaspar. Percebi logo que o que ele iria fazer era o contrário do que devia. Reconhecer isso não é masoquismo. Claro que eu prefiro que não haja mais medidas de austeridade. Mas vai haver e é a Vítor Gaspar que se devem.
Também concordo que o Seguro é um óptimo Seguro para o Governo. O problema é que a oposição também percebe isso.
Eu não disse?
Pois disse. O que também não altera a realidade.
É isso mesmo, bom é passarem o tempo a atirar a batata quente de um lado para outro e como se não bastasse ainda lhe juntam (a batata) uma dose de moralismo.
Caros senhores, por entre governos de diferentes cores algumas coisas estão bem claras, só não vê quem não quer. Ora aqui vão algumas.
Para começar não temos de pagar com sacrifícios uma divida que no mínimo esta mal explicada.
Na verdade a grande maioria da população deste país contenta-se com ” é a crise”, mas em meu entender isto é um processo que se iniciou a 28 Marco de 1977, data em que Portugal se candidatou a então CEE, hoje parece que não há Português, seja governante ou zé povinho” que tenha vontade de olhar todo este percurso com sentido de realidade. Caros concidadãos, recebemos milhares de milhões de escudos e depois euros em fundos comunitários durante 25 anos em que a única coisa que pediam em troca era; revitalizar o tecido industrial e torna-lo competitivo para o futuro. Cabia aos nossos governantes garantir que esses fundos fossem administrados única e exclusivamente com esse propósito, mas infelizmente isso não aconteceu, apenas viveram-se anos de esbanjamento e felicidade sem nunca projectar o futuro. Por entre estradas e outras obras publicas que nunca faltaram, descurou-se da industria de exportação, sem que nunca se fizesse nada de relevante a pensar no futuro. Não sejamos hipócritas, à excepção das estradas (construídas para usufruirmos sem custos mas hoje somos obrigados a pagar para nos servirmos das mesmas) e da educação, praticamente nada foi feito.
Nos últimos anos foi surgindo uma classe média bem formada, pese embora muito virada para actividades de foro burocrático que, tantos que já empatam mais do que produzem, novamente fruto de más politicas desta feita ao nível da educação mas também em parte devido a um choque geracional (pais analfabetos/ filhos doutores) a par com estes surgiram as instituiçoes financeiras, isto numa fase em que os fundos comunitários já tinham fim à vista, o negócio foi financiar luxo para todos, o dinheiro era farto, dava até para bancos privados se aventurarem e negócios tóxicos (com as poupanças dos seus clientes) que quando correm bem ganham os acionistas, quando correm mal o estado cobre o prejuízo, como o célebre caso do BPN e os 4000 milhões de euros que naquele ano fizeram o défice do país disparar de 3% para mais de 7%.
Presentemente vivemos o resultado destas politicas feitas em cima do joelho, agora que a nossa divida publica é superior ao nosso PIB, num país com 10 milhões de habitantes, REPAREM NESTES NUMEROS, onde 2 milhões vivem com menos de €360 por mês, onde apenas 5 milhões são considerados população activa, aos quais subtraímos cerca de 550 mil funcionários públicos, mais 360 mil RSI e uma taxa de desemprego que já vai galopando para os 15%. Não sou perito em números mas fica bem claro que a população geradora de valor deste Portugal é muito inferior à população dependente, só por aqui já há défice com fartura e à longa data.
Agora a ordem é apertar o cinto, para podermos pagar os juros duma dívida, sim porque na divida em si apenas conseguimos aumenta-la. “Espremem” então este povo que ainda produz alguma coisa para pagar uma divida que por certo em parte é ilegítima, mas sabemos que apurar estas coisas de justiça é pouco possível, no nosso Portugal, ao invés opta-se por espremer o zé povinho”.
Enfim, cá andamos, o défice está cá, está para ficar e para já mostra que é das poucas coisas que vingam bem neste Portugal pois NÃO PÁRA DE CRESCEEERR!!!
Concordo parcialmente com a sua análise. Também fui eurocéptico desde o início. A solidariedade europeia é uma falsidade. O dinheiro que nos deram para as estradas foi para que os produtos europeus cá chegassem sem custos de transporte excessivos. Depois de termos arruinado toda a nossa produção nacional, temos agora uma conta que nunca conseguiremos pagar.
Qual é a parte que não concorda?